A gigante de e-commerce chinesa tem investimentos em dois dos três unicórnios que trabalham no reconhecimento facial. Com este tipo de tecnologia, a Alibaba é uma das empresas privadas que desperta mais interesse ao governo chinês.

A integração de sistemas dotados de inteligência artificial que fazem o reconhecimento facial dos cidadãos já é algo uniformizado na China. Com os polícias chineses a usar óculos inteligentes para identificar cidadãos, tendo acesso a informações como o nome e a morada, esta tecnologia é uma das mais apetecidas por parte do governo chinês.

Dentro desta área, existem três unicórnios chineses: SenseTime, Megvii e Yitu. A Alibaba tem participação nas duas primeiras. O investimento na Megvii foi feito há perto de um ano. Já o da SenseTime foi realizado no início deste mês. A ronda de financiamento, liderada pela empresa de Jack Ma, foi na ordem dos 490 milhões. Esta start-up de Hong Kong fornece tecnologia de reconhecimento facial a empresas e ao governo.

Apesar de ser pouco conhecida por parte dos cidadãos chineses, a SenseTime tornou-se num dos maiores players do país no que diz respeito à inteligência artificial. A start-up capitaliza a sua tecnologia ao vender vários serviços de reconhecimento facial a entidades de diferentes setores.

Isto vai desde lojas de retalho, que utilizam a tecnologia para recolher dados sobre o comportamento dos seus clientes (tal como a portuguesa Sensei), a aplicações como a SNOW – conhecida como o Snapchat chinês – que utiliza o software da SenseTime para integrar componentes de realidade aumentada.

Independentemente de ter esta componente B2B (business to business) bastante desenvolvida, é a B2G (business to government) que traz mais valor à start-up. A tecnologia da SenseTime está espalhada pelo país. Polícias em zonas como Shenzhen e Guagzhou, entre outras, já utilizam o reconhecimento facial para prenderem pessoas procuradas pelas entidades policiais.

Em Xinjiang, onde quase metade da população é muçulmana, a tecnologia da SenseTime está presente em estações de serviço, bombas de gasolina, paragens de autocarros e até mesmo em mesquitas, de forma a seguir de perto os passos todos dos cidadãos.

No seguimento disto, que parece ser um cenário retirado de um filme de ficção científica, é ainda relevante referir a experiência da Megvii com o KFC. A start-up chinesa abriu uma parceria com a cadeia de restaurantes de fast food onde os clientes podiam pagar utilizando o reconhecimento facial.

Apesar de não ser o core business da Alibaba, o gigante de e-commerce pretende utilizar a tecnologia desenvolvida por estas duas start-ups no seu negócio. Para além da verificação de pagamentos, a empresa pode começar a utilizar o software da SenseTime para rastrear os seus clientes no crescente número de lojas offline que está a abrir. Neste campo, a Alibaba poderia criar lojas futuristas como a Amazon Go, onde não há filas, cartões ou dinheiro, mas há centenas de câmaras e sensores a monitorizar os seus passos.

Comentários