No final dos anos 80 do século passado, duas investigadoras[1] colocaram a seguinte hipótese: “as pessoas deprimidas tendem a inferir de forma mais realista do que as pessoas não deprimidas.”
Desde 2020 que os temas “regresso ao escritório”, “trabalho remoto”, “trabalho híbrido” preenchem os títulos e os textos de incontáveis artigos. Arrisco dizer que todas as semanas fazem manchetes.
Não sou especialista, nem sequer mediano, no que concerne ao assunto “sustentabilidade”. Entendo na “ótica do utilizador”.
Recorrendo à literalidade, o que fazemos com a nossa atenção não é exatamente igual. Depende da língua que estivermos a usar e em que parte do mundo nos encontrarmos.
Um aviso prematuro e celeríssimo: sim, é facto que quem vos escreve é mais uma entre muitas pessoas, provavelmente demasiadas, a escrever sobre o ChatGPT. Se for razão suficiente para lhe causar fastio, terá as minhas completas simpatia e compreensão caso decida parar por aqui. Se não for motivo suficiente para sumir a sua curiosidade, como espero, continue.
Chegou a altura do ano em que se fazem retrospetivas, balanços e revisões. Também costuma ser época de projeções, desejos e resoluções, cuja taxa de concretização é notoriamente baixa, como quase todos sabemos por experiência e, já agora, também por o que a ciência nos demonstrou.
Das ideias que mais retive dos meus tempos de estudante estão as que encontrei e formei a partir da discussão que procura distinguir o que é “normal” do que é “patológico”. É dos tipos de problema que ainda não tem solução cabal, como todos os importantes problemas filosóficos (ou humanos).
Os piores e os mais perversos de nós são os que se vendem e se vendam de uma só vez. Talvez se deixem comprar, precisamente, por não conseguirem ver. As vendas de pouco servem a não ser para prolongar e para garantir o conforto da escuridão.
Os piores e os mais perversos de nós são os que se vendem e se vendam de uma só vez. Talvez se deixem comprar, precisamente, por não conseguirem ver. As vendas de pouco servem a não ser para prolongar e para garantir o conforto da escuridão.
Sobre este nosso mundo atual, que evidencia não estar a seguir o melhor curso, por nossa causa, sobretudo, é fácil argumentar que falta tanto bom senso como consenso. Apesar disso, nenhum dos conceitos nos levará para melhores caminhos. Tanto a causa como a solução poderão residir no senso comum.
Na primeira parte desta reflexão sugeri que as competências deixassem de ser qualificadas como “moles” (soft) ou “duras” (hard). Agora, começando pelo fim, deixo outra sugestão: deixemos de chamar competências às soft skills.
O que pensa e sente quando alguém lhe diz que outra pessoa é “dura”? Julgo existir uma elevada probabilidade de ter respondido algo dentro das seguintes linhas: é uma pessoa que não se verga, que não desiste com facilidade; que tem opiniões fortes e que dificilmente as altera; que pode ser pouco delicada ou mesmo indelicada no trato; que é direta, frontal; que não revela facilmente as suas emoções; que é valente.
