A organização europeia EIT Health analisou o potencial do digital aplicado à saúde em Portugal. As conclusões resultaram do fórum europeu EIT Health Think Tank.

Na sequência do recente fórum europeu para especialistas e líderes que influenciam o futuro dos cuidados de saúde, o EIT Health Think Tank (realizado em Lisboa), o EIT Health divulgou agora um relatório que resume as principais conclusões a que chegaram os mais de 20 especialistas (representantes da indústria, associações de doentes e reguladores), sobre o estado da telemedicina em Portugal, a forma como esta pode ser otimizada e eventuais  medidas a implementar.

De acordo com o relatório, e depois de 20 anos de prática de telemedicina, o nosso país depara-se agora com alguns desafios. Os números avançados por este organismo apontam para uma realidade em que, apesar de 87% dos hospitais públicos recorrerem à telemedicina apenas 44% dos profissionais de saúde estão motivados para a sua utilização. Por outro lado, aponta para uma “visível falta de know-how e infraestruturas de TI adequadas neste domínio.  Quanto aos consumidores, o relatório refere que 64% afirmam ser conveniente ter acesso à saúde virtual.

Perante estas constatações, o relatório do EIT Health Think Tank conclui haver “uma clara tendência em ao desenvolvimento e adoção de soluções digitais de saúde”.

E nesta matéria, Portugal encontra-se numa situação privilegiada devido à ampla e ativa comunidade de inovação e interesse de novos talentos, salienta o EIT Health destacando o exemplo das start-ups e investigadores portugueses como duas das áreas mais ativas nos programas europeus de educação e aceleração que desenvolve.

Mas como pode Portugal melhorar, desenvolver e adotar soluções inovadoras em saúde? As recomendações apresentadas pelo EIT Health Think Tank referem-se a todas as etapas do processo de inovação: das ideias iniciais, à fase de concretização na entrada no mercado e da adoção da solução. Destaque para a necessidade de desenvolvimento de uma abordagem mais integrada dos cuidados prestados aos cidadãos – é necessário criar um ecossistema que permita juntar as partes interessadas, organizações e instituições mais inovadoras, no sentido de trabalharem em conjunto em objetivos concretos, de forma a procurarem produtos e soluções médicas sustentáveis.  A juntar a isto o facto de os investigadores se deparam com barreiras no acesso a pessoas com poder de decisão e a locais de prestação de cuidados de saúde necessárias para ensaios clínicos, que é um primeiro componente crucial para qualquer solução de telemedicina em saúde.

Por outro lado, o relatório frisa ainda a necessidade de facilitar acesso aos pacientes que possam vir a utilizar a solução em desenvolvimento, permitindo que a sua necessidade real seja avaliada e, dependendo da solução, permitir que a mesmo possa ser codesenvolvida com os potenciais utilizadores. Aumentar a consciencialização sobre o processo de inovação, incrementando as capacidades técnicas através de formação, educação, programas de certificação dirigidos não apenas a estudantes, mas também a profissionais, locais de transferência de tecnologia e reguladores, é outro dos aspetos focados.

Filipa Fixe, membro do Conselho Executivo da Glintt, referiu que aAtualmente, vivemos num mundo digital, onde todos dependem da tecnologia. Temos que mudar essa atitude para o setor de saúde. Precisamos esclarecer as necessidades e os resultados dos cidadãos de forma a podermos criar melhores caminhos de inovação com a ajuda do conhecimento científico atual.

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