Os empreendedores, por norma, têm dezenas de visões e sonhos que, a cada momento, vão ponderando executar. Sendo normal procrastinar, é ainda mais normal que a taxa de execução seja inversamente proporcional ao número de visões e sonhos!

No percurso individual de reflexão e procura de eventuais parceiros, é normal contagiar outros com a energia de quem tudo procura executar. Mas, neste exercício, a seleção natural opera a sua magia e, com naturalidade, apenas algumas visões ganham forma e um número pequeno de ideias avista o vislumbre da execução, sendo, em muito casos, rara a execução plena. Mas assim é a vida de muitos empreendedores (e sonhadores).

Seja pela necessidade de foco, incapacidade de execução ou falta de meios ou recursos adequados, não raras vezes os empreendedores acumulam, ao longo do seu processo criativo, vários cognomes, na maioria sinónimo de incapacidade.

Entre empresas como cofundador, projetos, ideias ou sonhos partilhados, já tive dezenas de iniciativas que, na maioria dos casos, tive de deixar para mais tarde ou, pura e simplesmente, desistir, porque me apercebi de que não tinha conhecimento mínimo suficiente ou os recursos necessários.

Estas intermitências ajudaram-me a conhecer pessoas, lidar com áreas do conhecimento diversas, mas, acima de tudo, aprender. Aprender que tenho ainda muito por conhecer e que dificilmente farei algo sem a cooperação de outros, porque é fundamental uma equipa, sendo que a complementaridade e multidisciplinaridade são aspetos-chave para o sucesso empresarial, onde todos os negócios começam pequenos!

Nos últimos anos, nos quais lidei com empreendedores em diferentes processos, nem todos chegaram a ser empresas, mas algumas das pessoas envolvidas esperavam mais de mim e não fui capaz de corresponder em entusiasmo, energia e execução.

Alguns deles transformaram-se em #haters que, a cada novo projeto, surgem sempre com as suas críticas e sarcasmos. Mas recordo as palavras de um amigo meu, empresário experiente: “Por cada #hater uma medalha!” Na primeira vez que ouvi esta frase, pensei nela como sinónimo de arrogância. Mas depois de tantas iniciativas em tantos anos, cada vez faz mais sentido.

A nossa história empresarial é feita de capas de revistas, mas também, e em maior quantidade, de insucessos e de muitos dias complicados de gerir, que todos os empresários guardam, onde o essencial é gerar valor.

Costumo dizer que todos os empreendedores são bipolares! (Os empreendedores sabem bem porquê!)

Começa na próxima semana um evento global de empreendedores em Lisboa, o Web Summit. Muito se tem falado sobre as Start-ups e começam também a surgir os primeiros críticos. Para todos os que criticam esta atenção mediática, considerada por alguns como desproporcionada em torno, ora da linguagem utilizada (e.g. CEO, Start-up, Mindset, Funding) ora do seu foco em tecnologia (e.g. consideram que o país se deve focar nas indústrias tradicionais), partilho o mesmo que me disseram um dia: “Por cada #hater uma medalha!”

Milhares vão tentar e vão falhar, neste processo vai gerar-se emprego e desemprego. No final, que a balança seja positiva e, se possível, com mais exportações! Celebrar os sucessos e não esquecer os insucessos, para aprendermos, sempre com o foco em melhorar!

Que esta nova horda de críticos nos ajude a crescer e que cada crítica ou sarcasmo nos motive a fazer cada vez melhor! Porque cada medalha é um sinónimo de vitória, transformemos as críticas em vitórias!

“Por cada #hater uma medalha!”

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Alexandre Pinto iniciou a sua carreira académica pela História, vida que abandonou para se dedicar ao empreendedorismo! Teve a oportunidade de liderar alguns projetos e ser cofundador de start-ups, com as quais em diferentes momentos angariou capital de risco de... Ler Mais