Entre 2014 e 2018 foram criados, em Portugal, 414.000 empregos líquidos. Cerca de três quartos destes postos de trabalho (348.716) resultaram da abertura de novos negócios, segundo dados da Informa D&B. Em média, cada nova empresa criou três a quatro empregos.

Refira-se que, no quadriénio em causa, nasceram 197.988 novos negócios no país, tendo 53% destas empresas (104.534) mantido a atividade até ao final de 2018. De resto, no final do ano passado as novas sociedades representavam já 32% do tecido empresarial nacional.

Estes números são demonstrativos da capacidade de criação de emprego das novas empresas e, por consequência, do impacto positivo do empreendedorismo no crescimento do mercado de trabalho. Importa sublinhar, a propósito, que em 2018 foram constituídas 45.901 empresas e, até setembro de 2019, os novos negócios já superavam os 37.500. Nunca se abriram tantas empresas em Portugal, o que diz bem da dinâmica empreendedora do país.

Bem sei que muitas destas empresas são unipessoais e resultam da economia de partilha, além de que muito do emprego criado não é de facto qualificado. Mas os dados da Informa D&B revelados pelo Expresso dizem-nos também que, entre as novas empresas, os serviços empresariais (mais de metade na área de apoio às empresas) foram os grandes criadores de emprego (62.833 postos de trabalho) e que a indústria, sobretudo a têxtil, com 44.861 novos empregos, e o retalho, com 42.346, tiveram um contributo significativo no crescimento do mercado laboral entre 2014 e 2018.

Isto significa que a criação de um ambiente mais favorável ao empreendedorismo é essencial para fazer crescer o mercado de trabalho. Interessa, pois, que sejam garantidas em Portugal melhores condições para a abertura de empresas, quer se trate de pequenos negócios ou serviços de proximidade, quer se trate de start-ups de base tecnológica. Ainda que, como se compreende, a qualidade do emprego resultante de empresas com intensidade de conhecimento é maior do que aquele que é criado por microempresas de baixo valor acrescentado.

A importância socioeconómica dos pequenos negócios e serviços de proximidade não deve ser menosprezada, designadamente no que respeita à integração no mercado de trabalho. O empreendedorismo é, em muitas situações, a via mais eficaz para encontrar emprego por trabalhadores pouco qualificados. Através de iniciativas empresariais, os empreendedores estão inevitavelmente a criar o seu posto de trabalho (muitas vezes fugindo ao desemprego) e, por vezes, a gerar empregos para outrem.

Por outro lado, as start-ups de base tecnológica, que se estima empregarem mais de 25.000 pessoas em Portugal, são grandes criadoras de emprego qualificado, dada a natureza das suas atividades. Trata-se de empresas intensivas em inovação, criatividade e tecnologia, pelo que necessitam de massa crítica com conhecimento especializado. Neste sentido, têm um papel essencial na fixação e na atração de talento. Ora, perante o risco de fuga de cérebros para outros países, é particularmente importante que o conhecimento da geração mais qualificada de sempre seja de facto aplicado e rentabilizado em Portugal.

Em suma, a entrada de novas empresas no mercado é fundamental para a criação de mais emprego e, em muitos casos, emprego mais qualificado. Portanto, há que melhorar o ambiente empresarial, não só para facilitar a abertura de negócios, mas também para que as novas empresas possam crescer, ganhar competitividade e tornarem-se sustentáveis. A taxa de mortalidade nos primeiros anos de atividade das empresas é ainda muito elevada, algo que pode ser minorado com um quadro fiscal menos pesado para os novos negócios e mecanismos de financiamento mais adequados a projetos early stage.

* Associação Nacional de Jovens Empresários

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José Pedro Freitas é presidente da ANJE-Associação Nacional de Jovens Empresários desde abril de 2019, tendo sido vice-presidente desde janeiro de 2017 e integrado os órgãos sociais da Associação, mais concretamente o Conselho Fiscal, nos mandatos eleitorais precedentes (2009-2013; 2013-2017).... Ler Mais