4 conselhos para melhorar a relação entre CEO e conselhos de administração
A relação entre CEO e conselhos de administração exige clareza, confiança e foco. Num artigo publicado na Forbes, Harry Kraemer, professor na Kellogg School of Management, partilha quatro práticas para tornar essa interação mais eficaz.
A relação entre CEO e conselhos de administração é um dos pilares da boa governação empresarial. Quando funciona bem, contribui para decisões mais sólidas, maior transparência e uma liderança mais eficaz. Quando falha, pode abrir espaço a desalinhamentos, surpresas indesejadas e tensões que comprometem a estratégia da organização.
Num artigo publicado na Forbes, Harry Kraemer, professor na Kellogg School of Management, defende que a chave para uma relação saudável entre CEO e board está na definição clara de expectativas. A gestão gere; os conselhos de administração governam, diz. A distinção parece simples, mas, na prática, pode tornar-se complexa, mesmo quando todas as partes têm as melhores intenções.
Para Kraemer, a clareza sobre o papel de cada um é essencial. O conselho de administração deve definir a frequência das reuniões com o CEO e o nível de detalhe dos temas a analisar. Por sua vez, o CEO deve esperar que os administradores assumam o seu papel de conselheiros, compareçam preparados e coloquem questões relevantes à liderança da empresa.
Quanto mais claras forem estas expectativas, maior será a probabilidade de a relação entre CEO e conselho de administração ser colaborativa, cooperante e produtiva. O professor identifica quatro práticas fundamentais para promover interações mais saudáveis entre as duas partes.
1. Evitar surpresas
A primeira regra é simples: o conselho de administração não deve ser apanhado de surpresa. Nenhum administrador quer tomar conhecimento de um problema que afeta a empresa através das notícias. Cabe à gestão manter o board informado não apenas sobre o que está a correr bem, mas também sobre dificuldades, riscos emergentes e potenciais obstáculos.
Num contexto empresarial cada vez mais imprevisível e exigente, esta transparência torna-se ainda mais relevante. Para exercerem adequadamente as suas responsabilidades fiduciárias, os administradores precisam de informação suficiente para questionar a gestão, avaliar respostas e acompanhar os temas críticos sem, no entanto, substituir-se à equipa executiva.
2. Responder sem transformar a reunião num monólogo
Outro ponto destacado por Kraemer é a importância de o CEO saber responder ao que lhe é perguntado, sem sobrecarregar o conselho com detalhes desnecessários. O board precisa de confiar que o CEO domina o negócio, o setor e os principais desafios macroeconómicos, mas isso não significa que cada resposta tenha de se transformar numa explicação exaustiva.
Respostas demasiado longas ou desviadas do tema podem dispersar a discussão, retirar foco à reunião e prolongar desnecessariamente os trabalhos. A recomendação é clara: responder à pergunta, de forma objetiva, demonstrando domínio do assunto sem entrar em pormenores que não acrescentam valor à decisão.
3. Gerir bem a agenda
A gestão da agenda é outro elemento essencial. Muitos administradores participam em vários conselhos de administração em simultâneo, o que torna ainda mais importante utilizar bem o tempo disponível. Para Kraemer, as reuniões devem manter-se focadas nos temas previamente definidos.
Quando um administrador desvia a discussão para outro assunto, cabe ao chairman ou ao lead director encaminhar esse tema para outro momento. O CEO pode, nesse caso, propor uma conversa separada para esclarecer dúvidas ou prestar informação adicional, evitando que a reunião perca eficiência.
4. Criar relação para liderar melhor
A quarta recomendação passa pela dimensão relacional da liderança. Kraemer resume esta ideia através de um fórmula: liderança, influência e relação. Ou seja, a capacidade de liderar depende da capacidade de influenciar positivamente os outros — e essa influência nasce da capacidade de criar relação.
Para um CEO, esta dimensão é particularmente importante. Ao assumir a liderança executiva de uma empresa, deixa de responder a um único superior hierárquico e passa a prestar contas a um conjunto de administradores, muitas vezes com percursos, experiências e perspetivas muito diferentes.
Cabe ao CEO construir pontes entre essas diferenças. Jantares com os membros do conselho, encontros individuais com administradores ou visitas conjuntas a instalações da empresa e clientes podem ajudar a criar proximidade, reforçar a confiança e aumentar o conhecimento do board sobre a organização.
No final, as melhores relações entre CEOs e conselhos de administração assentam em clareza, confiança, respeito e cooperação. Quando estes elementos existem, a governação deixa de ser apenas um exercício de supervisão e pode transformar-se numa verdadeira vantagem estratégica para a empresa.







