No Radar: as prioridades do CCO da Alfred Creative até ao final do ano
Num contexto em que a inteligência artificial está a transformar ferramentas, processos e profissões, Frederico Roquette acredita que o futuro passa por valorizar aquilo que distingue os humanos das máquinas. Nesta reta final de 2026, o Chief Creative Officer da Alfred Creative está focado na preparação de marcas e estratégias para 2027, sem perder de vista a motivação das equipas, a experimentação e a ambição de levar a criatividade portuguesa além-fronteiras.
Qual é a prioridade que vai concentrar mais a sua atenção nesta reta final de 2026?
As prioridades são sempre mais do que uma. Estamos a trabalhar para que vários clientes arranquem 2027 com marcas novas ou renovadas, e planos de marketing afinados, e isso exige muito rigor nesta fase final do ano.
Mas, como qualquer empresa, também estamos a fazer o mesmo exercício dentro de casa. O último trimestre é sempre uma mistura de execução e imaginação: acabar bem o ano enquanto se começa a desenhar o próximo.
“Percebi que liderar hoje passa menos por ter respostas e mais por criar espaço para experimentar, aprender e até errar”.
Que aprendizagem de 2026 está hoje a influenciar mais a forma como lidera?
Vou arriscar a resposta mais óbvia: inteligência artificial. Mas a maior aprendizagem não foi tecnológica, foi cultural. Percebi que liderar hoje passa menos por ter respostas e mais por criar espaço para experimentar, aprender e até errar. A IA está a mudar ferramentas, processos e profissões. A liderança tem de acompanhar essa mudança sem perder a curiosidade nem a humanidade.
Qual é a decisão mais importante que ainda terá de tomar até dezembro?
As decisões mais importantes são quase sempre sobre pessoas. Tecnologia, processos e estratégia ajudam muito, mas continuam a ser as equipas que fazem acontecer. Até ao final do ano quero tomar as decisões certas para garantir que a Alfred entra em 2027 mais forte, mais preparada e, acima de tudo, com vontade de crescer e fazer melhor.
“Quanto mais o mundo fala de automação, agentes, robôs e IA, mais me interesso por tudo aquilo que nos distingue das máquinas”.
Que tema ou tendência está hoje no seu radar e não estava há seis meses?
A humanização extrema. Quanto mais o mundo fala de automação, agentes, robôs e IA, mais me interesso por tudo aquilo que nos distingue das máquinas. A empatia, a criatividade, o humor, a vulnerabilidade. Suspeito que o futuro pertença a quem conseguir combinar os dois mundos.
Qual considera ser, neste momento, um dos maiores desafios para quem lidera?
Conseguir que as pessoas continuem motivadas sem fingir que o contexto é fácil. Vivemos numa altura de enorme exigência profissional, pressão económica e excesso de informação. Liderar passa cada vez mais por encontrar equilíbrio: entre ambição e bem-estar, entre performance e saúde mental, entre pedir mais e saber agradecer melhor. Mas na Alfred sempre fomos de equilíbrios e tensões como diz o nosso mote Responsible Rebels.
Complete a frase: Até ao final do ano, quero…
… criar mais clareza, gerar mais ambição, cumprir objetivos e arranjar tempo para celebrar as vitórias em equipa.
“A pergunta não é «A IA vai substituir-nos?». A pergunta é «O que nos torna insubstituíveis?»”.
Em poucas palavras:
Uma oportunidade a acompanhar: A exportação da criatividade portuguesa.
Um risco a não perder de vista: A crescente aceitação do “suficientemente bom”.
Uma ideia que merece mais atenção: A pergunta não é “A IA vai substituir-nos?”. A pergunta é “O que nos torna insubstituíveis?”.
Uma palavra para definir esta reta final do ano: Iaficação.
A pergunta que me ocupa: Será que tudo o que estamos a viver, da IA às guerras, das redes sociais à polarização, não estará simplesmente a lembrar-nos da importância de sermos mais humanos?









