O João, jovem técnico de Informática, desabafava comigo há poucas semanas dizendo-me, em tom de desespero…“Eles não querem aprender! Vou-me embora!! Estou farto de lhes dizer que o que estou a fazer lhes vai facilitar a vida, mas não consigo que deixem de fazer como sempre fizeram!”

Num outro dia e noutra realidade empresarial, o Pedro, jovem técnico de Qualidade me dizia…

“Estou aqui há 3 meses, ninguém me deu feedback sobre o meu trabalho, ninguém me disse como me vou desenvolver na empresa. Não sei se estou na empresa certa para mim.”

Um terceiro testemunho destas minhas “andanças” nas empresas, é da Maria, uma jovem a reagir ao que está a viver na sua empresa:

“Não aguento mais mandarem-me fazer coisas sem me explicarem para que servem! Não andei a estudar para me mandarem fazer tarefas, como se eu fosse acéfala! Expliquem-me as coisas e deixem-me pôr o meu cérebro a funcionar!”

Estes testemunhos são quase “gritos” de chamada de atenção dos mais jovens, relativamente à realidade das organizações.

No primeiro caso, reagi pedindo ao João que resistisse! E reforcei que está a fazer mais pela sua empresa do que ele imagina! É muito difícil vir cheio de vontade de “mudar o mundo” e encontrar equipas cristalizadas e onde o “sempre se fez assim” ainda impera…

Nos casos do Pedro e da Maria, importante está a ser ajudar os seus líderes a mudar algumas das suas práticas enquanto líderes. Não podemos continuar a gerir pessoas qualificadas como o fazíamos com equipas menos preparadas. O que hoje nos pedem a nós, líderes, é que saibamos estabelecer o rumo / os objetivos e depois que criemos as condições para que cada um possa trabalhar e pôr ao serviço da empresa o melhor que tem para dar. E estejamos próximos, perguntando todos os dias “Em que é que posso ser-te útil?”

Estamos a assistir a uma verdadeira transformação geracional nas empresas:

  • Os mais experientes estão a viver desafios enormes, que os levará inevitavelmente a criar novas atitudes face ao que é novo;
  • Os mais jovens têm de ser muito suportados pelos líderes, reforçando o seu papel enquanto agentes da mudança, dando-lhes feedback muito regular, estando próximos e suportando-os para que não desistam.

Há muitos anos, um CEO extraordinário dizia-me “Isabel, nunca tenhas medo de apostar nos muito jovens”.

A vida mostrou-me o quão verdade era esta “inspiração”.

Podem não ter a maturidade, as lições da vida que só a idade traz. Pode até faltar-lhes alguma humildade, serem impacientes e não darem tempo para que as coisas aconteçam.

Mas não tenho a menor dúvida que são os mais novos que estão a empurrar as empresas para a frente, para se transformarem, se modernizarem.

Assim resistam… E isso é uma obrigação dos líderes.

Comentários

Sobre o autor

Avatar

Isabel Viegas é professora na Universidade Católica e Membro do Conselho Estratégico da Formação de Executivos da FCEE da mesma universidade. Foi Diretora-Coordenadora de Recursos Humanos do Grupo Santander em Portugal, de 2003 a 2016, bem como Diretora de Recursos... Ler Mais