Saúde mental pode custar até 5% do PIB até 2030, alerta estudo da Zurich

Os problemas de saúde mental são um fator crucial na perda de produtividade, com projeções de impacto no emprego que podem chegar aos 5% do PIB em alguns países, até 2030. A conclusão é do novo estudo global da Zurich.

Intitulado “The Value of Mental Health“, o novo relatório global da Zurich aborda o impacto da saúde mental na economia, o que significa para as pessoas, para a produtividade e para os sistemas de proteção. A análise teve como base um conjunto de seis países – Austrália, Chile, Alemanha, Malásia, Emirados Árabes Unidos (EAU) e Reino Unido – e retrata o impacto cotidiano sobre indivíduos, famílias, empregadores e sistemas públicos à medida que a procura aumenta.

O estudo destaca que o impacto na produtividade é severo, sendo impulsionado principalmente pelo abandono do mercado de trabalho por parte dos colaboradores e alerta que a negligência em relação às questões de saúde mental pode custar às economias, concretamente no caso Reino Unido, até 5% do Produto Interno Bruto (PIB) até 2030. No caso da Austrália esse valor pode chegar aos 4%, na Alemanha, aos 3%, no Chile aos 2% e na Malásia e EAU a 1% do PIB.

Até 2030, prevê-se que uma pessoa comum que vive com um transtorno mental enfrentará: 67 dias de vida saudável perdidos por ano, na Alemanha; 29% diferença de emprego em comparação com pessoas sem problemas de saúde mental, no  Reino Unido; 5.6 dias de licença médica excedente por motivos de saúde mental por ano, no Chile; 42% dos custos de tratamento cobertos por despesas diretas, na Malásia; 1275 horas de cuidados informais recebidos por ano, nos Emirados Árabes Unidos; e 1% menos satisfação com a vida na Austrália.

À medida que as necessidades antes geridas informalmente chegam aos sistemas formais, os países enfrentam um desafio comum: equilibrar a resiliência pessoal com os sistemas de proteção e apoio.  Desta forma, o relatório enfatiza que o apoio precoce, o investimento na prevenção e a criação de ambientes de trabalho resilientes são cruciais para mitigar este impacto.

Outros dos alertas do estudo diz respeito aos jovens, ao projetar que até 2030, cerca de 32% dos adultos em idade ativa viverão com uma condição de saúde mental, subindo para 64% entre jovens de 15 a 19 anos. Contudo, a constatação de que os problemas de saúde mental estão a aumentar, especialmente entre os jovens, pode refletir uma melhor deteção dos casos e sistemas que identificam necessidades que anteriormente não eram percecionadas, em vez de um aumento repentino de doenças mentais.

O estudo alerta ainda que o maior custo provém da saúde mental precária, que leva a longos períodos de inatividade e dificuldades em voltar ao trabalho. Destaca também o custo pessoal associado, na medida em que a falta de saúde mental reduz a esperança de vida saudável. O custo do bem-estar perdido é, em alguns casos, até 49 vezes superior aos gastos formais com saúde mental. Ou seja, indivíduos, famílias e empregadores arcam com grande parte dos custos da saúde mental. Os gastos diretos, as perdas dos empregadores e o valor do cuidado informal não remunerado muitas vezes excedem os gastos públicos, revelando lacunas que os sistemas formais por si só não conseguem preencher.

Uma ressalva para o facto de os empregadores estarem na linha da frente, na medida que são cada vez mais os primeiros a reconhecer e a apoiar as necessidades de saúde mental. Através de medidas precoces, os locais de trabalho podem reforçar os mecanismos sistémicos e a resiliência pessoal que mantém as pessoas conectadas e reduzir a inatividade de longo prazo.

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