Em tempos de férias, vamos falar de um assunto que não é para brincar, isto é, o uso de dados para melhorar a tomada de decisão.

É espetacular vermos a forma como a tecnologia vem permitindo fazer em todas as dimensões da nossa vida, desde o trabalho, desporto, lazer (férias), etc. Por exemplo, no passado mês de julho, a tecnologia abriu mais uma porta à conquista do espaço, o que pela natureza e custos poderá democratizar as viagens espaciais.

Não sendo um expert em tecnologia, mas sim um limitado aficionado e, por isso, me penitencio perante quem sabe do assunto, posso comparar esses avanços com a descoberta da própria aviação e, mais recentemente, da aviação low-cost; de início é praticamente um fenómeno, mas com o passar do tempo e com os avanços da tecnologia, torna-se numa coisa normal e banal na nossa vida.

Não podemos negligenciar o papel da concorrência, da livre iniciativa e do bom funcionamento do mercado na potencialização do desenvolvimento tecnológico. E digo isto ainda a propósito das viagens espaciais, pois não é apenas um, nem dois, mas sim três personalidades empreendedoras que já realizaram ou realizarão a sua viagem de alguns minutos ao espaço.

Mas esta “guerra” não fica apenas no transporte espacial: ela também está nas tecnologias de informação e comunicação. Primeiro, nos finais de 2019 a organização detentora de um dos maiores motores de busca anunciou a supremacia quântica ao produzir o computador (Sycamore) quântico mais potente do mundo, ultrapassando o seu rival de então. A edição do jornal científico “Nature” destaca uma dissertação chamada Supremacia quântica, usando um processador supercondutor programável. Para termos a noção deste poder computacional, a organização anunciou que, para encontrar a solução para um determinado problema, o computador demorou 3 minutos e 20 segundos, enquanto que um computador tradicional demoraria 10.000 (dez mil) anos.

Mas esta “guerra” não fica apenas ao nível das empresas. Também no passado mês uma das maiores economias mundiais anunciou a sua supremacia quântica ao construir o computador quântico mais poderoso do mundo, ultrapassando o atual.

E nós, gestores, lideres, colaboradores, como podemos tirar partido de toda esta panóplia de tecnologia para melhorar a vida de todos, de uma forma sustentável e sem cometer erros que podem comprometer o futuro?
Uma das grandes aplicações da tecnologia é na gestão de dados. O desafio é transformar dados soltos e aparentemente sem nexo em conhecimento e, para isso, precisamos de ferramentas tecnológicas bem como de alguma capacidade cognitiva para o insight.

Hoje temos uma vasta gama de ferramentas tecnológicas que pode ser utilizada para ajudar a tomar as melhores decisões (terminologia em inglês): natural language processor, machine learning, computação quântica, bio metrics, distributed ledger technology, tecnologia de 5G, computação em nuvem, as API, inteligência artificial e muito mais.

Acoplada às vantagens, existem também as desvantagens, sendo uma delas o facto de muitas vezes a tecnologia ser considerada uma muleta e não uma ferramenta. Também muitos continuam a trabalhar dados e informações como se estivessem em silos, ou seja, não vendo a organização no seu todo, mas apenas a sua mesa de trabalho, o seu espaço, o seu corredor, etc.

Mas, mesmo ao nível dos sistemas do eGov para os cidadãos, existem vários silos e, consequentemente, os sistemas não se comunicam entre si no que toca ao simplificar a vida do cidadão. Tais sistemas são capazes de cruzarem dados e apanharem os prevaricadores (o que é positivo), mas não são capazes de cruzar e partilhar os bons dados do cidadão cumpridor, de modo a simplificar a vida e a não solicitar dados que já estão armazenados nas suas bases de dados (o que é negativo). As práticas de gestão dos dados em silos em qualquer organização são ineficientes e podem levar a conclusões incorretas.

É altura de se falar mais em literacia dos dados, pois, por um lado, permite que as organizações tenham uma abordagem centrada em dados e, por outro, ajuda a implementar uma abordagem global que envolve a confidencialidade, a integridade, a disponibilidade e a segurança dos dados.

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Sobre o autor

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Carlos Rocha é economista e atualmente é presidente do Fundo de Garantia de Depósitos de Cabo Verde. Foi administrador do Banco de Cabo Verde, onde desempenhou anteriormente diversos cargos de liderança. Entre outras funções, foi administrador executivo da CI -... Ler Mais