Entrevista/ “Esperamos trazer acesso a financiamento para novas ideias em early stages”

Martim Oliveira, CEO do Grupo Republica

“A Republica Ventures surgiu da nossa visão de apoiar o ecossistema empreendedor e contribuir para o desenvolvimento de novas ideias e negócios inovadores”, afirma Martim Oliveira, CEO do Grupo Republica.

Com mais de uma década de atividade, agência de comunicação Republica transformou-se no Grupo Republica em maio, unificando sete empresas especializadas em diversas áreas de comunicação. A visão do grupo, explica o CEO Martim Oliveira, é ser “um catalisador para a inovação e criar um impacto duradouro e positivo, tanto para as start-ups em que investimos como para o próprio grupo”.

Uma das áreas aposta é a Republica Ventures, o braço de investimento do grupo, a propósito da qual Martim Oliveira afirma que “até 2025, gostaríamos de ver esta unidade de negócio a contribuir significativamente para o crescimento e a inovação do ecossistema empreendedor nacional”.

Entretanto, a Republica está a explorar oportunidades de expansão geográfica, visando mercados internacionais que possam beneficiar dos seus serviços, e a diversificar as áreas de negócio.

Depois de 15 anos de atividade, e com as imensas transformações que aconteceram no universo empresarial, como se define hoje a Republica?

A Republica define-se como um grupo de comunicação “all-in-one” que combina estratégia e digital para desenvolver e implementar soluções eficazes para marcas. Nascemos da fusão de sete empresas, 13 parceiros especializados e mais de 90 colaboradores de seis países diferentes. Esta combinação permite-nos juntar estrategas e criadores, apostar no talento interno para construir relações sólidas e em conhecimentos digitais profundos, fundamentais para prosperar no mundo atual.

Em 2023, alcançámos um volume de negócios de 6 milhões de euros, o que acredito refletir a nossa capacidade de adaptação e inovação contínuas. Este know-how, consolidado ao longo destes 15 anos, possibilita-nos uma abordagem cada vez mais especializada, integrada e orientada para os objetivos dos clientes. Atualmente, contamos com um portefólio de mais de 300 clientes globais, incluindo MBWay, Teleperformance, Fidelidade, L’Oréal, Tetley, Jerónimo Martins, Deloitte, entre outros.

Recentemente procederam ao rebranding do grupo. O que vos motivou a implementar esta mudança?

O principal mote para a mudança e união das empresas foi acreditarmos na força de um todo que é maior que a soma das suas partes: tanto a nível de cultura e dinâmica de equipa, como do ponto de vista de oferta para os nossos clientes. Sempre tivemos um foco grande em garantir a especialização em várias áreas através de empresas dedicadas. No entanto, a oferta integrada e globalizada enquanto grupo começou a ganhar força, com projetos e clientes que tocavam as várias empresas.

Por isso, decidimos dar um passo em frente na união das equipas para caminharmos numa mesma direção, trabalhando agora com uma abordagem de gestão e estratégia orientada ao cliente, e mantendo a especialização através da criação de equipas organizadas por objetivos de negócio, indústrias específicas e serviços especializados dentro do digital. A nova marca Republica surge como reflexo desta mudança, no sentido de simplificar a nossa oferta e expertise, e dar palco a projetos em constante evolução para clientes em constante transformação.

A Republica tornou-se parceira oficial, em Portugal, do programa TikTok Creative Exchange (TTCX), para criação conteúdos. O que é que este projeto vai trazer de mais valia ao vosso negócio?

Acredito que esta parceria traz várias mais-valias ao nosso negócio. Em primeiro lugar, permite-nos produzir conteúdos nativos e autênticos, alinhados com o que as audiências do TikTok procuram, essenciais para alcançar e envolver as audiências jovens. Em segundo, democratiza o acesso a recursos criativos, ao facilitar a produção de vídeos orgânicos, o que, por sua vez, potencia os resultados das campanhas.

Acaba por ser uma situação de benefício mútuo, tanto para as empresas como para a Republica, pois permite-nos trabalhar a presença das marcas de forma profissional, genuína, potenciando os resultados das campanhas e melhorando a notoriedade das mesmas. É uma colaboração que fortalece a nossa posição como líderes na criação de conteúdos digitais, tendo em conta que fomos um dos primeiros em Portugal e amplia o nosso portefólio de serviços, aumentando a nossa competitividade no mercado.

“A Republica Ventures surgiu da nossa visão de apoiar o ecossistema empreendedor (…)”.

Como é que um grupo de marketing e comunicação entra no segmento do investimento com a criação da Republica Ventures? Porquê esta aposta?

A Republica Ventures surgiu da nossa visão de apoiar o ecossistema empreendedor e contribuir para o desenvolvimento de novas ideias e negócios inovadores. Esta aposta permite-nos diversificar a nossa atividade core, alavancar o nosso conhecimento em marketing e comunicação para impulsionar start-ups e estabelecer parcerias estratégicas que beneficiam todas as partes envolvidas.

Além disso, oferece-nos a oportunidade de diversificar o nosso portefólio e de apoiar o crescimento de novos negócios com elevado potencial. No fundo, é a materialização do nosso compromisso com a inovação contínua e o crescimento sustentável, tanto para o nosso grupo como para as empresas em que investimos.

Afirmaram publicamente a intenção de investir em duas empresas por ano, com um financiamento máximo de 300 mil euros. Esse objetivo mantém-se? 

Sim, esse objetivo mantém-se. Atualmente, temos várias propostas em análise: podem ser empresas já existentes ou novos negócios criados por colaboradores do grupo, através de concursos internos. Procuramos start-ups com potencial de crescimento que possam beneficiar do nosso conhecimento e rede de contatos, promovendo sinergias que impulsionem o sucesso mútuo.

Que mais-valias esperam trazer ao ecossistema empreendedor nacional com esta vossa incursão na área dos investimentos?

Esperamos trazer acesso a financiamento para novas ideias em early stage, apoio na gestão, desenvolvimento do negócio e uma sólida rede de contatos. Através da nossa experiência e conhecimento em marketing e comunicação, podemos ajudar as start-ups a crescerem mais rapidamente e a atingir o seu potencial máximo. Além disso, ao promovermos a inovação e a criação de novas oportunidades de negócio, contribuímos para o fortalecimento do ecossistema e um ambiente empresarial mais dinâmico e competitivo. Este apoio integrado ajuda as start-ups a escalar os seus negócios de forma mais eficiente, maximizando o seu potencial de sucesso.

“Até 2025, gostaríamos de ver esta unidade de negócio a contribuir significativamente para o crescimento e a inovação do ecossistema empreendedor nacional (…)”.

Globalmente, e a médio prazo, quais as metas para a Republica Ventures? Onde gostaria de ver esta unidade de negócio em 2025?

Olhamos para a Republica Ventures com grande otimismo e como um dos fatores críticos de diferenciação do Grupo no mercado, não só pela possibilidade de estar próximo de novas ideias e tecnologias, como também pela capacidade de diversificação e complementaridade dos seus serviços. Gostaríamos que a Ventures fosse reconhecida no mercado pelo modelo de investimento em start-ups: não só pelo know how no envolvimento em fases iniciais do negócio, como também pela abordagem hands-on junto dos empreendedores, garantindo os serviços e recursos necessários para desenvolver as melhores ideias. Temos como objetivo investir ativamente, atuando como uma extensão das empresas comparticipadas.

Até 2025, gostaríamos de ver esta unidade de negócio a contribuir significativamente para o crescimento e a inovação do ecossistema empreendedor nacional,  ajudando a lançar e escalar empresas que se tornem referências nos seus setores e, naturalmente, ver a Republica Ventures com um portefólio diversificado e bem-sucedido de investimentos. Como referi, a nossa visão é ser um catalisador para a inovação e criar um impacto duradouro e positivo, tanto para as start-ups em que investimos como para o próprio grupo.

Enquanto grupo, quais os objetivos para este ano? Reforço de equipa, expansão geográfica, novas áreas de negócio?

Estamos também a explorar oportunidades de expansão geográfica, visando mercados internacionais que possam beneficiar dos nossos serviços. Pretendemos aumentar a nossa presença internacional, particularmente através da E3 Network, e continuar a investir em tecnologias emergentes.
Além disso, continuamos a diversificar as nossas áreas de negócio, procurando novas tendências e tecnologias que possam complementar e enriquecer a nossa oferta atual. Em resumo, queremos continuar a consolidar a nossa posição no mercado nacional, mas também expandir a nossa influência e competitividade a nível global.

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