Com sete meses de existência, a BiotechZone conta com 22 fabricantes, fornecedores e prestadores de serviços de 11 países que estabeleceram as suas lojas online na plataforma, disponibilizando mais de 9.000 produtos e 500 serviços à comunidade de investigadores e cientistas.

A BiotechZone tem como objetivo alterar a forma como os cientistas compram produtos e serviços de laboratório. Pretende servir um mercado que, em 2017, deverá valer 394 mil milhões de euros. A plataforma, já considerada como o ebay para o setor da biotecnologia, permite pesquisar todo o tipo de serviços e produtos de laboratório, com uma maior transparência e rapidez.

Diogo Amorim, CEO e cofundador da BiotechZone, explicou ao Link to Leaders de que forma a plataforma representa uma oportunidade para empresas e instituições de biotecnologia alcançarem a internacionalização e como empresas mais pequenas ou recentes podem concorrer no mercado global da biotecnologia em forte expansão. E apontou quais os projetos para o futuro.

Como surgiu o BiotechZone?
O BiotechZone, o “eBay” para a Biotecnologia, surgiu da necessidade de alterar a forma demorada como os cientistas compram produtos e serviços de laboratório, resolvendo a lacuna existente até então de uma one-stop-shop para a Ciência. Proporcionando uma experiência de e-Commerce totalmente nova para a Biotecnologia, permite a procura e encomenda num único website de qualquer produto ou serviço de laboratório, para poupar tempo ao pesquisar e ganhar dinheiro ao vender, sem esforço.

Em que é que consiste?
O BiotechZone é o primeiro Marketplace B2B do Mundo para a Biotecnologia, Ciências da Vida e Tecnologia de Laboratório, juntando fornecedores, prestadores de serviços e profissionais de ciência verificados. Com funcionalidades únicas adaptadas à ciência, os investigadores podem pesquisar, mais rápida e facilmente, através de mais de 1000 caraterísticas e especificações técnicas, comparar e rever artigos detalhados, e comprar diretamente aos fornecedores, num único checkout (evitando os diversos websites dos fornecedores), produtos biológicos, consumíveis de laboratório, químicos, reagentes, equipamentos, instrumentos, software, serviços e instalações, centralizando e simplificando os processos de procura e aquisição, gestão de encomendas e controlo de gastos em múltiplas subcontas de utilizadores.

Os fornecedores podem criar uma Loja Online Gratuita e adicionar produtos e serviços ilimitados também de forma gratuita, beneficiando de formulários de registo avançados, conectados a bases de dados científicas de classe mundial. Podem definir “Zonas de Vendas” e, dessa forma, cumprir acordos de distribuição já estabelecidos, sem induzir qualquer conflito de distribuição geográfica, e vender online para novos mercados, nos quais não têm qualquer distribuidor – o BiotechZone é perfeitamente adequado tanto para fabricantes como para distribuidores.

O BiotechZone representa uma oportunidade inovadora para empresas e instituições de biotecnologia, para maximizarem a sua exposição numa plataforma especializada e alcançarem a internacionalização, ao venderem para todo o mundo 24/7, atingindo mais clientes, e, portanto, impulsionando as vendas e aumentando os lucros. Da mesma forma, empresas ou instituições mais pequenas ou recentes podem concorrer em igualdade no mercado global da biotecnologia em forte expansão, estimando-se que cresça a 11,6% CAGR e atinja o valor de 414,5 biliões de dólares (cerca de 394 mil milhões de euros) até ao final de 2017, de acordo com a Transparency Market Research (2013).

Qual o balanço que faz destes cerca de 7 meses de existência?
Estes sete meses de existência têm sido marcados por uma intensa atividade e valiosíssimo networking, assinalando-se como principais marcos na nossa curva de crescimento enquanto start-up:

– Participação como expositores na RISE conference, uma conferência de tecnologia líder na Ásia, produzida pela mesma equipa da Web Summit, em Hong Kong, em maio de 2016;

– Vencedores do Concurso de Empreendedorismo “Road2Websummit – The Best of Portuguese Tech”, organizado pelo Governo Português, sendo uma das start-ups selecionadas para representar Portugal na Web Summit, a maior conferência global de inovação, empreendedorismo e tecnologia, assim como noutros eventos internacionais a decorrer em 2017, acompanhando a comitiva portuguesa;

– Vencedores de uma Micro-Grant da ePlus Ecosystem/Startup Europe para cobrir as despesas de deslocação, subsistência e alojamento ao participar na Web Summit;

– Participação como expositores na Web Summit, em novembro de 2016;

– Angariação, até ao momento, de 22 fabricantes, fornecedores e prestadores de serviços verificados de 11 países, em 3 continentes, que estabeleceram as suas lojas online no BiotechZone e que já disponibilizam mais de 9.000 produtos e 500 serviços à comunidade de investigadores e cientistas.

O registo é gratuito e não existem taxas de subscrição na plataforma. Qual é então o modelo de negócio da BiotechZone?
Quando ocorre uma venda, é cobrada, apenas, ao fornecedor uma pequena taxa percentual (success fee). O registo é gratuito e não existem taxas de subscrição.

Estiveram presentes na Web Summit, com o objetivo de encontrar financiamento para formar uma equipa interna. Conseguiram?
Encontrando-se ainda a decorrer conversações com representantes de alguns importantes fundos de investimento internacionais, estrategicamente contactados antes e aquando da participação na Web Summit, é ainda precoce a retirada de conclusões relativamente à formalização de um eventual acordo de investimento.

Neste momento, o que precisam para evoluir no mercado?
Sendo um mercado dual, a evolução da plataforma BiotechZone está fortemente dependente da construção de uma forte base de compradores, provenientes de laboratórios de start-ups, Institutos de I&D, PME, Grandes Empresas de Biotecnologia e Farmacêuticas, Universidades e Fundações/Associações, assim como da angariação de fabricantes, fornecedores e prestadores de serviços, com particular foco em empresas âncora. Com os parceiros e influenciadores corretos, responsáveis por criar awareness para a BiotechZone como plataforma de referência para a compra e venda de produtos e serviços de laboratório, poderemos singrar num mercado multibilionário, em franca expansão a nível mundial.

O Diogo já participou com este projeto na iniciativa “Passaporte para o Empreendedorismo”, implementada pelo Governo português no âmbito do programa +E+I e gerida pelo IAPMEI – Agência para a Competitividade e Inovação. Qual o balanço que faz?
A oportunidade para alavancar o desenvolvimento da ideia de negócio inovadora e de elevado potencial de crescimento, o Marketplace BiotechZone, foi potenciada pelo programa ‘Passaporte para o Empreendedorismo’, impulsionado pelo Governo de Portugal, no âmbito do programa +E+I e gerido pelo IAPMEI, do qual beneficiámos durante 12 meses. Tendo sido uma experiência altamente positiva e frutífera e o mote facilitador para angariação de investimento privado, o programa potenciou a aplicação estratégica das mais diversas competências técnicas e profissionais, aprimorando a atração ao risco, a vontade de arriscar, fazer mais e diferente. Permitiu fortalecer as capacidades empreendedoras, de liderança, empenho, determinação e criatividade.

Beneficiando de uma bolsa mensal, de um conjunto de ferramentas técnicas e financeiras, assim como de mentoria e aconselhamento empresarial, foi possível solidificar a estrutura da ideia de negócio, concedendo-lhe uma maior credibilidade perante o mercado alvo, o da Biotecnologia, Ciências da Vida e Tecnologia de Laboratório. Este tipo de medidas onde se insere o “Passaporte para o Empreendedorismo”, atualmente designado “StartUP Voucher” são uma mais valia para o tecido empresarial português, ao fomentar o Empreendedorismo e a Criação de Emprego Próprio por jovens dinâmicos e qualificados, sendo de máxima importância a sua continuidade nos anos vindouros.

Quais as maiores dificuldades que encontrou quando lançaram a BiotechZone?
Desde o lançamento do “eBay” para a Biotecnologia, o Biotechzone, tem sido um verdadeiro desafio reeducar o mercado. Os hábitos e processos de consumo estão excessivamente enraizados no nosso público-alvo, nomeadamente, nos investigadores e profissionais de ciência. Acreditamos, porém, que vamos conseguir romper com inovação esta indústria, que há muito anseia por uma mudança, alterando o paradigma das compras científicas à escala global.

Como carateriza o setor da biotecnologia em Portugal? E o ecossistema empreendedor português?Entre os melhores países da Europa na produção de I&D (artigos científicos e patentes) e de produtos e serviços de vanguarda tecnológica, de altíssimo valor acrescentado, Portugal tem o seu setor da Biotecnologia e Ciências da Vida fortemente caraterizado pela Biotecnologia Farmacêutica e Industrial, que assumem maior relevância, possuindo, no entanto, falta de dimensão e reduzida visibilidade internacional, de acordo com a Associação Portuguesa de Empresas de Bioindústria (P-BIO).

Depois de vários anos com uma conjuntura económica difícil, o ecossistema empreendedor português está a viver uma nova era, verificando-se um boom explosivo no número de start-ups criadas por jovens ávidos por iniciarem o seu próprio negócio. Depois da criação da agência de investimento Portugal Ventures, um fundo de 450 milhões de euros direcionado a empresas inovadoras, científicas e tecnológicas, o Governo Português está definitivamente focado em impulsionar e dinamizar ainda mais o empreendedorismo no país, com a medida Startup Portugal, incluindo um programa de estímulos fiscais ao investimento e fundos para business angels e capital de risco, facilitando o acesso de start-ups a incubadoras, aceleradoras e incentivos, com vista a tornar Portugal num hub competitivo de start-ups a nível mundial, objetivo que deverá ser partilhado por todos (Portuguese Startup Manifesto). A implementação destas e outras medidas poderão ser acompanhadas no Fórum Digital Europeu.

Projetos para o futuro…
No seguimento imediato da nossa participação como expositores na Web Summit, a maior conferência global de empreendedorismo, inovação e tecnologia, estaremos focados no estabelecimento de parcerias estratégicas com entidades internacionais, cujas negociações se encontram em decurso. A aquisição de clientes, tanto compradores como fornecedores, surge, naturalmente, no mesmo perfil. A médio/longo prazo expectamos levantar capital de um ou vários investidores estratégicos, que contactamos antes e durante a Web Summit.

Que conselhos dá a quem quer lançar uma start-up?
A todos os que desejam aventurar-se na criação do negócio próprio, mantenham-se focados no vosso principal objetivo, desde a conceção da ideia até à conversão da mesma num negócio. Estar presente num hub como uma incubadora ou aceleradora de start-ups é crucial para antever muitas das dificuldades e desafios que vão enfrentar, encontrando noutros empreendedores a experiência de quem passou pelo mesmo.

Respostas rápidas:
O maior risco: Não ter um salário garantido ao final do mês.
O maior erro:  Querer fazer tudo. Não delegar tarefas.
A melhor ideia: O Marketplace BiotechZone :-).
A maior lição: As pessoas são o bem mais precioso de qualquer empresa.
A maior conquista: Quem acreditasse em nós.

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