Porque uma cultura tóxica no local de trabalho pode tornar a vida dos profissionais num verdadeiro pesadelo, a Adecco Portugal aponta os cinco sinais a que deve estar atento durante uma entrevista de emprego.

Embora a maioria dos sinais de um ambiente de trabalho tóxico só sejam detetados depois de se começar a trabalhar, a Adecco Portugal afirma que há pormenores aos quais pode estar atento durante uma entrevista e no processo de contratação.

Até porque, assinala, “basta somar as horas que passamos com os nossos colegas e chefes para perceber que se o ambiente não é saudável, o dia a dia pode tornar-se deveras difícil. O óbvio é evitar entrar neste tipo de organizações que dão sinais indesejáveis e é viável identificar os sinais de alerta de uma organização tóxica”.

1.Comportamento desrespeitoso
Apesar de ser difícil dizer se os funcionários de uma empresa gostam ou não do seu chefe ou colegas, há algumas indícios a ter em conta para ver se se respeitam uns aos outros no trabalho.

Dicas: Se estiver a passar por uma entrevista presencial, veja como as pessoas se cumprimentam enquanto nos levam de um entrevistador para outro. Olham-se nos olhos? Preste também atenção à sua linguagem corporal para ver se parecem desconfortáveis ou se deslocam o seu peso corporal no seu assento, se se sentem desconfortáveis quando perguntamos sobre o seu empregador e a dinâmica de grupo na empresa. Alguns destes sinais são também reconhecíveis por videoconferência.

Além disso, deve ser dada atenção à falta de entusiasmo ou interesse geral pela empresa e se um recrutador nos interrompe quando fazemos perguntas. Todos estes sinais podem apontar para uma cultura interna onde está a ocorrer um comportamento desrespeitoso.

2. Um chefe que raramente fala sobre a sua equipa 
Cerca de 60% das pessoas dizem ter deixado uma empresa devido a um mau gestor, de acordo com a Society for Human Resource Management (SHRM). Para garantir que não se entra num local de trabalho com um chefe tóxico, é fundamental que prestemos atenção à forma como os líderes da empresa falam sobre a sua equipa durante o processo de entrevista, aconselha a Adecco Portugal.

Dicas: Pode identificar um ambiente de trabalho tóxico analisando o que dizem, como o dizem e como falam do seu grupo. Quando falam de um feito ou elogio estão a falar da equipa ou de si próprios? Se falam muito de si próprios, pode ser um sinal claro de que são um chefe egocêntrico. E se se concentrarem nas deficiências da equipa quando lhes perguntar sobre alguns dos desafios da empresa, pode ser um sinal de que têm falta de confiança e respeito pelos colaboradores que trabalham para eles.

3. Elevada taxa de rotatividade
Quando vamos a uma entrevista de emprego, é importante que tratemos o processo como uma relação bidirecional através da qual tanto o entrevistado como o entrevistador fazem perguntas para se certificar de que a empresa e candidato estão alinhados com os mesmos valores.

Dicas: Uma das questões essenciais a colocar é: porque é que a posição para a qual me candidato está aberta? A resposta será muito reveladora. Número um, se alguém saiu porque foi promovido, isso mostra que a empresa cria condições para os colaboradores progredirem internamente dentro da equipa e que pode ser promissor para o seu futuro.

No entanto, se a pessoa que trabalhou anteriormente nesse cargo foi despedida, o recrutador pode não ser tão transparente na resposta a esta pergunta. Para reforçar a sua impressão, pode perguntar também: como está a empresa a expandir-se e como vê a posição nos próximos seis meses a um ano?

Outra forma de conhecer a cultura e a taxa de rotatividade de uma empresa é consultar o LinkedIn ou o site da empresa, se dispõe de uma plataforma específica para clientes e funcionários poderem dar o seu testemunho e ler as reviews.

Pode também tentar contactar algum funcionário ou ex-funcionário. É uma boa ideia perguntar também se existem oportunidades de crescimento na empresa. Desta forma, pode ver se há espaço para as pessoas permanecerem e crescerem na sua carreira internamente. Se o entrevistador contornar este assunto ou não for transparente ao responder a esta pergunta, a empresa pode ter uma cultura de ‘porta giratória’ onde as pessoas não ficam muito tempo.

4. Falta de diversidade num ambiente de trabalho tóxico
Para além de fazer as perguntas certas, recomenda-se que se faça uma extensa pesquisa para obter informações sobre detalhes que dificilmente serão abordados numa entrevista, nomeadamente sobre género, raça, se existem vários líderes no topo da organização, por exemplo.

Dicas: Estar atento a uma situação de segregação vertical, tanto por raça como por género. Há muita gente branca no topo e todas as pessoas de outra raça na base do organigrama? Ou há apenas homens no topo e depois todas as mulheres na base?

Esta informação, que normalmente pode ser encontrada no website de uma empresa, é algo a considerar. A falta de diversidade na liderança pode frequentemente levar a casos contínuos de racismo, assédio sexual e discriminação no local de trabalho. Pode pesquisar na internet a empresa para se certificar de que não houve quaisquer processos de assédio sexual ou queixas de discriminação contra a empresa, porque estas são certamente bandeiras vermelhas a considerar num ambiente tóxico. Mas atenção: cuidado com as fontes de informação, assegure-se de que houve efetivamente fundamento legal para tal e não fique preso a comentários que por vezes aparecem por maledicência e que não têm fundamento.

5. Benefícios que são demasiados bons para serem verdadeiros
Trabalhar para uma marca  que oferece amplas regalias e comodidades no local de trabalho é sempre agradável, mas é preciso estar atento para não permitir que estas condições ofusquem a realidade.

Dicas: Algumas empresas podem oferecer salas de descanso, refeições gratuitas, salas de jogos, e outras comodidades: tome atenção porque tal pode ser sinal de uma empresa onde os funcionários podem estar sobrecarregados de trabalho e que passam mais tempo do que é suposto na empresa. Para se assegurar de que não é o caso, pode fazer perguntas sobre produtividade, tais como qual o horário de trabalho efetivo, critérios de avaliação. Se conseguir contactar com um ex-funcionário, aproveite para perguntar com que frequência as pessoas aproveitam as regalias e se estas ajudam efetivamente ao bom ambiente de trabalho

Para garantir que não vai integrar uma empresa com uma cultura de trabalho inapropriada, com longas jornadas de trabalho, preste muita atenção à forma como o líder de uma empresa fala das regalias e benefícios, bem como das suas expetativas de produtividade.

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