A maioria dos negócios em Portugal são de família, dividem-se em pequenas, médias e grandes empresas. O negócio de família não tem de ser rigorosamente pequeno, prova disso são as inúmeras empresas que em Portugal assim tem crescido, como a Amorim, a Delta (Nabeiro), a Sogrape, a José Maria da Fonseca, enfim são inúmeros os casos a nível nacional e mundial.

Não podemos dizer que é fácil, mas sim que é possível e tem a mais-valia e a importância de manter o amor as origens, bem como dar continuidade ao trabalho criado e desenvolvido pelas gerações anteriores. Nos dias de hoje as empresas familiares estão cada vez mais bem preparadas, quer a nível intelectual, quer também na preparação e cooperação /relação que tem que existir entre os vários elementos da família, para que cada um possa ser um elemento ativo na própria empresa, sem ter que ultrapassar ou criar conflitos inter-geracionais.

Hoje a família tem a consciência que só devem de ocupar os lugares de gestão ou outros consoante as suas aptidões ou gostos. Não deve ir para a empresa familiar quem não gosta do setor ou do trabalho. Isto hoje é uma consciência das gerações mais novas, o que vem facilitar a evolução das empresas.

No meu caso tenho a dizer que o amor me levou ao retorno das minhas origens, consequentemente o retorno à empresa familiar.

Porque vim para o mundo rural?

Amor;

A minha estratégia foi tornar uma pequena empresa familiar, rural, numa empresa voltada para o exterior seja em Portugal bem como em todo o Mundo. Para isso tive a preocupação de criar uma pequena equipa com formações adequadas (ponto essencial para a evolução sustentada), fazendo investimentos permanentes para que a empresa se adaptasse à nova realidade e que esta pequena equipa fosse evoluindo e sentisse que a Casa Ermelinda Freitas também fazia parte da sua história. Foi assim que fomos trabalhando, em Portugal e no Mundo.

 

CASA ERMELINDA FREITAS (INÍCIO):

Equipa – Enólogo – Formação;

Criação das marcas;

Marca Forte – Riscas, as cores dos rótulos, elementos distintos e inovadores;

A melhor relação qualidade/preço;

Investimento permanente;

 

Uma empresa familiar não te de ser obrigatoriamente uma pequena empresa. Ela pode ser grande, continuar na esfera familiar, mas com a participação de outros elementos que são fora da família, que trazem uma dinâmica e uma visão global que se complementa com a visão da mesma.

As empresas familiares têm o grande desafio de se adaptarem à modernidade, visão de marketing. O mundo não é igual ele é global e o equilíbrio esta em conservar a tradição. Modernizando para poder competir a nível nacional e internacional. As empresas familiares têm de acompanhar a dinâmica da sociedade. Na minha opinião família é um fator de diferenciação e uma mais valia. É um acumular de saberes e vivências que vão passando de geração em geração. As empresas familiares têm uma responsabilidade acrescida pois elas envolvem todos os sectores, e um fracasso é muito mais doloroso e muito mais agressivo porque envolve toda a família, não só a nível económico, mas também e sobretudo a nível afetivo e social.

Eu estou no negócio por amor e só por isso voltei às minhas origens rurais de onde tinha saído. Costumo dizer que a minha infância me marcou pra o resto da vida. Hoje tenho a preocupação de passar para a 5ª geração, os meus filhos, o mesmo amor e vivências que as gerações anteriores me passaram a mim:

“…Amor, trabalho, respeito pelo outro. Memórias e afetos pelo que as gerações anteriores fizeram…”

Comentários

Sobre o autor

Avatar

A vida de Leonor Freitas confunde-se, desde a primeira hora, com a terra e as propriedades da família que a viram nascer. Nasceu em Fernando Pó, fez a escola primária na mesma localidade, o ensino secundário em Setúbal e os... Ler Mais