Quase quatro em cada dez start-ups europeias ponderam sair da Europa para conseguir crescer

Foto: Comissão Europeia

As dificuldades de acesso a financiamento, os obstáculos regulatórios e a falta de competências tecnológicas estão a levar start-ups europeias a considerar a transferência das suas operações para outros mercados. Entre as empresas de crescimento mais acelerado, mais de metade admite essa possibilidade.

A Europa corre o risco de perder algumas das suas start-ups mais promissoras devido às dificuldades de financiamento, à regulamentação e à escassez de profissionais qualificados. Quase quatro em cada dez start-ups europeias ponderam transferir as suas operações para fora da região para conseguir crescer, uma proporção que ultrapassa os 50% entre as empresas com maior ritmo de expansão.

Os dados foram avançados por Tanuja Randery, diretora-geral da Amazon Web Services (AWS) para a Europa, Médio Oriente e África (EMEA), numa entrevista ao Reuters Global Markets Forum, divulgada pela Reuters.

Segundo a responsável, que citou um inquérito realizado pela AWS, a falta de financiamento e de apoio ao crescimento empresarial está a levar várias startups a reconsiderar a localização das suas operações. Os obstáculos regulatórios e a escassez de profissionais com competências tecnológicas são outros dos fatores que dificultam a expansão das empresas europeias.

Tanuja Randery alertou ainda para os custos associados ao cumprimento das exigências regulatórias. De acordo com a responsável, algumas empresas europeias admitem poder gastar até 40 cêntimos por cada euro em conformidade regulamentar, recursos que poderiam ser canalizados para investimento em tecnologia.

Inteligência artificial expõe desafios de competitividade

As dificuldades enfrentadas pelas startups surgem num contexto em que a Europa procura reduzir a distância face aos Estados Unidos e à China no desenvolvimento e adoção da inteligência artificial (IA). Apesar dos avanços registados, a região desenvolveu poucos modelos de IA de fronteira, mantendo uma dependência significativa de empresas como a OpenAI e a Anthropic.

Embora mais de metade das empresas europeias já utilize ferramentas de inteligência artificial, apenas uma em cada cinco dispõe de uma estratégia clara para a tecnologia, de um modelo de governação e de investimentos em processos capazes de transformar estruturalmente as suas operações, segundo os dados apresentados por Tanuja Randery.

Para a responsável da AWS, as empresas europeias devem reforçar o investimento na aplicação prática da inteligência artificial, nomeadamente na utilização de modelos já treinados para responder a necessidades concretas dos negócios.

A par das dificuldades de financiamento e das exigências regulatórias, as limitações no acesso à energia e à capacidade das redes elétricas estão também a condicionar o desenvolvimento de infraestruturas tecnológicas na Europa.

O debate sobre o impacto do Regulamento Europeu da Inteligência Artificial (AI Act) ganha, assim, particular relevância, numa altura em que a região procura conciliar a segurança e a proteção dos cidadãos com a necessidade de acelerar a inovação e reforçar a sua competitividade tecnológica.

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