Os fundadores do Bitalk Podcast anunciaram a criação de um novo fundo de investimento, o Angels Way. José Serra e Tocha Serra, também investidores na Olisipo Way, revelaram a novidade na 1.ª edição do Bitalk Summit, evento que reuniu o ecossistema empreendedor nacional. Em entrevista ao Link To Leaders fizeram o balanço da iniciativa e revelaram os objetivos do Angels Way.

Investidores da Olisipo Way, José Serra e Tocha Serra são também empreendedores e dinamizadores do ecossistema nacional de empreendedorismo. Depois de há três anos terem criado o Bitalk Podcast, recentemente aventuraram-se na realização da primeira edição do Bitalk Summit, um evento que juntou cerca de 400 profissionais da comunidade empreendedora nacional. Em entrevista ao Link To Leaders, os dois fizeram o balanço da iniciativa, mas, mais do que isso, explicaram em que consiste o novo fundo de investimento que acabam de lançar, o AngelsWay, “o primeiro fundo português regulado pela CMVM onde os investidores participam ativamente na identificação, análise, investimento e acompanhamento de start-ups”, afirmam.

Entretanto, e com a realização de um segundo Bitalk Summit em perspetiva, reafirmam que “quantas mais pessoas inspirarmos a criar empresas de sucesso, mais oportunidade temos de investirmos em empresas com qualidade e potencial”.

A primeira edição do Bitalk Summit cumpriu os objetivos que tinham em mente quando idealizaram o projeto?
Tocha Serra:
Cumpriu! Fez em janeiro de 2023, três anos deste que começámos a gravar o Bitalk Podcast. O nosso objetivo era criar um canal de comunicação para trazer mais valor ao ecossistema empreendedor português. Inspirar mais pessoas e trazer uma visão mais realista sobre o contexto de criar um negócio em Portugal.

Muitos podcasts americanos falam de uma realidade que é muito distante para os empreendedores portugueses, poque o mercado que lá existe é muito diferente do nosso. Um podcast em português sobre negócios, necessitava claramente de conversas com pessoas do nosso ecossistema e de uma moderação sem filtros e autêntica da nossa parte. O Summit foi o culminar de três anos de trabalho, para juntar a nossa comunidade de ouvintes e dar-lhes voz durante a gravação de Bitalks.

A adesão foi incrível e o carinho e demonstração de apoio ao trabalho que fazemos só se podia sentir num evento ao vivo, onde podíamos criar dinâmicas diferentes do que fazemos semanalmente nas plataformas digitais e no canal Q. Honestamente, nunca pensámos há três anos que poderíamos fazer um evento destes. E depois de o fazer e sentir, terminámos com uma sensação incrível.

“Sabermos que as nossas conversas inspiram outros a empreender, a investir, e a criar uma vida melhor para eles é exatamente a razão porque o fazemos”.

Que conclusões /tendências resultaram deste encontro entre os vários players do ecossistema empreendedor presentes no evento?
Tocha Serra
: Para nós pessoalmente, a maior descoberta foi perceber o quão valioso é o trabalho que fazemos e perceber a quantidade de pessoas que retiram valor das conversas que dinamizamos. É muito diferente ter 5 mil views num video de Youtube, ou 20 mil pessoas a assistir na televisão, versus juntar 400 pessoas num auditório e sentir as emoções ao vivo.

Ficou claro para nós o quão importante é o trabalho pro-bono que fazemos, e que, independentemente de termos algum retorno financeiro, que não temos, vale a pena por todas as palavras de agradecimento que recebemos. Sabermos que as nossas conversas inspiram outros a empreender, a investir, e a criar uma vida melhor para eles, é exatamente a razão porque o fazemos. O sentimento de que um Bitalk Summit #2 tem de ser feito, foi inequívoco.

“Queremos investir 1 milhão de euros em 20 start-ups sediadas em Portugal e alavancar a comunidade de investidores da Angels Way (…)”.

O evento foi palco também para o lançamento do fundo Angels Way. Do que se trata e qual o seu propósito?
José Serra: A Angels Way é um dos projetos mais ambiciosos que alguma vez lançámos. Na sequência do que fazemos no Bitalk, é mais uma tentativa de trazer valor à comunidade empreendedora portuguesa. A Angels Way é o primeiro fundo português regulado pela CMVM onde os investidores participam ativamente na identificação, análise, investimento e acompanhamento de start-ups.

Queremos investir 1 milhão de euros em 20 start-ups sediadas em Portugal e alavancar a comunidade de investidores da Angels Way para os ajudar a contruir empresas melhores e com mais sucesso. O valor mínimo de investimento são apenas 1200 euros e o máximo 12 mil euros. Toda a comunidade vai colaborar numa plataforma desenvolvida especificamente para este projeto.

Queremos atrair empreendedores, business angels, profissionais de venture capital e curiosos em start-ups. Não só para termos um retorno financeiro, mas para agregar o máximo de valor em comunidade ao ecossistema, ajudando a criar os empreendedores e investidores do futuro em Portugal. Qualquer pessoa se pode pré-registar e conhecer mais sobre o projeto. Nas próximas semanas vamos partilhar informação mais detalhada sobre como vai funcionar o fundo de investimento Angels Way nas nossas redes sociais Linkedin e Twitter.

Quais os vosso planos para este fundo ao longo de 2023?
José Serra:
Temos quatro objetivos muito claros: em primeiro lugar, financiar 20 start-ups sediadas em Portugal com capital de pre-seed e uma comunidade de centenas de pessoas que possam agregar valor aos seus negócios, através da partilha de experiências, conselhos, network e ideias/soluções.

Em segundo lugar, proporcionar uma experiência única de crescimento pessoal a cada membro da comunidade Angels Way, para que possamos ajudar a crescer os próximos empreendedores e investidores do nosso ecossistema através das experiências vividas em comunidade e das aprendizagens aos desafios que qualquer fundo de investimento enfrenta.

Em terceiro lugar, criar a maior rede de deal flow de projetos em fase inicial de Portugal, tornando cada membro da comunidade num scout de start-ups e empreendedores com potencial. E desta forma proporcionar aos investidores de venture capital e business angels portugueses, um canal simples para angariação de projetos que tenham fit com as suas teses de investimento.

Por fim, e não menos importante, permitir que pessoas que normalmente não têm acesso a este mercado, possam ter exposição e retorno financeiro ao mundo das start-ups portuguesas. Dar um bom retorno financeiro a todos os investidores do fundo e incentivar a exposição ao risco, sem o qual não pode haver retorno.

O lema do vosso projeto Bitalk é “Negócios à Portuguesa”. O que carateriza os negócios à portuguesa? O que os distingue?
Tocha Serra:
Várias coisas distinguem os negócios à portuguesa, porque o nosso país e a nossa cultura têm a sua própria idiossincrasia. Uma das nossas motivações para criar o Bitalk, teve que ver exatamente com isso, a nossa realidade, que não é a realidade dos Estados Unidos.

Cada empreendedor deve estar muito claro sobre a sua envolvente, e que desafios e oportunidades isso representa. Temos muitos desafios grandes ao começar uma empresa em Portugal, mas temos também oportunidades únicas que outros não têm. Temos muitas e variadas histórias de sucesso que podem servir de inspiração. O tema é de tal forma complexo, que a única forma de conseguirmos passar todas estas mensagens foi termos gravado mais de 10 mil minutos de Bitalk Podcast que podem assistir em qualquer plataforma digital.

Para quando a 2.ª edição do Bitalk Summit e em que moldes?
Tocha Serra:
Depois do sucesso e impacto da primeira edição, acho que não podemos fugir de uma segunda. A única questão que temos em cima da mesa é exatamente em que moldes será feito. Como é característico de tudo o que fazemos, gostamos de inovar e descobrir novas dinâmicas. É claro para nós que Portugal não se resume a Lisboa, e empreendedores extraordinários não nascem só na capital. Ainda não sabemos exatamente o que será será o Bitalk Summit #2, mas estamos convencidos que será mais um evento diferente do habitual, até porque não o conseguimos fazer de outra forma.

“Quantas mais pessoas inspirarmos a criar empresas de sucesso, mais oportunidade temos de investirmos em empresas com qualidade e potencial”.

Enquanto investidores, qual o papel que este tipo de iniciativa pode aportar à vossa atividade? Novas ideias, partilha de conhecimento..?
José Serra: Enquanto investidores na Olisipo Way, existe uma componente egoísta para fazermos todo este conteúdo e iniciativas. Quantas mais pessoas inspirarmos a criar empresas de sucesso, mais oportunidade temos de investirmos em empresas com qualidade e potencial.

Somos crentes do aforismo de “Quando a maré sobe levanta todos os barcos”. E com base nessa nossa crença, aplicamos a energia necessária para crescer toda a envolvente a longo prazo. E é por isso mesmo que todos os nosso projetos procuram trazer mais valor aos envolvidos. Na Olisipo Way investimos em start-ups e negócios sediados em Portugal. Críamos a comunidade OW com empreendedores e c-levels das empresas investidas pela OW para dar valor a cada uma delas! No Bitalk – Negócios à Portuguesa gravamos um podcast semanal de conversas únicas e sem filtros com empreendedores, investidores e operadores de empresas portuguesas para dar valor a qualquer um que queira ouvir! E na AngelsWay estamos a criar o primeiro fundo português onde todos os investidores participam na angariação, análise, decisão e acompanhamento das start-ups investidas, para dar valor aos Angels que investem no fundo.

Quem nos ouve sabe que jogamos um jogo infinito, onde o objetivo é criar as condições para perpetuar e melhorar este jogo. É um jogo com muitos jogadores e onde sem propósito acabamos rapidamente sozinhos e sem energia para o continuar a jogar.

Vamos continuar a trabalhar para levantar a maré em Portugal e como sempre estamos entusiasmados em trabalhar não só com mais empreendedores e investidores, mas também com todas as entidades em Portugal que partilhem destes valores.

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