Economia portuguesa destaca-se na Europa pela resiliência, diz Coface
Segundo o “Coface Risk Review”, Portugal mantém a sua posição de risco país em A2 (risco baixo), consolidando‑se entre as economias desenvolvidas com melhor perfil de risco.
O conflito no Médio Oriente, o aumento dos preços da energia, as tensões comerciais e condições financeiras mais restritivas levaram a Coface a atualizar as suas classificações de risco país e setorial. Na sua nova edição do Coface Risk Review, Portugal mantém a sua posição de risco país em A2 (risco baixo), consolidando‑se entre as economias desenvolvidas com melhor perfil de risco.
A cada quadrimestre, a Coface analisa o risco de incumprimento das empresas em 160 países, com base em indicadores macroeconómicos, financeiros, políticos e de insolvência empresarial. Para isso, classifica as economias em oito níveis de risco: A1 (“muito baixo”), A2 (“baixo”), A3 (“satisfatório”), A4 (“razoável”), B (“razoavelmente alto”), C (“alto”), D (“muito alto”) e E (“extremo”).
Na Europa, Portugal partilha a classificação A2 com Espanha, Países Baixos, Bélgica e Suécia — os únicos países europeus com esta avaliação — enquanto grandes economias como Alemanha, França e Reino Unido permanecem na categoria A3 (“risco satisfatório”).
Esta tendência confirmou-se com a recuperação da atividade no segundo trimestre de 2026 e o regresso a valores de crescimento do PIB muito sólidos: +0,8% em termos trimestrais, muito acima dos +0,2% registados na Alemanha, em França e em Itália.
Este dinamismo continua a explicar-se principalmente pelos fundos europeus e pelo consumo das famílias. A imigração dos últimos anos desempenha um papel crucial nesta dinâmica: representou 47% dos novos postos de trabalho nos últimos 12 meses.
Os indicadores de confiança continuam bons no retalho, na construção e nos serviços. Apesar do contexto pouco favorável ao transporte aéreo, o turismo mantém-se dinâmico (+3% em maio) e parece beneficiar, à semelhança da Espanha, de uma imagem de “destino seguro”.
Em contrapartida, a indústria transformadora continua a ser o calcanhar de Aquiles da economia portuguesa: a produção industrial encontra-se exatamente no mesmo nível de há três anos, 5% abaixo do registado em meados de 2022.
Estes resultados mistos, longe de serem uma exceção na zona euro, explicam-se, nomeadamente, pelas dificuldades enfrentadas nos últimos anos pelos setores da química, do vestuário, do mobiliário e do automóvel. Neste contexto, que continua a ser favorável para a maioria dos setores portugueses, as insolvências de empresas mantêm-se abaixo do nível registado antes da pandemia (-8%), o que constitui uma exceção na Europa.
No plano nível internacional, a Coface reduziu a classificação de risco de oito países nesta edição do relatório. Destaque para a Indonésia, Malásia, Filipinas e Vietname que descem de A4 para B, tal como o Kuwait. A Tanzânia desce de B para C, enquanto Camboja e Madagáscar descem de C para D. Estas revisões refletem o impacto que o conflito no Médio Oriente e as tensões sobre o fornecimento energético estão a ter nas economias mais expostas.







