Unicórnios como Glovo ou Cabify já estão fora de radar da França ou do Reino Unido que estão à caça do próximo gigante europeu da tecnologia. As autoridades destes países querem encontrar start-ups que excedam a avaliação de mil milhão de euros.

O animal que designa as empresas emergentes que atingem a avaliação de mil milhões de euros já está abaixo das expectativas de governos como o francês e o britânico, que aspiram a ver as próximas empresas europeias em crescimento atingirem avaliações ainda maiores.

O continente europeu ainda tem um número reduzido de empresas de tecnologia avaliadas em mais de 50 milhões de dólares (42 milhões de euros), um marco recentemente alcançado pela empresa de pagamentos francesa Ayden, com a sueca Spotify (48 milhões de dólares, 41 milhões correspondendo a milhões de euros).

“Precisamos de empresas como a Voodoo (empresa de videojogos), Mirakl (start-up de comércio eletrónico) ou Alan (seguradora de saúde digital) que valem não mil milhões, mas 5 mil, 10 mil ou 50 mil”, disse o secretário de Estado francês da digitalização, Cédric O, durante encontro com empresários e investidores no campus da Station F Paris, segundo o Sifted.

O presidente francês Emmanuel Macron lançou há um ano o desafio de transformar 25 empresas francesas em unicórnios até 2025. Em setembro, Macron congratulou-se por já terem conquistado 13 unicórnios, durante um evento com empresários.

No entanto, alguns empresários reclamaram que não era importante apenas ajudar as start-ups com investimento, mas também facilitar a geração de negócios, por exemplo, com contratos públicos. “Os unicórnios não importam, precisamos de encontrar outra maneira de medir o sucesso”, disse Jean-Chales Samuelian, fundador da seguradora de saúde digital Alan, que arrecadou 125 milhões de euros nos últimos quatro anos.

No Reino Unido, também pretendem ir mais longe. Dominic Cummings, conselheiro sénior do primeiro-ministro Boris Johnson, acredita que um Brexit sem um acordo com a União Europeia poderia ser uma oportunidade para gerar um gigante de tecnologia “bilionário” no país, de acordo com fontes do governo ao Business Insider.

Num e-mail enviado a funcionários de seu departamento, Cummings confirmou que estava a procurar “maneiras de construir empresas de tecnologia de mil milhões de dólares”, de acordo com essas mesmas fontes.

Para Cummings, um Brexit sem acordo permitiria ao Reino Unido subsidiar diretamente empresas de tecnologia sem ter que enfrentar as sanções que a União Europeia impõe aos países que concedem auxílios estatais às suas empresas.

Curiosamente, os empresários britânicos não encaram esta realidade com tanta clareza, pois para muitos deles a saída do mercado comum europeu representa um impedimento às suas possibilidades de expansão e não uma oportunidade. “Não é algo que está na mente de alguém na indústria de tecnologia agora”, disse uma fonte da indústria de tecnologia com ligações ao governo de Downing Street ao Business Insider.

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