Quando se enfrenta o desafio de criar valor para os clientes, o apelo à reflexão é uma necessidade e uma obrigação. Mas tal só pode ser feito se nos abstrairmos da presunção de que sabemos o caminho e de que faríamos melhor que todos os outros.

Um dos reais problemas que impede uma resposta simplista reside precisamente no facto de haver sempre múltiplas soluções, sem que o diagnóstico tenha sido feito e sem que se reconheça o erro quando ele ocorre.

Foquemo-nos na gestão empresarial. Independentemente de encontrarmos um vasto leque de gestores de excecional performance, é sabido que uma das grandes carências nacionais reside na falta de qualidade de gestão, seja nas empresas, sector público ou organizações sem fins lucrativos. Ora pela resistência à mudança (falta de visão), ora porque não se tem a noção de onde se está (falta de diagnóstico), ora porque se escolhe mal o caminho (falta de estratégia) ou ainda porque o mesmo se percorre de forma errada (falta de táctica).

A confirmar esta realidade, foi publicado recentemente um estudo da União Europeia sobre a falta de qualificação dos gestores portugueses, que também revela que, em média, os empresários portugueses têm menos qualificação que os seus trabalhadores. Essa investigação revela que uma das principais causas reside na falta de cultura de gestão e orientação para o mercado.

Mas pior do que tudo isso é não compreender a importância de viver a realidade da empresa como um processo constante e sempre inacabado de orientação para o cliente. É caso para dizer que faz falta um CEO Marketing em muitas organizações. Sim, mais marketing na gestão porque Criar Valor assenta no reconhecimento de quem nos avalia e nunca na forma como nos queremos afirmar. É assim nas empresas, nas marcas, nas pessoas, nos organismos públicos e nos países.

Para que tal aconteça é preciso saber de onde partimos, fazendo com rigor o nosso próprio diagnóstico, reunindo duas virtudes: realismo e humildade. Aprendendo com quem faz bem: na ética, nos valores, na estratégia e na prática.

Dá-se demasiado tempo de antena a alguma mediocridade e derrotismo, aos comentadores de profissão e valoriza-se muito a cultura de protagonismo exacerbado assente numa frase feita, numa imagem trabalhada, etc…. O mediatismo, hoje mais digital, foca-se demasiado no julgamento do outro, como se quem julga fosse perfeito. Pelo contrário, dedica-se pouco tempo a valorizar os casos de sucesso, as boas práticas e aqueles que fazem muito bem o seu trabalho.

A tarefa de criar valor deve ser capaz de recentrar o seu foco na mudança da atitude e de compromisso, abandonando uma lógica de queixume em favor de uma lógica de concretização. O brio profissional é uma exigência em qualquer organização: ninguém pode garantir que faz totalmente bem, mas pode assegurar que tudo fará para que tal aconteça.

Coloca-se o grande desafio de captar, nos mais diferentes sectores da sociedade, as boas práticas que os podem catapultar para um novo estado de graça, seja ele medido através do crescimento, produtividade, índice de confiança ou de felicidade.

Há um sentido de urgência que é preciso concretizar para se caminhar na direcção de uma sociedade inteligente. As empresas são constituídas por pessoas e caracterizadas pelas suas práticas e atitudes, assentes no seu conhecimento.

Cada um de nós, na sua profissão, produz qualquer coisa para alguém e serve uma comunidade: clientes, munícipes, alunos, pacientes, utentes, leitores, espectadores, etc…. Se começarmos por interiorizar que nos cabe criar mais valor a quem servimos, encontraremos o foco da missão. Depois, é caminhar e marcar o caminho com pedras para garantir que não estamos perdidos e termos a certeza do que ficou para trás.

E a Criação de Valor não se anuncia: pratica-se!

Comentários