Entrevista/ “As empresas já não se podem dar ao luxo de improvisar os seus investimentos tecnológicos”
“As organizações procuram formas de modernizar infraestruturas, proteger dados e tirar partido de tecnologias emergentes como a inteligência artificial. O desafio já não é perceber se estas tecnologias são relevantes. É perceber como as implementar de forma segura e com retorno para o negócio”, alerta Ricardo Ferreira, Country Manager da Esprinet Portugal e da V-Valley Portugal.
A Esprinet Portugal e a V-Valley Portugal anunciaram recentemente uma nova etapa da sua evolução organizacional em Portugal, marcada pela consolidação de uma estrutura de liderança integrada. Neste novo modelo, Ricardo Ferreira assumiu a liderança das operações e da estratégia das duas organizações, reforçando uma visão unificada para o mercado nacional e impulsionando uma maior proximidade a clientes, parceiros e fabricantes.
Em entrevista ao Link to Leaders, o Country Manager para Portugal da Esprinet e da V-Valley analisa o mercado tecnológico português, o papel da distribuição e o necessário equilíbrio certo entre escala, proximidade e agilidade. E, no atual cenário empresarial, considera que já existe uma consciência maior de que “crescimento económico e sustentabilidade têm de caminhar juntos”.
Enquanto Country Manager para Portugal da Esprinet e da V-Valley, quais as suas prioridades para esta nova etapa e para a consolidação desta estrutura de liderança integrada? O que vai mudar?
A minha prioridade é garantir que estamos organizados da forma que melhor serve o mercado português e os nossos parceiros. Não acredito em mudanças só porque sim. Acredito em equipas alinhadas, processos mais simples e numa organização capaz de responder mais rapidamente às necessidades dos clientes.
Na prática, o que estamos a fazer é aproximar competências, reforçar a especialização e trabalhar de uma forma mais coordenada. O objetivo é sermos mais ágeis e fáceis de concretizar o negócio. Há, contudo, algo igualmente importante: aquilo que não muda. Os nossos parceiros vão continuar a contar com as mesmas equipas, a mesma proximidade, o mesmo compromisso com o serviço e o mesmo apoio técnico e comercial que sempre caracterizaram a Esprinet e a V-Valley.
“Hoje um mesmo projeto pode envolver hardware, cloud, cibersegurança, networking e serviços. A nossa organização tem de refletir essa realidade”.
Ao reforçar a integração entre a Esprinet e a V-Valley, como espera que isso se reflita na experiência do cliente? E nos negócios da empresa?
Consideramos que o mercado tecnológico português tem características muito próprias. A sua dimensão, a elevada transversalidade dos parceiros e a crescente integração entre diferentes tecnologias exigem uma abordagem cada vez mais coordenada e próxima dos clientes. Os clientes não compram tecnologia em silos. Hoje um mesmo projeto pode envolver hardware, cloud, cibersegurança, networking e serviços. A nossa organização tem de refletir essa realidade. Esta integração permite oferecer uma experiência mais simples, com um acompanhamento comercial mais consistente e acesso a um conjunto mais alargado de competências. Acreditamos que isso se traduzirá em mais oportunidades de negócio para os nossos parceiros e numa maior capacidade de crescimento para a empresa.
Quais são atualmente as vossas propostas (produtos/serviços) mais emblemáticas no mercado português?
É difícil destacar produtos, serviços, áreas ou fabricantes. A nossa força está precisamente na diversidade da oferta e na capacidade de combinar tecnologia, conhecimento e serviços. Trabalhamos e somos os distribuidores oficiais dos principais fabricantes do mercado, cobrindo desde PCs e eletrónica de consumo até cloud, cibersegurança e infraestruturas. Mais importante ainda, procuramos estar ao lado dos nossos parceiros em todas as fases do seu crescimento, ajudando-os a transformar oportunidades de negócio em soluções concretas para os seus clientes. É essa proximidade e capacidade de execução que queremos que seja o nosso cartão de visita e que nos diferencie.
E de que setores de atividade são os vossos principais clientes?
Temos uma presença muito forte tanto no mercado de consumo, através das principais cadeias de retalho, lojas online e uma vasta rede de revendedores independentes, como no mercado profissional e empresarial, onde trabalhamos diariamente com integradores e parceiros especializados em soluções tecnológicas que, por sua vez, estão presentes em praticamente todos os setores da economia, desde a administração pública, educação e saúde até à indústria, banca, retalho, telecomunicações e serviços. Hoje, a tecnologia está no centro da atividade de qualquer organização, e essa transversalidade reflete-se naturalmente na diversidade dos mercados e dos clientes que ajudamos a servir.
Com esta aposta numa estratégia conjunta, quais as suas expetativas de crescimento no mercado português?
Estou muito confiante de que esta evolução nos permitirá crescer acima do mercado em várias áreas estratégicas. Mais do que perseguir crescimento pelo crescimento, queremos crescer de forma sustentável, conquistando novos parceiros, aumentando a relevância junto dos clientes atuais e reforçando o posicionamento do Grupo em segmentos de maior valor acrescentado, sem esquecer o negócio transacional que continua a ser um pilar estratégico muito importante da nossa estratégia.
“(…) aproximação entre a Esprinet e a V-Valley Portugal (…) permite-nos oferecer uma abordagem mais integrada, reunir diferentes especializações e responder de forma mais completa às necessidades do mercado”.
Em que setores de atividade, as sinergias entre empresas serão mais evidentes e indispensáveis?
Acredito que as sinergias serão visíveis, antes de mais, na experiência dos nossos clientes e parceiros. O mercado português tem a particularidade de muitos parceiros atuarem em simultâneo em diferentes áreas tecnológicas, desde o posto de trabalho, infraestrutura e cloud até cibersegurança, inteligência artificial ou serviços geridos. À medida que estas tecnologias convergem, torna-se cada vez mais importante ter acesso a competências complementares de forma mais fácil e centralizada. É precisamente aí que a aproximação entre a Esprinet e a V-Valley Portugal faz mais sentido: permite-nos oferecer uma abordagem mais integrada, reunir diferentes especializações e responder de forma mais completa às necessidades do mercado. No final, o objetivo é simples: facilitar a vida aos nossos parceiros, ajudando-os a desenvolver mais oportunidades de negócio e a responder aos seus clientes com maior rapidez e abrangência.
Quais as competências do grupo, ou destas duas empresas em particular, gostaria de ver reforçadas?
A ideia é continuar a reforçar três áreas fundamentais: competências técnicas, serviços e consultoria. Hoje, os parceiros valorizam cada vez mais o conhecimento, o apoio no desenho de soluções, o suporte pré e pós-venda e a capacidade de acelerar projetos cada vez mais complexos. No entanto, não podemos esquecer aquilo que continua a ser essencial na distribuição. Os clientes esperam o produto certo, disponível no momento certo e entregue no local certo. Esperam também flexibilidade e soluções financeiras que os ajudem a viabilizar e a desenvolver os seus projetos. Acredito que o futuro passa precisamente pela combinação destes dois mundos: manter a excelência operacional que sempre caracterizou a distribuição e, ao mesmo tempo, reforçar a especialização e os serviços de valor acrescentado. É nessa direção que queremos continuar a evoluir.
“As empresas já não se podem dar ao luxo de improvisar os seus investimentos tecnológicos. Precisam de previsibilidade, conhecimento e parceiros que as ajudem a tomar decisões com confiança”.
Como está o mercado da distribuição de tecnologia em Portugal? Principais desafios?
O mercado da distribuição tecnológica é hoje mais competitivo e exigente do que nunca. A pressão sobre as margens, a rapidez da evolução tecnológica e a crescente adoção de modelos baseados em serviços e subscrição obrigam todos os intervenientes a adaptarem-se constantemente. Ao mesmo tempo, a própria gestão da cadeia de abastecimento tornou-se significativamente mais complexa. A instabilidade geopolítica dos últimos anos, a volatilidade no custo de vários componentes e os desafios logísticos globais demonstraram como é crítico garantir a disponibilidade dos produtos certos, no momento certo e ao preço adequado. E essa continua a ser uma das funções mais importantes de um distribuidor. Fala-se muito de serviços, consultoria ou transformação digital, mas a verdade é que nada disso acontece sem uma cadeia de abastecimento eficiente e sem a capacidade de fazer chegar a tecnologia aos clientes quando ela é necessária. Esse continua a ser o alicerce de tudo o resto. As empresas já não se podem dar ao luxo de improvisar os seus investimentos tecnológicos. Precisam de previsibilidade, conhecimento e parceiros que as ajudem a tomar decisões com confiança. É precisamente nessa combinação entre excelência operacional e valor acrescentado que vejo o futuro da distribuição.
Globalmente, quais são neste momento as principais necessidades do mercado tecnológico português?
Vejo três prioridades muito claras: digitalização, cibersegurança e produtividade. As organizações procuram formas de modernizar infraestruturas, proteger dados e tirar partido de tecnologias emergentes como a inteligência artificial. O desafio já não é perceber se estas tecnologias são relevantes. É perceber como as implementar de forma segura e com retorno para o negócio.
“(…) temos a força de um grupo internacional sem perder o conhecimento específico da realidade portuguesa (…)”.
Que inputs a presença internacional do Grupo Esprinet traz para os negócios em Portugal?
A escala do Grupo Esprinet é uma enorme vantagem competitiva. Permite-nos beneficiar de relações globais com fabricantes, de investimento contínuo em competências e de uma experiência acumulada em vários mercados. Mas existe também o equilíbrio certo entre escala, proximidade e agilidade: temos a força de um grupo internacional sem perder o conhecimento específico da realidade portuguesa e a autonomia para poder apoiar melhor e de forma mais rápida os nossos parceiros.
Considerando que o grupo participa no Pacto Global da ONU, baseando a sua abordagem nos princípios de negócio responsável, como é que analisa, globalmente, o ecossistema empresarial nacional neste item dos negócios responsáveis?
Penso que existe uma evolução muito positiva. Considero que hoje existe uma consciência muito maior de que crescimento económico e sustentabilidade têm de caminhar juntos. Naturalmente, diferentes empresas encontram-se em diferentes fases desse percurso, mas vejo cada vez mais organizações portuguesas a integrar preocupações ambientais, sociais e de governance nas suas decisões de negócio. O desafio passa agora por transformar compromissos em resultados concretos e mensuráveis.
No médio prazo, qual a vossa proposta de valor para o ecossistema português?
Queremos ser o parceiro que ajuda a transformar inovação em oportunidades reais de negócio. Todos os dias procuramos aproximar fabricantes, parceiros e clientes, disponibilizando não apenas tecnologia, mas também o conhecimento, os serviços e o apoio necessários para tirar o máximo partido dela. A nossa visão é simples: simplificar a vida dos indivíduos e das organizações. Se conseguirmos aumentar e facilitar a distribuição e a utilização da tecnologia, saberemos que estamos a cumprir o nosso propósito, pois acreditamos que com isso o dia a dia de cada um será mais fortalecido.








