A start-up de Luís Murcho e Gonçalo Santos está a desenvolver uma plataforma de realidade aumentada que permitirá reduzir o tempo e os custos na realização das tarefas de manutenção na indústria.

A Glartek, start-up portuguesa fundada por Luís Murcho e Gonçalo Santos, encontra-se a desenvolver uma plataforma de realidade aumentada (AR), com o objetivo de reduzir o tempo e os custos na realização de tarefas de manutenção industrial.

“Percebemos que as diferentes operações de manutenção, em campo, são geralmente baseadas nas capacidades presentes e adquiridas pelos técnicos de manutenção, mas neste tipo de operações, mesmo que o técnico tenha um treino e conhecimento adequado, é sempre necessário recorrer a informação adicional como manuais, esquemas, desenhos técnicos, relatórios de manutenção e dados em tempo real; informação esta que geralmente está dispersa e muitas vezes é inexistente. Todas estas atividades adicionais que são necessárias na procura de informações, para finalizar uma tarefa, levam tempo e, por essa razão, têm um custo substancial”, referiu Luís Murcho ao Link To Leaders, acrescentando que “os custos de inatividade, para indústrias de processo, podem representar 1-3% da receita e potencialmente 30-40% dos lucros anuais”.

“Tendo em conta os problemas atuais, juntamente com a visão do futuro, procuramos perceber o melhor método de fazer chegar a informação, de forma direta e rápida aos técnicos de manutenção, de maneira a que possam aceder e visualizar, em campo, toda a informação necessária de forma a tornar as suas tarefas mais rápidas e fáceis de concluir. Essa resposta chegou-nos através da realidade aumentada. A vontade de explorar um mundo novo, com um potencial enorme, com a vantagem de integrar toda a nossa experiência e conhecimento anterior, fez com que a evolução fosse muito rápida”, explicou o responsável.

Acelerada no H-Farm, a plataforma da Glartek consegue ler informação por detrás de todos os objetos. Ao mostrar ao operador a informação necessária na manutenção industrial que vai ser executada através de realidade aumentada e em tempo real, permite reduzir o tempo e os custos implicados na mesma.

Para Luís Murcho, “o nosso sistema destaca-se dos restantes, pois não são necessários trackers, ou dispositivos adicionais como qr codes, rfid ou Beacon para identificar os diferentes equipamentos, o que torna o sistema muito mais fácil, rápido e barato de instalar, onde o próprio técnico de manutenção pode personalizar, à sua medida, a diferente informação, sem ser necessário recorrer a uma programação adicional. O sistema reconhece os equipamentos, através de um levantamento tridimensional do contexto em que se inserem, o que é excelente no contexto industrial, visto que quanto maior a complexidade do contexto, mais ajuda o sistema a reconhecer e a localizar os equipamentos”.

“O nosso objetivo é juntar dois mundos que continuam separados: manutenção e sistemas de monitorização. Neste contexto, a Glartek tornará as intervenções de manutenção mais eficientes e rápidas, fornecendo aos técnicos um conjunto de ferramentas, baseadas na realidade aumentada, conectadas ao backend empresarial, para suportar todas operações de manutenção”, frisa o cofundador.

A operação está dividida em duas fases, uma primeira de desenvolvimento da plataforma em mobile e uma segunda de utilização da realidade aumentada através de óculos.

O projeto piloto da Glartek foi testado no Centro Cultural de Belén (CCB). Como referem no seu website, “o edifício foi tecnicamente um grande desafio. Foram 1600 km de cabos elétricos, 550 unidades HVAC, 700 sensores de temperatura, humidade e pressão, 280 painéis elétricos e 2600 sensores de incêndio”.

Quando questionado sobre os maiores desafios que têm enfrentado, Luís Murcho refere que “é um mercado que tem um potencial enorme e cada vez mais se fala em grandes chavões como Industria 4.0, IOT e Big Data, mas quando se trata de avançar para algo mais concreto, ainda existe uma grande inércia à inovação, principalmente no mercado português que continua a ser bastante conservador. Existe ainda alguma desconfiança e algum medo no que toca á abertura de portas a start-ups. Precisamos de empresas que acreditem em nós e em que os departamentos de inovação não sejam apenas uma placa a dizer “inovação”, mas sim que trabalhem com as start-ups e que estejam em sintonia, para que ambos tenham o maior proveito no resultado”.

A start-up está agora focada em finalizar os projetos piloto que estão a desenvolver com “grandes empresas em diferentes setores, por exemplo, na área da produção/distribuição alimentar, energética e hídrica, em Portugal e Itália, de modo a validar o produto”, e espera conseguir um primeiro investimento que será aplicado no desenvolvimento de um produto mais sólido e no aumento da equipa.

“Estamos a iniciar os primeiros contactos para expandir e testar o mercado alemão, sendo este o mercado de referência para uma tecnologia como a nossa. A exigência e a abertura deste mercado é crucial para expansão de uma empresa como a Glartek”, finaliza Luis Murcho.

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