Francisco Lopes criou, em Portugal, o Portal da Sabeboria, mas escolheu Los Angeles para lançar a sua start-up, o LINK que é uma espécie de “LinkedIn para influenciadores digitais”. Em entrevista ao Link To Leaders fala do que o levou a escolher este país e como se tornou investidor. 

Francisco Lopes tem 27 anos e acumula já vários feitos na sua curta carreira. Terminou o curso de Engenharia Física, no Instituto Superior Técnico, em apenas quatro anos e com uma média de 20 valores. Criou uma plataforma de e-learning em Portugal – o Portal da Sabedoria – e, após três anos como consultor na BCG, voou para Los Angeles, onde se tornou business angel e investidor na Firefly, a start-up que ganhou o reconhecimento de melhor invenção do ano pela revista Times.

Com MBA na Stanford Graduate School of Business (GSB), Francisco está também criar a sua própria start-up, em parceria com o seu amigo de infância Francisco Schmidberger, o LINK, “uma plataforma para criadores de conteúdo digital colaborarem entre si, atuando como um LinkedIn para influenciadores digitais”. Conheça a história deste jovem, o que o levou até Los Angeles e como é ser-se investidor e empreendedor naquele país.

“Atualmente, no meu trabalho, aplico diariamente muito do que aprendi em Física, desde a estratégias de raciocínio a temas mais técnicos na construção do nosso produto”.

Como é que um engenheiro físico se torna investidor e empreendedor?
O que sempre me cativou em Física foi resolver problemas e o desafio intelectual desse processo. No entanto, quando comecei a fazer investigação em Física Teórica – o que mais me apaixonava – percebi que o impacto era bastante limitado e que corria o risco de passar a vida inteira a resolver problemas que não têm aplicações reais. Por essa altura, estava a criar e a disponibilizar conteúdo educativo com o Portal da Sabedoria, peer to peer, e ainda hoje me lembro das mensagens de apreciação que recebemos de estudantes de todo o mundo lusófono.

Foi aí que tomei a decisão: ser empreendedor é a melhor forma de ter impacto em escala e de forma sustentável. Atualmente, no meu trabalho, aplico diariamente muito do que aprendi em Física, desde a estratégias de raciocínio a temas mais técnicos na construção do nosso produto. Quanto a ser investidor em start-ups, é algo que me lembra o desafio intelectual da Física, ao mesmo tempo que posso participar de negócios transformativos e impactantes e também crescer como empreendedor.

Porquê Los Angeles? Quais as razões que o levaram até Los Angeles?
Quando pensamos em empreendedorismo nos EUA, o primeiro nome que surge é São Francisco. É lá que estão as gigantes tecnológicas e também muitos dos escritórios de empresas portuguesas. Escolhemos Los Angeles por ser a melhor zona para desenvolver o negócio que estamos a criar, uma vez que a cidade é o hub para criadores de conteúdo digital e entretenimento. A verdade é que, desde que me mudei, tenho encontrado uma cidade com mais diversidade que a Bay Area, mais agradável para viver e com excelentes oportunidades de negócio.

O que o levou a investir na Firefly?
Em primeiro lugar, a capacidade da equipa em angariar talento de topo, o modelo de negócio e a oportunidade à volta das plataformas de ridesharing. Mas o que me entusiasmou mais foi a visão e o posicionamento da empresa para smart cities.

“Comparativamente a Silicon Valley, os investidores em start-ups de base tecnológica – com os quais estou mais familiarizado – são mais aversos a riscos e a investimentos não consensuais (…)”.

O que mais procuram os investidores em Los Angeles?
Comparativamente a Silicon Valley, os investidores em start-ups de base tecnológica – com os quais estou mais familiarizado – são mais aversos a riscos e a investimentos não consensuais (que são aqueles que geram maiores retornos). Esperam também ver mais receita nas fases iniciais de uma start-up, já que muitos não tiveram a típica experiência de start-up a crescer a ritmos hiper rápidos através de múltiplas rondas de capital. Assim sendo, acabam também por se contentar com outcomes mais pequenos nos seus investimentos. No entanto, é algo que parece vir a mudar rapidamente com o recente fluxo de capital de risco para a cidade.

Para além de ser business angel, o Francisco está também criar a sua start-up. Qual é a área de negócio?
É difícil definir uma área específica porque estamos a fazer algo completamente novo. A empresa – LINK – consiste numa plataforma para criadores de conteúdo digital colaborarem entre si, atuando como um LinkedIn para influenciadores digitais. Atualmente já construímos uma comunidade com 50 influenciadores e mais de 35 milhões de alcance total combinado.

“No sistema empreendedor de Los Angeles, destaco a diversidade de experiências (não só em tecnologia) e maior abertura cultural, quando comparado com Silicon Valley”.

O que mais destaca no sistema empreendedor de Los Angeles?
No sistema empreendedor de Los Angeles, destaco a diversidade de experiências (não só em tecnologia) e maior abertura cultural, quando comparado com Silicon Valley. Adicionalmente, em Los Angeles é mais fácil reter talento do que em São Francisco, onde há muito a cultura de engenheiros mudarem de start-up em start-up após curtos períodos. E, finalmente, a proximidade geográfica a Silicon Valley, que está apenas a 1 h de avião.

É mais fácil ser-se empreendedor em Portugal ou em Los Angeles?
Na minha opinião, é mais fácil ser-se empreendedor nos Estados Unidos, já que as pessoas têm muito mais presentes casos de sucesso como exemplos a seguir, há talento que já passou por outras start-ups de sucesso e as pessoas valorizam mais equity. Tudo isto faz com que seja mais simples construir e escalar equipas aqui, além de um maior acesso a capital e maiores mercados. Penso que o sistema de educação português tem que fazer um melhor trabalho em sensibilizar o talento para os benefícios de equity como compensação, chave para incentivar pessoas a assumirem maiores riscos e potenciar o crescimento económico a longo prazo.

Qual é neste momento o potencial de Los Angeles para se tornar um hub de empreendedorismo?
O ecossistema de empreendedorismo de tecnologia em Los Angeles tem vindo a crescer bastante nos últimos anos, com vários casos de sucesso (Snap, Honey, SpaceX, etc.), influxo de talento e excelentes universidades na área. No último ano, vários fundos de capital de risco iniciaram atividade na região, incluindo dois amigos pessoais que mudaram os seus fundos para Los Angeles em 2019, e o ex-CEO da Zillow (NASDAQ: ZG) acabou de lançar o dot.LA, uma plataforma de notícias para acompanhar as novidades do ecossistema local.

O facto de Los Amgeles ser o hub para entretenimento e onde as maiores tendências culturais começam pode também ser uma oportunidade bastante interessante para o ecossistema tecnológico.

“As áreas mais promissoras são a tecnologia aplicada ao entretenimento, gaming, soluções focadas no consumidor, imobiliário, logística  – Los Angeles possui os dois maiores portos dos Estados Unidos – e espaço – com a SpaceX e Boeing baseadas na região”.

Quais são as áreas mais promissoras em Los Angeles?
As áreas mais promissoras são a tecnologia aplicada ao entretenimento, gaming, soluções focadas no consumidor, imobiliário, logística  – Los Angeles possui os dois maiores portos dos Estados Unidos – e espaço – com a SpaceX e Boeing baseadas na região.

Pensa voltar a Portugal?
Sem dúvida. Só não tenho planeado quando, já que agora o meu objetivo é construir o LINK.

Que conselhos daria a um jovem português que quer levar a sua start-up para Los Angeles?
Em primeiro lugar, deve avaliar se Los Angeles é a cidade ideal para essa start-up, essencialmente, se permite estar próximo dos seus clientes. Segundo, deve focar-se em desenvolver relações com entidades e pessoas locais ainda antes de fazer a mudança, para conhecer bem a dinâmica do ecossistema e perceber as diferenças culturais que podem ditar o sucesso ou insucesso do seu negócio. Por fim, uma vez feita a mudança, aconselho fortemente a aproveitar a cidade e a sua diversidade que nunca encontrará em países da Europa.

Respostas rápidas:
O maior risco:
Mudar-me para os Estados Unidos.
O maior erro:
Tantos, mas nenhum que me faça pensar muito.
A maior lição:
Abordar cada situação com uma mentalidade de crescimento e aprendizagem.
A maior conquista:
Ainda por acontecer.

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