Há dez anos que as empresas não gastavam tanto dinheiro em start-ups. Para uma empresa deste género, este tipo de investimento pode ser muito bom ou arruinador. Saiba porquê.

Já teve uma ideia inovadora para solucionar algum problema de uma grande marca? Se já colocou essa ideia em prática, o próximo passo talvez passe por pedir um investimento a essa empresa. Ficam aqui alguns pontos que deverá ter em consideração.

Perceber os fundos de investimento de risco das grandes empresas

Apesar dos fundos de investimentos das grandes empresas serem uma subsecção dos fundos normais, não funcionam da mesma maneira. Quando são as companhias a apostar em start-ups, normalmente o investimento é feito diretamente, em vez de ser através de um fundo. Para além disso, as empresas grandes normalmente não oferecem apenas dinheiro: oferecem também programas de aceleração, servem de mentores e dão acesso a um tipo de tecnologia ou de planos de negócio que um fundo normal não daria.

É importante para a credibilidade de uma start-up receber um investimento de uma empresa. A partir do momento em que uma microempresa assina este tipo de contratos, vai ter bastante mais cobertura mediática e publicidade que doutra maneira não teria.

Aqui estão alguns pontos a ter em conta antes de optar por este tipo de investimento:

  • Quanto mais tarde melhor. O arranque dado por uma grande empresa a uma start-up pode ser de curta duração, visto que esta ainda tem de dar muitas provas no mercado. No entanto, se o investimento for feito numa start-up que já tem algum tempo e que já deu provas que o seu produto ou serviço funciona, as possibilidades de a parceria entre as duas organizações funcionar significativamente maior.
  • Uma das maiores contrapartidas de aceitar um investimento de um fundo de uma companhia é a tendência para haver uma avaliação mais baixa. Esta reputação precede este tipo de fundos que, muitas vezes, avaliam as start-ups em valores insustentáveis ao seu crescimento.
  • Adquirir e fundir empresas é a nova tendência neste mundo. As grandes empresas já se aperceberam que é mais barato investir numa start-up que soluciona um problema patente no seu setor do que propriamente tentarem resolver o problema de raiz e criar uma equipa de R&D (pesquisa e desenvolvimento) interna. Esta poderá ser uma boa saída para uma start-up que tenha uma boa solução para um problema de uma organização.
  • O dinheiro é bom, mas, no geral, a oportunidade é ainda melhor. Um dos maiores benefícios para as start-ups de terem investimentos estratégicos de uma companhia é uma oportunidade que é dada de entrar em negociações formais com essa empresa. Estas relações, se bem encaminhadas, podem melhorar significativamente o rumo da start-up visto que pode ser uma grande oportunidade para melhorar o produto/serviço em desenvolvimento e atrair ainda mais clientes doutros setores.
  • Um dos aspetos mais importantes a ter em conta é a noção do mercado em que a start-up se insere. Uma organização abrir as suas portas e investir numa microempresa pode parecer uma grande oportunidade. No entanto, a abertura dessa porta pode-se traduzir no fecho de outras tantas, visto que o mais provável é a start-up deixar de poder negociar com os competidores do seu investidor. Por exemplo: se uma empresa apresenta uma solução no setor informático, o mais provável é a marca que investiu nessa solução adquirir a propriedade intelectual do produto/serviço e não deixar a start-up apresentar a sua ideia aos outros gigantes informáticos.

Este tema foi, entre outros tantos, abordado no Lisbon Investment Summit por quatro responsáveis pelos fundos de investimento de grandes empresas. Jon Koplin, da Cisco, aconselhou as start-ups a ver a oportunidade para além do cheque, porque o dinheiro pode ser recolhido de vários sítios. Luís Manuel, da EDP Inovação, recomendou a estas empresas tentarem procurar perceber se conseguem trabalhar com os seus investidores e para não olharem para as grandes organizações apenas como um cheque, visto que quando estas investem num produto/serviço esperam envolver a start-up numa parte do seu negócio.

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