As cidades universitárias podem vir a tornar-se importantes polos de empreendedorismo para as gerações millennial. Nos Estados Unidos esta tendência começa a ser uma realidade.

Quase 50% da geração millennial quer ter o seu próprio negócio no futuro próximo. Por isso, não é de estranhar que a nova geração de empreendedores não esteja localizada, ou sequer interessada em fixar-se, em Silicon Valley. Nos Estados Unidos, os estudantes e recém-licenciados começam a dar forma ao espírito das start-up nas cidades universitárias de todo o país.

Um artigo publicado na Forbes aborda esta tendência e revela que embora quase 47% do valor do negócio de capital de risco nos EUA ainda esteja localizado na Costa Oeste (dados da Pitchbook.com) outros centros de start-ups estão a começar a ganhar relevo. Exemplifica com cidades como Columbus, St. Louis ou Denver que oferecem economias florescentes e diversificadas, e com uma grande população de estudantes universitários. Além do custo de vida mais baixo, o talento e a tecnologia que emergem das cidades universitárias tornaram-se um íman para start-ups e empresas de capital de risco.

De acordo com a PayScale, o custo de vida em São Francisco está 60% acima da média nacional, com a habitação a atingir o índice mais elevado: 165% acima da média. No Michigan, por exemplo, o custo de vida está 9% abaixo da média nacional, e nos últimos cinco anos recebeu 1,4 mil milhões de dólares (1,2 mil milhões de euros) de investimento inicial, segundo um dos últimos relatórios da Pitchbook sobre os ecossistemas de capital de risco. À medida que o custo de vida e a concorrência no emprego aumentam em Silicon Valley, muitas start-ups e venture capital começam a virar-se e a investir em cidades universitárias.

“Existe um grande entusiasmo à volta do empreendedorismo, start-ups e pequenas empresas como a pedra angular da criação de empregos nos EUA”, afirmou Mary Grove, sócia do Rise of the Rest Foundation Fund da Revolution, um fundo foi criado em 2017 pelo milionário da AOL Steve Case. Trata-se de um fundo para fases early stage de 150 milhões dólares (133 milhões de euros) dirigido exclusivamente a start-ups localizadas em cidades subestimadas como Memphis ou Cincinnati. Mary Grove mostrou-se muito entusiasmada com o que vê em termos de talento nessas cidades ao afirmar que “as universidades certamente desempenham um papel fundamental nisso”.

Apesar deste movimento crescente, ter uma boa localização não é suficiente, uma vez que as universidades devem facultar programas e recursos que promovam e estimulem um ecossistema empreendedor. O empreendedorismo universitário tornou-se assim, e cada vez mais, uma proposta de valor para estas instituições numa altura que os sistemas de ensino superior são questionados globalmente. Desta forma, as universidades que possuam fortes ecossistemas empreendedores conquistaram candidatos mais facilmente.

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