A gestão de empresas assenta em dois objetivos essenciais: eficácia e eficiência. Pretende-se ser mais eficaz, para garantir mais receitas, e ser mais eficiente, para garantir otimização de custos.

Esta máxima da gestão está, cada vez mais, na capacidade de as empresas conseguirem potenciar níveis de integração e de alinhamento entre estratégias de sistemas de informação e estratégias de negócio. Para tal, torna-se de facto crítico saber que Transformação Digital não é apenas a digitalização de atividades, mas é a transformação de processos, de pessoas e de tecnologias de uma forma estruturada, integrada e transversal nas organizações.

Será neste ponto onde as organizações se irão diferenciar no médio prazo, quer em termos de eficácia, quer em termos de eficiência. Mas, para tal, é fundamental que os líderes empresariais estejam também aptos a se transformarem e a entender as atuais e futuras capacidades tecnológicas e de gestão de informação que têm à sua disposição.

Verifico (demasiadas vezes) que líderes empresariais procuram resolver desafios novos, com metodologias de gestão antigas usando tecnologias atuais, não entendendo as transformações ocorridas no mercado de clientes, no mercado laboral e nas potencialidades que de facto hoje as tecnologias permitem para gerir informação e gerir as empresas. Os modelos de negócio estão em mudança cada vez mais acelerada e é, por isso, fundamental garantir que os líderes das empresas, quer sejam os gestores de 1.ª linha, quer sejam chefias intermédias, entendam o que são estratégias digitais, o que são estratégias de sistemas de informação, e como são estas capazes de transformar os processos da empresa, melhorando os níveis de eficácia e de eficiência. Fará a diferença quem melhor entender como as tecnologias disruptivas, que estão a surgir, podem de um momento para o outro transformar por completo setores empresariais (primário, industria transformadora e serviços).

Destas tecnologias disruptivas podem-se destacar a Impressão 3D, a Inteligência Artificial, o Blockchain, as Soluções de Cibersegurança e Ciberinteligência, o Data Analytics, a Cloud, a Bio e Nano tecnologias, entre outras.

Para demonstrar com exemplos práticos o impacto no futuro, pensemos no exemplo que a impressão 3D poderá trazer na transformação de empresas fabris de componentes em empresas de serviços. Se não vejamos: o componente deixará de ser fabricado na empresa e transportado até ao cliente, passando a ser descarregado um ficheiro e o componente ser impresso/produzido pelo próprio cliente nas suas instalações. Se para além do impacto desta industria de componentes, olharmos para toda essa cadeia de valor desde fornecedores de matérias primas, passando pelos fornecedores das máquinas de transformação até às empresas de logística, rapidamente entendemos os impactos, onde por exemplo, estas últimas deixarão de ter produtos a quem entregar, e, portanto, podem deixar de ter negócio.

Com este exemplo, temos uma pequena perspetiva da transformação global dos modelos de negócio a que o mundo assistirá nas próximas décadas. Para ter sucesso, teremos então de ter líderes capazes também de se transformarem digitalmente, entendendo que os próprios modelos de gestão se irão alterar. As competências de gestão necessitam por isso de incorporar, para além das tradicionais noções de finanças, de economia, de contabilidade, de operações, de serviço ao cliente, ter competências fundamentais de Sistemas de Informação e de Negócio Digital. Serão essas estratégias e competências que serão a chave do sucesso, mas será fundamental que os líderes tenham a humildade de assumir a sua realidade e de assumirem um papel proativo na sua própria transformação digital.

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Atualmente é diretor-geral da IPTelecom, tendo sido antes Diretor Comercial da Infraestruturas de Portugal S.A., Diretor de Sistemas de Informação na EP – Estradas de Portugal S.A. e Professional Services Manager da Sybase Inc. em Portugal. Na academia é Diretor... Ler Mais