Entrevista/ “Queremos que Portugal seja a prova definitiva de que o modelo da Okify é escalável a nível internacional”
“A nossa visão é clara: a gestão de fornecimentos deve deixar de ser uma carga operacional para se tornar num processo invisível e automatizado”, afirma Xavier Ardanuy, cofundador da espanhola Okify, que acaba de entrar no mercado português.
Depois de se consolidar em Espanha, onde já geriu mais de 50 mil processos de fornecimento e trabalha com mais de mil empresas, a Okify escolheu Portugal para dar o primeiro passo na sua expansão internacional. A proptech, fundada em Barcelona em 2020, quer simplificar uma área que continua a consumir tempo e recursos às empresas: a gestão de eletricidade, gás, água, internet e outros serviços essenciais em múltiplas localizações.
Através de uma plataforma gratuita, a empresa centraliza contratos e faturas, automatiza processos administrativos, monitoriza consumos e procura oportunidades de poupança. O foco inicial em Portugal está nos property managers, alojamento temporário, retalho e canal Horeca, setores onde a multiplicidade de imóveis e estabelecimentos torna esta gestão particularmente complexa.
Com o objetivo de gerir mil contratos no primeiro ano em Portugal, a Okify quer reforçar a presença no mercado e alargar, no futuro, a oferta a áreas como telecomunicações e seguros. Em entrevista ao Link to Leaders, Xavier Ardanuy, cofundador da Okify, fala sobre a entrada em Portugal, os setores com maior potencial e os próximos passos da empresa.
A Okify acabou de iniciar a sua atividade em Portugal. Por que razão escolheram este mercado nesta fase de crescimento da empresa?
Existem vários motivos por trás desta decisão: Portugal tem, tal como Espanha, um setor imobiliário e de property management muito importante e em grande expansão, que necessita de soluções como as da Okify. Além disso, partilhamos o mesmo mercado ibérico de energia e há muitas companhias que operam em ambos os países (EDP, Endesa, Repsol, etc.). Por último, contamos com clientes atuais em Espanha que também gerem propriedades em Portugal. Por tudo isto, para nós foi um movimento muito lógico e natural.
“(…) os fornecimentos representam uma parte importante dos seus custos operacionais e, frequentemente, as empresas não têm consciência do seu potencial de poupança”.
Que problema concreto vem a Okify resolver para empresas com múltiplos espaços ou propriedades, como hotéis, property managers, cadeias de restauração, retalho ou escritórios?
Os clientes que gerem múltiplas propriedades lidam com uma grande carga administrativa relacionada com os fornecimentos de luz, gás, água, internet e seguros: altas, baixas, alterações de titularidade, etc., bem como a gestão contabilística de todas as faturas. Além disso, os fornecimentos representam uma parte importante dos seus custos operacionais e, frequentemente, as empresas não têm consciência do seu potencial de poupança.
Que benefícios concretos podem as empresas esperar em termos de tempo, controlo e eficiência com a vossa plataforma?
A poupança operacional é evidente: o que antes lhes consumia horas ao telefone, agora gerem em menos de dois minutos através da nossa plataforma. Todas as gestões ficam registadas, permitindo um controlo total dos processos. Além disso, simplificamos a contabilidade ao centralizar todas as faturas e, graças à nossa integração com diversos ERPs, para muitos clientes o processo torna-se totalmente automatizado.
Num momento em que os custos energéticos continuam a ser uma preocupação para as empresas, que papel pode a tecnologia desempenhar na otimização da gestão da eletricidade e do gás?
A nossa tecnologia permite um controlo completo dos consumos energéticos, detectando desvios e potenciais ineficiências. Ao analisar o histórico e o detalhe destes consumos, otimizamos a tarifa que melhor se adapta ao portfólio de propriedades de cada cliente.
“Atualmente, conseguimos reduzir até 40% os custos de fornecimentos dos nossos clientes”.
A plataforma permite apenas centralizar a informação ou também ajuda as empresas a tomar melhores decisões sobre os seus contratos e consumos?
Definitivamente, vai muito além da centralização; o nosso segundo pilar fundamental é a poupança. Graças à nossa tecnologia e à nossa equipa, somos capazes de negociar as melhores tarifas e contratar as mais benéficas para cada cliente. Atualmente, conseguimos reduzir até 40% os custos de fornecimentos dos nossos clientes.
Que tipo de dados ou indicadores são os mais relevantes para que uma empresa possa identificar onde poupar ou como melhorar a sua gestão energética?
Para nós, existem três variáveis críticas: a curva de carga (quando e quanto se consome), a potência contratada e o preço atual. A magia acontece quando cruzamos estes dados. A curva de carga diz-nos em que horas se concentra o gasto; muitas empresas pagam tarifas caras em horas de pico de atividade sem o saberem. Por outro lado, a potência contratada pode estar sobredimensionada: pagam por uma capacidade que nunca utilizam e que precisa de ser ajustada. Ao processar estes dados com a nossa tecnologia, conseguimos tomar decisões e encontrar a tarifa exata que maximiza a poupança de cada cliente.
A relação com as comercializadoras de energia costuma ser um processo complexo e burocrático. De que forma simplifica a Okify esta interação?
Com a Okify, o cliente deixa de ter de contactar diretamente as comercializadoras. Somos o único ponto de contacto para tratar de todo o processo. Esta centralização melhora significativamente a eficiência e a experiência do cliente. Tudo é gerido a partir de uma única plataforma com um gestor dedicado.
“Portugal é um país com muito arrendamento de curta e média duração, pelo que este setor é estratégico”.
O vosso foco centra-se principalmente em empresas com múltiplas propriedades. Quais são os setores onde julgam que a plataforma pode ter um maior impacto em Portugal?
Embora prestemos serviço a qualquer empresa com múltiplas propriedades, setores como o dos property managers obtêm um valor extra devido à alta rotatividade da sua carteira de imóveis, que requerem constantemente processos de ativação, desativação, alterações de potência, etc. Além disso, cobrimos necessidades específicas, como o cálculo do gasto do hóspede no momento do checkout, antes mesmo de a fatura ser emitida. Portugal é um país com muito arrendamento de curta e média duração, pelo que este setor é estratégico. Também somos um parceiro-chave para cadeias (vestuário, restauração, cosmética, etc.), acelerando a preparação dos seus novos locais e mantendo os custos otimizados em mercados altamente competitivos onde cada euro conta. De qualquer forma, qualquer empresa multipropriedade, seja de que setor for, experimenta uma melhoria muito significativa com a Okify.
A sustentabilidade é hoje uma prioridade crescente. De que forma pode uma plataforma como a Okify ajudar as empresas a fazer um melhor acompanhamento do seu consumo energético e a reduzir o desperdício?
Tendo em conta as novas normativas ESG a nível europeu, a monitorização do impacto ambiental é cada vez mais importante. A nossa plataforma não só extrai os consumos de cada propriedade, como também calcula a pegada de carbono associada. Para ajudar a reduzi-la, dispomos de tarifas de energia verde e oferecemos suporte aos clientes que desejam apostar no autoconsumo.
“Além dos básicos (luz, gás e água), em Espanha já adicionámos internet, telefonia e seguros, e queremos replicar isto em Portugal brevemente”.
A Okify posiciona-se como uma plataforma tecnológica para serviços essenciais. No futuro, a vossa ambição passa por integrar outros serviços além da eletricidade e do gás?
A nossa ambição é centralizar o máximo de serviços possível. Além dos básicos (luz, gás e água), em Espanha já adicionámos internet, telefonia e seguros, e queremos replicar isto em Portugal brevemente. Quanto mais serviços centralizamos, mais valor aportamos ao cliente, mais poupança geramos e mais dores de cabeça eliminamos.
Como está estruturada a operação em Portugal e que planos têm para desenvolver a presença local?
A nossa operação em Portugal baseia-se numa equipa comercial focada em fazer chegar a nossa plataforma ao maior número de empresas possível. Queremos dar-nos a conhecer, conquistar a sua confiança e oferecer aos nossos clientes o melhor serviço para garantir que se tornem utilizadores recorrentes. Nesta linha, estamos a fechar parcerias com associações locais e vamos marcar presença em vários eventos e feiras estratégicas de setores como o property management ou a hoteleira/restauração.
Que objetivos traçaram para o primeiro ano de atividade no mercado português?
O nosso objetivo para o primeiro ano é atingir os 1.000 contratos geridos.
O mercado das proptechs e das soluções de gestão inteligente de ativos cresceu muito nos últimos anos. Como se diferencia a Okify neste ecossistema?
O nosso foco especializado na gestão de fornecimentos B2B multipropriedade permitiu-nos liderar a categoria, oferecendo um serviço superior ao de outros concorrentes mais genéricos ou focados no B2C. Além disso, a nossa tecnologia própria cria barreiras de entrada e mantém-nos um passo à frente em termos de funcionalidades.
Olhando para os próximos anos, qual é a vossa visão para o futuro da gestão da energia e dos serviços essenciais nas empresas?
A nossa visão é clara: a gestão de fornecimentos deve deixar de ser uma carga operacional para se tornar num processo invisível e automatizado. Com a volatilidade dos preços e a crescente necessidade de eficiência operacional, as nossas soluções serão fundamentais. Queremos que a gestão passe de reativa a proativa de forma automática. Ou seja, queremos que a nossa tecnologia analise consumos em tempo real, detecte desvios e mantenha as tarifas otimizadas, permitindo que as empresas se foquem no mais importante: o seu negócio.
“Durante este tempo, o maior desafio foi simplificar processos intrinsecamente complexos, conseguindo uma experiência fluida para o cliente”.
Como nasceu a Okify e qual foi o maior desafio no desenvolvimento da plataforma até agora?
A Okify nasceu em 2020, quando os fundadores perceberam que, nos processos de compra e venda e arrendamento de imóveis, a gestão da alteração do titular dos fornecimentos ainda era muito manual e morosa. Começámos por resolver esse problema do setor imobiliário tradicional e fomos crescendo para outros setores. Quando chegámos a empresas com múltiplos pontos de fornecimento, vimos que o problema se multiplicava e que muito poucas o tinham bem resolvido; a oportunidade era enorme. Durante este tempo, o maior desafio foi simplificar processos intrinsecamente complexos, conseguindo uma experiência fluida para o cliente. E tudo isto enquanto a Okify crescia a um ritmo elevado.
Daqui a três anos, que lugar gostariam que a Okify ocupasse no mercado português?
Daqui a três anos, queremos que a Okify se torne no padrão de gestão de fornecimentos para empresas em Portugal. Queremos ser a plataforma de referência. Neste prazo, gostaríamos de ter integrado também a oferta de seguros e telecomunicações para prestar um serviço ainda mais completo. Em suma, em três anos queremos que Portugal seja a prova definitiva de que o modelo da Okify é escalável a nível internacional.








