Opinião
Maior cooperação interassociativa no ataque à crise

As associações empresariais, comerciais e industriais não se limitam hoje a defender os interesses dos seus associados, numa lógica corporativa que tende a cercear a ação e a gerar autocentramento. Atualmente, o associativismo empresarial tem em linha de conta todos os que na comunidade são, direta ou indiretamente, influenciados pela sua intervenção pública e pela sua missão institucional.
Na generalidade dos casos, as associações empresariais portuguesas têm vindo a abrir o seu leque de atividades e competências à sociedade como um todo, não deixando, naturalmente, de dedicar uma atenção especial aos seus associados e respetivos interesses. De uma maneira geral, assistimos à consolidação de um movimento associativo aberto, multidisciplinar, credível e com consciência cívica e social.
De resto, esta amplitude de atuação e de competências é reconhecida quer pelo Estado, quer pelas instâncias comunitárias, que consagram apoios significativos à dinamização das estruturas associativas. O Estado português e a União Europeia consideram, e bem, que a intervenção das associações empresariais é de manifesto interesse público e passível de contribuir para o desenvolvimento do país.
Neste sentido, prevalece a noção de que, em larga medida, as associações empresariais estão a desempenhar funções que deveriam ser supridas pelo Estado ou pelas instâncias comunitárias. Funções, essas, que são basicamente a prestação de serviços em áreas como a qualificação e integração profissional, a gestão de carreiras, a consultoria jurídica, a promoção da internacionalização, o apoio à inovação, a transferência de tecnologia, a incubação e aceleração de start-ups, a captação de financiamento e o networking empresarial.
O crescimento, modernização, competitividade e internacionalização dos diferentes sectores da nossa economia muito se deve ao apoio prestado às empresas pelas associações empresariais, comerciais e industriais. A evolução dos nossos principais sectores é tributária da resiliência e competitividade das empresas, mas também do sentido estratégico, visão global e espírito solidário das associações, que deram um contributo significativo para a alteração do paradigma de desenvolvimento nacional.
Numa altura em que a economia necessita não apenas de recuperar dos brutais efeitos da pandemia, mas também de iniciar a transição para um modelo de desenvolvimento mais digital, qualificado e sustentável, é exigível uma maior cooperação institucional entre as associações. Num quadro de colaboração institucionalizada, é mais simples e profícua a partilha de recursos, experiências, competências e conhecimentos entre associações representativas de diferentes setores e fileiras.
Mais ainda tendo em conta a nova geração de fundos europeus que Portugal vai receber e dos quais só retirará o devido benefício se as empresas tiverem capacidade para apresentar projetos bem estruturados, economicamente pertinentes e com potencial desenvolvimentista. Ora, para que isso aconteça, parece-me essencial a massa crítica e a experiência das associações nas candidaturas a incentivos comunitários.
Neste sentido, as associações devem estar abertas à articulação de iniciativas e projetos entre si, no âmbito de uma estratégia integrada de desenvolvimento de sectores e fileiras. Apesar de muitas associações empresariais, comerciais e industriais já colaborarem regularmente, importa aprofundar as parcerias existentes, desenvolver mais ações em conjunto e evitar a sobreposição de projetos. Tal não significa uma perda de identidade das associações, mas sim uma capacidade acrescida de satisfazer os interesses dos seus associados e do sector que representam, bem como de promover o desenvolvimento económico e social do país.
*Associação Nacional de Jovens Empresários