Os jovens de hoje vivem constantemente ligados. Esta é uma evidência cada vez mais clara e objetiva, senão vejamos os números.

Segundo o estudo “Gen Z: A Look Inside Its Mobile-First Mindset” do portal Think with Google,  atualmente os jovens têm o seu primeiro telemóvel aos 12 anos. Estamos a falar de um diferencial muito significativo para a geração anterior – quem hoje tem entre 25 e 34 anos, em média, adquiria o seu primeiro telemóvel com 20 anos.

Outro dado bastante relevante prende-se com o facto de que as mensagens escritas (seja por SMS, whatsapp ou outras plataforma) são usadas 2,5 vezes mais do que a interação pessoal entre os jovens. Para além disto, mais de 72% dos jovens, segundo o mesmo estudo, passa mais de três horas a assistir a vídeos.

Daqui podemos claramente concluir vários aspetos.

Primeiro – A informação digital, nos seus vários tipos de formatos, é cada mais acessível aos jovens e cada vez mais cedo. Mas será que esta acessibilidade promove o real conhecimento e desenvolvimento? Infelizmente, não.

Em 2019, a segunda edição do Internacional Computer and Information Literacy (ICILS) avaliou os conhecimentos de mais de 46 mil estudantes, de 12 países, e seus sistemas educativos, onde se incluíam 3 mil estudantes de 215 escolas portuguesas. Os resultados são assustadores.
Do universo de jovens portugueses avaliados, apenas 1% conseguiu selecionar a informação mais relevante e foi capaz de avaliar se essa mesma informação era fiável e útil para o contexto em análise. Sim leu bem, 1%!
E apenas 2% mostrou capacidade de pesquisa de forma crítica a informação online e 46% ainda precisa de apoio e assistência para utilizar as ferramentas de pesquisa, para investigar, criar e comunicar.

Este ponto leva-nos à segunda parte deste meu artigo.

A crescente digitalização dos jovens e o consumo demasiado rápido e descontextualizado de conteúdos, muitas vezes pouco úteis, está a desvirtuar por completo as suas skills relacionais, comportamentais e cognitivas, preferindo a comunicação online aos momentos de partilha e convívio offline.

Como é que se combatem estes sinais claros de alarme e como é que se tornam os jovens de hoje nos futuros líderes e profissionais? Sim, porque estamos, em última análise a falar não apenas do seu futuro, mas igualmente no nosso futuro coletivo enquanto sociedade.

Na minha ótica há apenas uma forma – arrancá-los da caixa digital!

Olhemos para os seguintes exemplos. Para aprendermos a conduzir, tipicamente temos um conjunto de aulas e exercícios que nos preparam para a entrada oficial em estrada. O mesmo acontece muito antes quando aprendemos a andar.

Então porque é que não damos aos nossos jovens experiências concretas, ainda antes da sua entrada na universidade, de envolvência real com os profissionais do mercado?

Como diz o ditado, santos da casa não fazem milagres. Se ouvirem da boca de outras pessoas que não os seus professores ou até pais, o que precisam para “acordar para a vida”, certamente que o farão. Alguns dirão que devem começar a pensar mais cedo fora da caixa… Eu digo que simplesmente já não há caixa.

Pegar em jovens do 11.º e 12.º anos e levá-los em primeiro lugar a pensar em si mesmos, de forma intensa e desconstruída, no que já atingiram e no que realmente têm como capacidades pessoais e profissionais, seguindo-se momentos de verdadeira partilha e troca de experiência entre vários convidados de renome e os próprios jovens, é a nossa forma de o fazer na Associação Começar Hoje.

Quando em 2015 começámos esta viagem e tivemos jovens que participaram na primeira edição da Começar Hoje, nunca pensámos no impacto que teríamos. Claro que queríamos ter impacto, de outra forma não faria sentido de todo ter iniciado esta viagem de cinco anos já. Mas daí a sentirmos, em cada edição, que estamos a salvar anos de vida aos jovens, simplesmente por tornar mais claro que eles têm capacidades que desconheciam e que o caminho que tinham traçado afinal não era de todo o correto para si, é absolutamente genial.

Transformar os jovens de hoje nos futuros profissionais e líderes é a nossa missão. Conseguindo-o, conseguimos tornar o nosso futuro coletivo mais risonho.

“Tudo o que um sonho precisa para ser realizado é alguém que acredite que ele possa ser realizado”. – Roberto Shinyashiki

O nosso é este. Contribuam também vocês para o atingirmos.


Miguel Frade, é licenciado em Tecnologias e Sistemas de Informação, pela Universidade do Minho, e possui um Mestrado em Gestão Empresarial pela Coimbra Business School.

Trabalha na área da organização de eventos e gestão de projetos desde 2009 sob a marca migfrade_Solutions.

Ao longo dos últimos nove anos foi o responsável pela gestão de mais de 35 projetos de empreendedorismo, apoio a start-ups, teatros, musicais, fundos de investimento, estratégias comerciais e de negociação, na zona centro e norte do país, para além de 30 palestras de empreendedorismo em escolas de Braga, Coimbra e Aveiro.

Liderou processos de negociação de patrocínios com mais de 30 marcas diferentes, da Delta Cafés à BMW, passando pela VW, McDonald’s Portugal e Jerónimo Martins. Atualmente é presidente da Associação Começar Hoje.

Comentários