Testemunhou a concretização de muitos negócios, viu nascer um partido político e foi sempre um espaço de networking por excelência. O renovado Pabe continua a ser o local onde convivem a boa comida e a história.

Local de referência no panorama nacional pela gastronomia, arquitetura e também pelo papel desempenhado na cena política, o restaurante Pabe, do alto das suas mais de quatro décadas de atividade, pode dizer com propriedade que foi nas suas mesas que se fizeram muitos negócios e se decidiram estratégias políticas que mudaram o país no século passado.

Situado no coração da cidade de Lisboa, junto ao Marquês de Pombal, o Pabe é um espaço icónico que, depois de um ano fechado – para proceder à renovação do espaço, de forma extremamente criteriosa para não desvirtuar a essência do seu ambiente eclético de clube inglês – voltou renovado, com nova gerência, muito mais luz, ainda mais qualidade, mais atenção aos pormenores e novas propostas gastronómicas. Mas mantendo o carisma que sempre o caracterizou. Quem o diz é o Almiro, chefe de sala e um dos funcionários mais antigos da casa (onde está há 22 anos), que explicou ao Link To Leaders que este sempre foi “um restaurante com história”, desde o início.

“O Pabe abriu pela mão de um familiar de Reza Pahalavi, Xá da Pérsia (atual Irão)”, lembra. “O espaço foi criado para receber os amigos e como o dono era um homem muito rico, no início quase que só servia caviar do Irão e rosbife da Califórnia, onde tinha uma herdade. Depois o restaurante teve tanto sucesso que acabou por criar um espaço mais virado para a gastronomia portuguesa e começou a ser um restaurante de empresários, de políticos”, recordou o chefe de sala.

Anos depois, o Pabe estaria também na essência da criação do PSD, salientou o senhor Almiro. Foi ali, numa mesa que ainda hoje está sempre reservada, até às 13h, para Francisco Pinto Balsemão, que se sentaram também Francisco Sá Carneiro, entre outros políticos da altura.

Lembrou ainda a relação privilegiada do Pabe com o semanário Expresso, na altura com instalações muito próximas do restaurante, bem como as visitas assíduas de Marcelo Rebelo de Sousa, atual presidente da República e à data diretor do Expresso.

A realidade é que  este espaço sempre esteve muito vocacionado para empresas, negócios, advogados, políticos, um local de networking por excelência que chegou a servir entre 80 a 90 almoços por dia.

Agora, nesta nova fase, com cozinha renovada, uma nova equipa de trabalho, com 30 pessoas, o Pabe continua a não fugir da cozinha tradicional portuguesa, mas com um registo diferente.

Mas afinal o que faz deste restaurante um local tão especial? O chefe de sala Almiro não hesita em dizer que é a história, o bom serviço de mesa e o acompanhamento dos clientes, o saber criar um ambiente como se as pessoas estivessem em casa, com um serviço muito discreto, mas com muita qualidade. E, obviamente, ter uma cozinha que seja do agrado das pessoas. “Investimos na formação, estamos sempre a fazer criatividade para as pessoas se sentirem bem”, frisou.

Quantos negócios foram criados neste espaço? Muitos, assegura. “Durante muito tempo também tivémos aqui perto a EDP e a PT e passaram por cá muitos administradores e diretores. Enfim, várias empresas fortes do país. Até o Cristiano Ronaldo já passou pelo Pabe várias vezes”.

Nesta nova fase, o restaurante Pabe também tem registado muita procura internacional, fruto do prestígio do espaço e de uma divulgação promocional mais efetiva, em que a qualidade dos produtos usados e as propostas confecionadas pelos chefes Luís Roque e Napoleão Valente são a pedra de toque.

Ao domingo os negócios dão lugar às famílias
Se durante a semana dominam os almoços de negócios, ao fim-de-semana o público é outro: as famílias. Esta é agora a mais recente grande aposta do Pabe que passou a abrir as portas ao domingo para receber as famílias, ao almoço e jantar, proporcionando-lhes “comida conforto” que faz lembrar a cozinha da avó. Mais uma vez, o menu é sempre inspirado nas raízes da gastronomia portuguesa, com o cuidado da alta cozinha, conjugado com espaço recatado e acolhedor para receber os clientes no dia de descanso semanal.

Entre pratos clássicos e outros mais contemporâneos, o menu responde aos mais diversificados gostos, sem esquecer os doces conventuais que brilham ao lado de criações de autor dos chefs, bem como uma carta de vinhos que conta com mais de 500 referências vinícolas.

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