Para além da barbárie, do rasto de destruição e do retrocesso civilizacional que a Europa sofreu, o pós-guerra mundial de 39-45 gerou uma onda de intervencionismo estatal, nuns casos conducente ao comunismo – Europa de Leste e Rússia – noutros à adopção de políticas socialistas que provocaram enormes retrocesso no desenvolvimento económico dos países europeus. A liberalização dos anos 80 inverteu significativamente essa situação.

As economias europeias sem exceção reduziram substancialmente o peso do Estado na economia, passando a adotar políticas de privatização e de desregulação de muitos setores de atividade. Essa transformação gerou um enorme surto de crescimento económico de que Portugal também beneficiou. Quem se lembrar de Portugal nos finais dos anos 70 e de Portugal uma década depois, compreenderá a gigantesca evolução económica originada pelo processo de liberalização económica, das privatizações e de redução do peso do Estado na economia.

A crise financeira de 2008 e os muitos casos de corrupção e escândalos financeiros que ocorreram na última década, desacreditaram fortemente as elites dirigentes e, agora, arriscamo-nos a que, com a água do banho, deitemos fora a essência do que sustentou o progresso e o desenvolvimento económico nos anos mais recentes.

Acresce que, a pretexto das problemáticas climáticas e de muita dose de políticas “afirmativas” carregadas de utopia, assistimos a um ressurgimento de ideias de intervenção estatal que só poderão resultar em desastre. Pretende-se que os conceitos de crescimento económico não medem a realidade das sociedades e que muitas ditas “externalidades” não estão incorporadas nos preços de mercado dos bens e serviços. Isto é, como sempre no passado os socialistas defenderam, haveria que atribuir aos “eleitos” nas alavancas do Estado a determinação do que é bom para cada um dos cidadãos, a definição das prioridades e a geração preços cada vez mais artificiais. Este é, naturalmente, o sonho de todo o burocrata mas quanto mais nos encaminharmos para essa via, mais ineficiência e declínio económico, logo menos riqueza, teremos pela frente.

É bem verdade que os dirigentes políticos das democracias ocidentais revelaram muito incapacidade para antecipar os problemas sociais, políticos e humanos que a grande liberalização dos anos 80 e 90 acabaram por provocar. Houve de facto uma atitude egoísta das elites, que agora alimenta o retorno do pensamento marxista e a apologia das utopias socialistas para remediar os nossos problemas.

E é evidente que a desregulação total e a abertura total de fronteiras a agentes económicos e a países que têm agendas diametralmente opostas aos princípios civilizacionais e democráticos em que as nossas sociedades se sustentam, não pode ser aceite e a ingenuidade do Ocidente nessa matéria já está a dar e poderá dar ainda muitos maus resultados.

Vem tudo isto a propósito da importância de reafirmar o empreendedorismo, a livre iniciativa e a liberdade dos mercados, como fatores determinantes na sustentação do progresso económico e na defesa da livre escolha de todos os cidadãos.

Ao abraçarem cada vez mais o empreendedorismo, ficamos mais confortáveis que as novas gerações manterão o legado dos princípios da liberdade de escolha e do mercado, evitando o canto da sereia das promessas ilusórias das sociedades socialistas que sempre degeneraram em tragédia…

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Franquelim Alves é Diretor-Geral da 3anglecapital, sociedade especializada em operações de M&A e serviços de “advisory” financeiro. Licenciado em economia, pelo ISEG, detém um MBA em Finanças pela Universidade Católica Portuguesa e o Advanced Management Program da Wharton School of... Ler Mais