Muitas vezes questionam-me sobre o que me motivou a investir na área privada da educação, nomeadamente no modelo que represento de ensino precoce da língua inglesa. Poderia dar respostas variadas e até elaboradas, mas a verdade é que se deveu a um conjunto de circunstâncias e razões que na altura, nem conseguia bem explicar.

Hoje, passados seis anos desde a minha incursão por este mundo, não tenho dúvidas absolutamente nenhumas quanto à importância dos valores que defendemos e capacidades que treinamos nas crianças que por nós passam.

Esquecendo o meu negócio em particular, mas analisando a questão no geral, é cada vez mais consensual a importância de investir na aprendizagem de uma segunda língua o mais cedo possível. Na realidade, o bilinguismo anteriormente mal compreendido, está na vanguarda de muitas discussões internacionais sobre a temática educacional.

As vantagens de ser bilingue são inúmeras, sendo que a primeira se prende naturalmente com o desenvolvimento cerebral. Vários estudos comprovam que a exposição desde cedo a uma segunda língua cria uma maleabilidade superior no cérebro humano. As conexões são feitas de forma mais rápida e as crianças desenvolvem uma maior facilidade na aquisição de conhecimentos relacionados com lógica, matemática e raciocínio. Outra vantagem física prende-se com as capacidades de coordenação motoras. Está também comprovado que a exposição desde cedo a uma segunda língua permite uma coordenação motora maior, uma vez que o cérebro é treinado em dois hemisférios em simultâneo. Um outro aspeto positivo está relacionado com a tolerância cultural de cada individuo e aceitação do outro.

Aprender uma segunda língua envolve muito mais do que apenas a fonética ou a gramática. Para se conhecer bem um idioma há que estudar a sua origem, expressões idiomáticas, costumes e história. Conhecermos o universo para além do nosso país de origem, permite-nos desde cedo aceitar diferenças, abraçar valores e experiências distintas, o que contribui em larga escala para o nosso desenvolvimento pessoal. Ainda no âmbito das experiências, ser bilingue permite-nos viajar e conhecer o mundo. Embora pareça improvável, a língua ainda é uma das principais razões apontadas pelas pessoas quando questionadas porque razão não viajam. Num século em que as viagens estão massificadas e em que os preços são acessíveis a quase todos, é uma pena que o não domínio de uma segunda língua seja impeditivo para migrações de lazer ou até profissionais. Naturalmente que não podemos considerar a vantagens do bilinguismo sem referir as oportunidades de carreira e futuro.

Hoje em dia, a mobilidade profissional é enorme e até a estudantil, se pensarmos que mais de 20% dos jovens concorrem para universidades fora do próprio país de residência. Obviamente que uns pais que queiram proporcionar melhores oportunidades profissionais aos filhos, não devem hesitar no investimento do ensino de uma segunda ou até terceira língua desde tenra idade. Finalmente, existe ainda uma razão menos abordada, mas que considero igualmente interessante. Estudos recentes confirmam que pessoas bilingues têm menor tendência para a depressão e problemas mentais, exatamente pelo cérebro ter sido muito estimulado desde crianças.

Todas estas vantagens me parecem extremamente pertinentes e interessantes. Num mundo altamente competitivo e de rápida velocidade, é importante selecionarmos os estímulos a que queremos expor os nossos filhos. A verdade é que se analisarmos ao pormenor, metade da população mundial é bilingue, trilingue ou multilingue. Ou seja, ser monolingue nos dias que correm deveria ser a exceção.

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Mariana Torres é national franchisor em Portugal da marca Helen Doron English, um método de ensino da língua inglesa que vai desde os bebés com três meses até aos jovens com 19 anos. Em 2012, abriu a sua primeira unidade... Ler Mais