Portugal afirma-se como referência internacional de Shared Services, mas retenção de talento preocupa
O novo Guia Salarial da Adecco Portugal revela que os Shared Service Centers já empregam mais de 30 mil pessoas no país e que línguas nórdicas, alemão e holandês continuam a valorizar salários .
Portugal consolidou-se como um dos destinos mais competitivos para Shared Service Centers, com 93 operações ativas, 88 empresas e mais de 30 mil empregos associados ao setor. Segundo o novo Guia Salarial Shared Service Centers 2026, da Adecco Portugal, o país deixou de ser apenas uma localização alternativa para operações internacionais e passou a afirmar-se como uma referência para empresas que procuram talento qualificado, proficiência linguística, proximidade geográfica e eficiência operacional.
O estudo mostra que o crescimento dos Shared Service Centers em Portugal tem sido particularmente expressivo na última década. Desde 2015, foram criados 58 novos centros de serviços partilhados, o que representa 62% do total atualmente existente no país. Este dinamismo tem sido impulsionado sobretudo pelo investimento estrangeiro, já que cerca de 90% das operações pertencem a empresas internacionais e prestam serviços a diferentes geografias a partir de Portugal.
A escolha do país para este tipo de operações resulta de uma combinação de fatores competitivos: disponibilidade de talento com competências adequadas, forte capacidade linguística, fuso horário favorável para servir mercados europeus e norte-americanos, e facilidade de deslocação entre Portugal e os principais destinos internacionais. A média de quatro línguas por centro reforça, aliás, o papel do país enquanto plataforma multilingue para operações globais, explica a Adecco em comunicado.
“O crescimento dos Shared Service Centers em Portugal mostra que o país soube construir uma proposta de valor muito competitiva para empresas internacionais. Hoje, já não falamos apenas de custo ou localização, mas de talento qualificado, capacidade linguística, proximidade cultural e qualidade de serviço. Portugal deixou de ser uma aposta e passou a ser uma referência neste setor”, afirma Carlos Gonçalves, Staffing Director da Adecco Portugal.
O Guia Salarial da Adecco Portugal evidencia também que as competências linguísticas continuam a ter um peso determinante na valorização salarial dos profissionais. Nas áreas analisadas, os perfis com domínio de línguas menos disponíveis no mercado, como alemão, holandês ou línguas nórdicas, apresentam intervalos salariais superiores aos perfis com inglês ou espanhol.
Na área de Customer Service, por exemplo, os salários podem variar entre 14.000 euros e 17.000 euros para perfis com inglês, enquanto perfis com línguas nórdicas podem atingir os 35.000 euros anuais. Em Information Technology, a diferença é ainda mais expressiva: os perfis com inglês situam-se entre 17.000 euros e 22.000 euros, enquanto os perfis com línguas nórdicas podem chegar aos 45.000 euros.
Também nas áreas de Finance & Accounting, Human Resources e Procurement, os perfis com competências linguísticas mais diferenciadas apresentam maior valorização salarial. Em Finance & Accounting, os salários podem atingir os 40.000 euros para línguas nórdicas; em Human Resources, o mesmo intervalo máximo chega igualmente aos 40.000 euros; e em Procurement, os perfis com línguas nórdicas podem alcançar os 41.000 euros anuais.
Para a Adecco Portugal, estes dados demonstram que o setor está a evoluir para funções cada vez mais qualificadas. Os Shared Service Centers já não se limitam a funções administrativas ou de atendimento, integrando hoje áreas como finanças, recursos humanos, procurement, tecnologia, analytics, suporte técnico e apoio à tomada de decisão.
A transformação digital é outro dos fatores que está a redesenhar o setor. O guia identifica tendências como a omnicanalidade, a personalização, o autoatendimento, os chatbots, a inteligência artificial e o machine learning como elementos cada vez mais presentes nos modelos operacionais dos centros de serviços partilhados. No caso da área de IT, o documento destaca a crescente procura por profissionais com competências técnicas específicas, capazes de acompanhar a digitalização acelerada das empresas.
Ainda assim, a tecnologia não elimina a centralidade das pessoas. Pelo contrário, aumenta a necessidade de desenvolvimento contínuo de competências e de modelos de gestão mais capazes de acompanhar a evolução das expectativas dos colaboradores. Segundo a Adecco Portugal, o principal desafio para os gestores de Shared Service Centers em 2026 será a fidelização de talento, num mercado onde a procura supera a oferta e onde a rotatividade, sobretudo entre os profissionais mais jovens, pode impactar diretamente a produtividade e os custos das organizações.
“A consolidação do setor traz consigo uma nova responsabilidade. Não basta atrair operações para Portugal, é preciso garantir que existem condições para sustentar esse crescimento. Isso passa por investir nas pessoas, desenvolver competências, criar percursos de evolução e construir modelos de trabalho capazes de fidelizar talento num mercado cada vez mais competitivo”, conclui Carlos Gonçalves.
Com este Guia Salarial, a Adecco Portugal reforça a importância da informação salarial enquanto ferramenta estratégica para empresas e profissionais. “Num setor em crescimento, onde a procura por talento qualificado continua a superar a oferta disponível, conhecer os intervalos salariais, as competências mais valorizadas e as tendências de evolução das funções será determinante para garantir decisões mais competitivas”, afirma a empresa.








