Chama-se IndieBio e é o maior programa de aceleração de biotecnologia do mundo, que está neste momento à procura de empresas avaliadas em mais de mil milhões de dólares na Argentina. O seu foco do está posto em duas grandes áreas: a saúde humana, por um lado, e o Planeta, por outro.

Quando, em 2017, a start-up Beeflow, que melhora a produção do mel das abelhas, foi selecionada pelo IndieBio, o maior programa de aceleração de empresas de biotecnologia do mundo, Arvind Gupta, o seu fundador e CEO, não sabia praticamente nada da Argentina.

Em apenas dois anos outras três start-ups argentinas – Stamm, Caspr e Michroma – conseguiram ingressar no programa do IndieBio, que disponibiliza mil dólares de capital semente (cerca de 920 euros), um laboratório e um espaço de cowork em São Francisco. Este foi o momento em que Gupta decidiu perceber o que tinham em comum estas start-up, para além da nacionalidade, e porque é que um país como a Argentina acolhe projetos inovadores e que podem converter-se rapidamente em unicórnio.

“Em dois anos, investimos em quatro empresas argentinas. E posso dizer que, para além dos Estados Unidos, não nos aconteceu isto em nenhum outro país. Talvez, com Canadá. Mas nenhum outro. Com estas quatro empresas, fizemos dinheiro. Mas não só. Os seus fundadores são muito bons, trabalham muito, são inovadores e rápidos. É óbvio que estão acima da média de qualquer outro fundador”, disse Gupta, explicando que há outro ponto que têm em comum as quatro start-ups: todas fazem parte da aceleradora Grid Exponential, que apoia start-ups de base cientifico-tecnológica na América Latina.

Por isso, o CEO de IndieBio decidiu viajar para a Argentina e encontrar novas empresas para o seu programa. Gupta viajou recentemente para Mendoza, para participar no BioArgentina, um evento organizado pela Câmara  de Biotecnologia da Argentina (CAB) que procura ligar investigadores, empreendedores, start-ups, empresas industriais líderes e o setor público.

“Procuramos a cura para o cancro e para outras doenças. Mas também queremos empresas que queiram ajudar a combater as alterações climáticas e produzam alimentos e materiais sustentáveis. Há uma geração que está suficientemente cansada e quer pôr o seu dinheiro numa solução para resolver o problema ambiental e isso cria uma enorme oportunidade de mercado”, explicou ao TechCrunch.

Na Argentina, Gupta espera encontrar a nova Cspr.ES, que trabalha sobre novas formas de diagnóstico e que foi uma das empresas que mais rapidamente cresceu na história do IndieBio. As áreas em que mais potencial vê para o país são as que estão relacionadas com a biotecnologia aplicada à agricultura, à biodiversidade e à pecuária.

“Encontrar a ideia que vale mil milhões de dólares é fácil: só tem de parecer ficção científica. Dizem: imprimimos órgãos em 3D e isso está perfeito. A parte difícil é encontrar empresas que não o estejam a fazer incrivelmente”, contou o CEO, referindo-se à Argentina como um país promissor para o surgimento de novos unicórnios.

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