Trabalhadores portugueses insatisfeitos com o pacote de benefícios das empresas

“O Estado da Compensação em Portugal 2026”, da Coverflex, revela que os portugueses estão insatisfeitos com o pacote de benefícios que a sua empresa oferece.

A Coverflex apresenta ontem o estudo anual “O Estado da Compensação em Portugal 2026”, uma análise à forma como os trabalhadores portugueses percecionam as compensações e benefícios que a sua empresa disponibiliza, e o impacto direto na satisfação profissional, no bem-estar financeiro, e na vontade de permanecer na empresa.

E uma das primeiras conclusões é que 48% dos participantes no estudo está insatisfeita com o salário e 46,1% com o pacote de benefícios. Dois terços da população (64,1%) já recebem benefícios extra-salariais e, em média, reportam receber mensalmente entre 101 e 200 euros em benefícios.

Olhando para os benefícios mais oferecidos pelas empresas, as despesas de saúde e bem-estar com seguro de saúde (24,6%) lideram, seguido do seguro de acidentes pessoais (24,6%), dos descontos (21%), do apoio em combustível (22,8%) e dos pacotes de telecomunicações (20,3%).

A análise aos dados revela que o ponto de maior discrepância é a oferta de planos de poupança e reforma – oferta nos 13,8% face a 21,8% de vontade de obter este serviço.

Outra grande fonte de insatisfação dos inquiridos é a falta de poder de escolha. 26% a 27% expressa o seu desagrado quanto ao grau de influência e ao envolvimento na hora de planear benefícios. Nesse sentido, o estudo sugere que o tecido empresarial deve caminhar para uma maior autonomia neste campo, oferecendo um leque de opções em vez de um pacote de benefícios “fixo” e igual para todos.

Compensação gera felicidade

De acordo com o estudo, a compensação continua a desempenhar um papel central na relação entre os trabalhadores e as empresas. Isto porque, apesar de muitos colaboradores revelarem níveis razoáveis de satisfação com o seu trabalho, mais de metade refere que existe margem para maior satisfação com o seu pacote de compensação, não só ao nível do salário, mas também no que respeita à disponibilidade de benefícios, perceção de justiça, e adequação às necessidades individuais.

Por sua vez, 73% dos inquiridos afirmou sentir stress nos três dias anteriores à participação no estudo, sendo que dessa amostra os valores mais elevados (76%) refletem-se nos trabalhadores que estão insatisfeitos com a compensação.

Já nos níveis de felicidade, verifica-se um quadro inversamente proporcional: dos 64% de pessoas felizes nos três dias anteriores ao estudo, a esmagadora maioria (81%) está satisfeita com a sua compensação.

A relação entre compensação e stress é outra das conclusões óbvias do estudo. Entre os trabalhadores insatisfeitos com o pacote de compensação, 76% dizem ter sentido stress nos três dias anteriores ao estudo, um valor superior ao registado entre quem está satisfeito. A forma como as empresas estruturam e comunicam a compensação pode, por isso, ter um impacto direto no bem-estar no trabalho.

Segurança financeira

Os resultados da pesquisa indicam também que os benefícios com impacto direto no orçamento mensal podem desempenhar um papel importante no bem-estar financeiro dos trabalhadores. 43,9% dos participantes considera que “tem dinheiro suficiente para tudo o que precisa”, enquanto quem já está mais satisfeito com a compensação apresenta bem-estar financeiro mais elevado (68,9%) do que quem está insatisfeito.

A flexibilidade, o reconhecimento das pessoas, e a personalização da compensação também têm um impacto direto na satisfação, no bem-estar e na intenção de permanência na empresa. Os trabalhadores com acesso a pacotes de benefícios mais completos tendem a reportar níveis mais elevados de satisfação com o trabalho e maior intenção de permanecer na empresa.

Por outro lado, a compensação está cada vez mais ligada à experiência de trabalho e à retenção de talento nas empresas. À medida que as organizações continuam a desenvolver modelos mais flexíveis, transparentes e personalizados, cresce também a oportunidade de reforçar o bem-estar dos colaboradores e a competitividade das empresas.

No domínio da equidade salarial o estudo constata que os homens mostram-se, em média, mais satisfeitos com a compensação do que as mulheres (5,26 versus 4,7), o que reflete o facto de as mulheres ganharem menos. Aliás, a análise confirma que as mulheres reportam, em média, rendimentos inferiores aos homens, concentrando-se em escalões de rendimento mais baixos. Sublinha, por isso, que a equidade salarial não é apenas uma questão de imagem ou credibilidade: afeta diretamente a satisfação e a retenção de talento.

Em suma, apesar de alguns serviços, como o subsídio de refeição, estarem amplamente disseminados, as empresas necessitam de alinhar a oferta de pacotes de compensação com as expetativas do colaborador.

Vejam-se os casos do seguro de saúde, da flexibilidade salarial, dos incentivos de longo prazo e dos modelos de benefícios flexíveis que continuam a ter uma adoção relativamente limitada, apesar de serem muito valorizados pelos trabalhadores.

O “Estado da Compensação em Portugal 2026″ constata que mais do que o valor do salário isoladamente, o que mais influencia a satisfação dos trabalhadores é a forma como o pacote de compensação é percebido no seu conjunto. Pacotes de benefícios mais completos e bem estruturados estão associados a maior bem-estar, maior satisfação com o trabalho, e uma maior vontade de permanecer na organização.

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