Com cerca de 8 milhões de habitantes, Israel tem registado um enorme crescimento económico e aquisições de start-ups que dão que falar e que já lhe fizeram valer o nome de “startup nation”.

Israel conta com 60 anos de história, muito pouco para os parâmetros habituais da Europa e para um país com séculos de feitos, como Portugal.

Com 8 milhões de habitantes, dos quais 40 mil trabalham na área da indústria tecnológica e geram cerca de 15% do PIB do país, Israel é a terceira sede mundial que reúne mais empresas presentes no NASDAQ, depois dos EUA e da China. É o país do mundo com maior volume per capita de capital de risco disponível, start-ups, investigadores e profissionais de tecnologia.

Israel apostou cedo na criação de uma cultura de inovação, que conseguiu implementar com sucesso e que a ajudou a manter um ecossistema vibrante, onde as start-ups encontram o que necessitam para vingar.

Uma vez que se digladiam com o mesmo problema de Portugal – um mercado consumidor muito pequeno –, tudo o que estas start-ups criam e desenvolvem, é pensado para o mundo.

Sabia que Israel é o terceiro país com o maior número de registo de patentes nos EUA? E que alberga cerca de 300 centros de pesquisa e desenvolvimento de inovação de empresas ligadas à tecnologia no mundo? A IBM, a Cisco, a Intel, a HP, a Microsoft, a Google e a Facebook são algumas delas.

Da tecnologia financeira à educação e tecnologia, passando pela saúde, agricultura e terminando nos transportes, as start-ups israelitas têm conseguido respostas para alguns dos problemas globais. Waze, Viber, Wix e Mobileye são exemplos disso.

Os laboratórios da ZUtA, sediados em Jerusalém, que criam pequenos aparelhos de impressão, ganharam o prémio de Melhor Inovação do mundo pelo International Consumer Electronics Show, em Las Vegas. Trata-se do maior prémio que uma empresa tecnológica pode receber e onde empresas como a QualComm, Whirlpool, Pioneer, Samsung, LG e GE já foram reconhecidas, nessa mesma categoria.

Muitos apontam as pessoas como razão para este sucesso, o facto de estas apenas contarem consigo mesmas e por serem inovadoras. A estas razões, juntam-se ainda a política governamental de inovação assumida, a cultura da diversidade e da colaboração e a aposta na formação.

Na Hebrew University, que surge entre as 10 melhores academias para trabalhar fora dos EUA, encontram-se algumas das mentes mais brilhantes da investigação e desenvolvimento e, inclusive, alguns prémios Nobel.

Esta mesma universidade e o Jerusalem’s Hadassah Medical têm sido reconhecidos pelo seu trabalho de investigação e desenvolvimento, em parceria com a Stanford University, na criação do BioDesign, uma abordagem multidisciplinar à inovação médica, que está a revolucionar os aparelhos médicos usados em todo o mundo.

A tecnologia criada em Israel é usada em todo o mundo. A Califórnia recorreu à experiência de Israel para diminuir o impacto da falta de água, através da empresa israelita de dessalinização IDE Technologies. Na Índia, a experiência e tecnologia israelita na área da agricultura foi referência no desenvolvimento de uma maior diversidade de culturas e na segurança alimentar dos seus habitantes.

As start-ups tecnológicas de Israel levantaram, na primeira metade de 2016, cerca de 2,6 mil milhões de euros, segundo relatório do IVC Research Center. Os 361 negócios desta metade do ano estão 35% acima do valor levantado no período homólogo em 2015, segundo o IVC Research Center. De acordo com o mesmo, o maior investimento foi feito em empresas de software e dedicadas às ciências humanas.

A Gett (ex GetTaxi), por exemplo, recebeu um investimento estratégico da Volkswagen de cerca de 283 milhões de euros. Já a app Via recebeu cerca de 94 milhões de euros de investimento estratégico de investidores da América do Norte, Europa e Ásia. A Sony Pictures Entertainment investiu na Interlude um valor que apenas referiu como multimilionário. E poderíamos continuar.

Ainda vai continuar a acreditar que os países com menor dimensão e com um mercado reduzido não são interessantes ao nível do investimento?

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