“O centro de desenvolvimento da Mollie em Lisboa irá focar-se em pagamentos – em fortalecer e evoluir a plataforma com a qual mais de 100 mil pequenos e médios comerciantes em toda a Europa contam para impulsionar as suas atividades de ecommerce”, revelou Diogo Antunes, senior Engineering Manager da start-up holandesa, em entrevista ao Link To Leaders.

A start-up Mollie, considerada um dos processadores de pagamento com crescimento mais rápido da Europa, escolheu Lisboa para abrir o seu primeiro Centro de Desenvolvimento, que complementará o trabalho da equipa holandesa nos serviços financeiros.

Ao Link To Leaders Diogo Antunes, senior Engineering Manager na Mollie, que irá coordenar este centro, falou que a fintech espera contratar 20 pessoas, em Lisboa, até ao final de 2021, alcançar os 60 colaboradores no final de 2022 e ultrapassar as 100 pessoas em 2023. E dos objetivos para o futuro: “continuar a investir na nossa plataforma tecnológica e expandir o nosso portfólio de produtos, além dos pagamentos e serviços financeiros para PME”.

O que levou a Mollie a escolher Portugal para instalar centro de desenvolvimento?
Fizemos uma grande pesquisa e avaliação para decidir a localização do novo hub de desenvolvimento e foram colocadas várias hipóteses de potenciais lugares para o nosso novo centro de desenvolvimento em cima da mesa. Decidimos optar por Portugal no início deste ano. Lisboa tem um ecossistema tecnológico forte e em rápido crescimento e, o facto de, também, possuir várias universidades científicas e de engenharia de classe mundial foram fatores diferenciadores.

Além disso, valorizamos bastante a cultura vibrante e rica da capital portuguesa, que sabemos ser fundamental para atrair o melhor talento. Como cidade, Lisboa está a tornar-se cada vez mais internacional e diversificada, que são fundamentais e que procuramos refletir na nossa força de trabalho.

O que pretende a Mollie com este novo centro em Portugal?
O centro de desenvolvimento da Mollie em Lisboa irá focar-se em pagamentos – em fortalecer e evoluir a plataforma com a qual mais de 100 mil pequenos e médios comerciantes em toda a Europa contam para impulsionar as suas atividades de ecommerce. Estamos à procura de gestores de produto e engenheiros para apoiar esses esforços, ajudando pequenos e médios comerciantes a competirem em pé de igualdade de condições com enormes plataformas globais de e-commerce.

“Os nossos planos para Lisboa passam pela construção de equipas de engenharia de alto desempenho.”

Quais as competências que procuram nos profissionais que estão a recrutar? Como está a ser feito este processo?
Os nossos planos para Lisboa passam pela construção de equipas de engenharia de alto desempenho. O que significa que estamos à procura de gestores de produto e engenheiros de software, com experiência em desenvolvimento front-end e full stack, assim como engineering managers, funções relacionadas a dados e designers.

Ainda este ano, esperamos contratar até 20 novos Mollies em Lisboa. Até ao final de 2022, o centro apoiará até 60 pessoas, esperando aumentar para mais de 100 em 2023. Todas as posições disponíveis podem ser consultadas na página web dedicada às carreiras em Lisboa.

Quais têm sido os maiores desafios que têm encontrado em Portugal?
Sabemos que todos os caminhos têm os seus desafios. No entanto, temos tido uma excelente receção em Portugal e temos recebido muitas candidaturas de pessoas que querem juntar-se a nós na expansão da Mollie. Estamos muito contentes por poder estar em contacto com um ecossistema tecnológico tão diversificado e talentoso.

“O nosso foco é que o escritório em Lisboa seja um exemplo de representatividade de género a seguir por start- ups tecnológicas”.

Um dos objetivos da Mollie é que o escritório português seja exemplo europeu de diversidade nas equipas. Como esperam alcançar esta meta e alcançar mais mulheres?
À medida que crescemos, continuamos empenhados em construir um local de trabalho que seja inclusivo, divertido e acolhedor. Desta forma, a Diversidade & Inclusão é uma das nossas principais prioridades e, por isso, queremos aumentar a representação das mulheres nas equipas de desenvolvimento. Com o objetivo de alcançar mais mulheres no universo da tecnologia, a Mollie estará presente em alguns eventos que reúnam mulheres da área. O nosso foco é que o escritório em Lisboa seja um exemplo de representatividade de género a seguir por start- ups tecnológicas.

Como se destaca a Mollie da concorrência?
O que nos difere dos concorrentes é estarmos focados em ajudar os comerciantes de pequena e média dimensão e concentrarmos principalmente a nossa atividade na Europa. A maioria dos nossos concorrentes são americanos e não olham para o continente europeu com o mesmo compromisso da Mollie.

Um dos segredos do nosso sucesso reside no grande enfoque que colocamos na localização – tudo, desde a integração ao suporte aos métodos de pagamento locais. Também somos reconhecidos na indústria e pelos nossos clientes pelo nosso excelente serviço de apoio.

Quais os produtos da Mollie que são mais requisitados pelos clientes?
Os nossos serviços têm preços simples e transparentes, e disponibilizamos um excelente serviço ao cliente adequado às necessidades locais de cada comerciante. Os nossos contratos também são livres de bloqueios, o que impulsionou um crescimento rápido tanto durante a pandemia, como nos meses que se seguiram ao levantamento das restrições devido ao confinamento em toda a Europa. Os produtos mais requisitados pelos nossos clientes são plataformas de pagamento como o iDEAL, Bancontact, Postepay ou Przelewy24.

“Identificámos o acesso a fundo de maneio, emissão de cartão e contas bancárias comerciais como áreas-chave para expansão”.

Quais são as grandes apostas estratégicas da empresa para 2021 a nível global e em Portugal?
Estamos a evoluir a nossa principal oferta para fornecer aos pequenos e médios comerciantes uma gama mais ampla de serviços que os ajudem a crescer. Identificámos o acesso a fundo de maneio, emissão de cartão e contas bancárias comerciais como áreas-chave para expansão. Com o tempo, também aumentaremos o nosso alcance geográfico.

Temos a intenção de lançar o nosso serviço em Portugal, apenas precisamos de definir a melhor altura para o fazer. No entanto, neste momento, os nossos esforços estão orientados para a criação do Centro de Desenvolvimento em Lisboa e para a criação das nossas novas equipas.

Como espera a Mollie democratizar os métodos de pagamento digital e apoiar o crescimento dos pequenos e médios comerciantes?
A nossa missão é democratizar os serviços financeiros digitais para todos, ao mesmo tempo que ajudamos os nossos clientes a atingir os seus objetivos. Pretendemos que os nossos serviços sejam honestos, tenham preços transparentes e não tenham termo definido. Ao fazê-lo, estamos a ajudar os parceiros a focar-se na gestão dos seus negócios.

Acreditamos que uma abordagem local aos pagamentos é essencial, e realizamos uma pesquisa aprofundada sobre os métodos de pagamento mais relevantes para o cliente, de forma que o serviço seja adequado, e criamos equipas de apoio locais que comuniquem na sua língua materna.

Como vê a Mollie a evolução dos métodos de pagamento em Portugal?
O ecommerce está em crescimento em todo o mundo. Este crescimento está muito ligado às mudanças dos hábitos e preferências de consumo, mas não só. Vários estudos indicam que um processo de checkout simplificado também é um dos fatores que promove o crescimento das vendas online. Em Portugal, verificou-se a mesma tendência, na medida em que tem havido uma forte aposta na compra online por parte dos portugueses, o que abre caminho para uma empresa como a Mollie implementar o seu serviço.

Qual a estratégia de expansão da empresa para os próximos anos?
O nosso objetivo é ser o provedor de serviços de pagamentos mais desejado do mundo. A ronda de financiamento Série C deu-nos a oportunidade de criar planos que nos irão ajudar a concretizar essa visão, começando por nos proporcionar a oportunidade de expandir dentro e fora da Europa.

Neste momento, a Mollie tem cerca de 480 colaboradores e vamos contratar mais cerca de 300 Mollies nos próximos seis a nove meses. Está, também, nos nossos planos, continuar a investir na nossa plataforma tecnológica e a expandir o nosso portfólio de produtos, além dos pagamentos e serviços financeiros para PME.

“Em média, as pequenas e médias empresas europeias aumentaram as suas vendas online em cerca de 29% no período de março a outubro de 2020, em comparação com o mesmo período em 2019”.

Qual será o futuro do mercado de pagamentos?
Na Mollie, temos a convicção de que o futuro dos pagamentos passa pela digitalização dos mesmos, uma vez que possibilita o acesso de todo o tipo de empresas aos mesmos. A verdadeira missão da Mollie é esta – democratizar os serviços financeiros digitais para todos, à medida que ajudamos os nossos clientes a atingir os seus objetivos. A paixão que temos pelos nossos clientes e o impacto que tivemos durante a pandemia em vários negócios de pequena e média dimensão provam-nos que é importante haver serviços acessíveis para todos e acreditamos que essa acessibilidade passa pela digitalização.

Tendo por base uma investigação independente que realizámos no início do presente ano, concluímos que, em média, as pequenas e médias empresas europeias aumentaram as suas vendas online em cerca de 29% no período de março a outubro de 2020, em comparação com o mesmo período em 2019. Olhando analiticamente para os nossos dados para o mesmo período de tempo, os clientes da Mollie aumentaram as suas vendas em quase 40%.

Respostas rápidas:
O maior risco:
O maior risco é sempre começar. No entanto, encorajamos a nossa equipa e clientes a assumirem riscos calculados e a não terem medo de falhar à primeira.
O maior erro: Provavelmente, pensar “demasiado grande” nos primeiros tempos! Tínhamos planeado estar em 20 países até 2020. Na realidade, saímos de Itália em 2019 para nos concentrarmos na presença na Alemanha e França. Descobrimos que a abordagem local leva muito tempo e esforço, mas o benefício para o cliente e a relação que gera vale a pena.
A maior lição: Aprendemos com cada parceiro e comerciante, aprendemos a adaptar o nosso produto de forma a tornar a Mollie na Payment Service Provider (PSP) mais adorado da Europa.
A maior conquista: Não estamos nem perto da nossa maior conquista! Mas levantar a nossa ronda Série C, que torna a Mollie numa das cinco mais valiosas fintech privadas na Europa, coloca-nos no caminho certo para ajudar pequenos e médios comerciantes a crescer em toda a Europa e no mundo.

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