A atração de talento continua a ser um problema para as empresas, portuguesas incluídas. O Talent Shortage & What Workers Want, da ManpowerGroup, 2019, revela que 57% dos empregadores nacionais deparam-se com esta dificuldade.

Os dados mais recentes do estudo Talent Shortage & What Workers Want, efetuado pela ManpowerGroup e relativo ao ano passado, apontam para uma realidade que continua a afetar as empresas: a atração e retenção dos talentos. E Portugal não escapa a esta problemática já que o estudo aponta para que 57% dos empregadores portugueses tenham dificuldade no recrutamento, uma percentagem que inclusivamente subiu 11% face ao registado em 2018, números que colocam o país no grupo dos que enfrentam dificuldades acima da média para atrair talento qualificado.

Destacam-se os setores da Restauração e Hotelaria e o setor da Construção, com 81% e 80% dos empregadores, respetivamente, a reportarem dificuldades na atração e retenção de talento. Segue-se o setor dos Transportes, Logística e Comunicações e o setor da Indústria, com 68% e 62%, respetivamente. Nos setores da Agricultura, Floresta e Pescas e do Comércio Grossista e Retalhista, 56% dos empregadores também indicam dificuldades para encontrar talento. Quanto às profissões no topo desta problemática do recrutamento, as especializadas, como são os casos das atividades de eletricista, soldador e mecânico, são aquelas onde é mais difícil atrair talento. Depois surgem os cargos técnicos como o controlo da qualidade, os motoristas, os trabalhos de Customer Support e as funções de serviço em Hotelaria e Restauração.

No panorama global, esta pesquisa da ManpowerGroup registou a escassez mais elevada da última década, já que 54% das empresas inquiridas revelou ter problemas no momento de recrutar. Essa situação agravou-se em 37 dos 44 países territórios analisados pelo Talent Shortage & What Workers Want, com destaque para o Japão, Roménia e Taiwan. Pelo contrário, a Irlanda, o Reino Unido e a China são os países onde o problema teve menor dimensão.

A nível global, as vagas para cargos especializados, como eletricistas, soldadores e mecânicos, são as mais difíceis de preencher. Surgem depois os trabalhos em vendas e marketing, incluindo comerciais, managers e designers gráficos. As funções técnicas, os engenheiros e os motoristas também aparecem na lista das cinco posições mais difíceis de preencher.

“Num momento em que a tecnologia ganha um peso crescente no mundo do trabalho, o que observamos é que as empresas, em vez de reduzir, estão na realidade a ampliar a sua força de trabalho e debatem-se, hoje, com valores recordes de escassez de talento”, referiu Rui Teixeira, Chief Operations Officer da ManpowerGroup Portugal. Este profissional refere ainda que há um desencontro de competências que tem de ser abordado. Neste contexto, a aposta pela formação e requalificação do talento tem de ser uma prioridade, associada a uma crescente capacidade das empresas para abordar pools de candidatos diversas, avaliando o seu potencial futuro mais do que a sua experiência passada”.

A esta vertente da análise, a ManpowerGroup junta ainda informação relativa aos principais fatores que ajudam a atrair o talento, além de contribuírem para a sua retenção. São eles a remuneração, a autonomia sobre os horários e local de trabalho, a mobilidade na carreira e a capacidade de ampliar competências, fatores que apresentam algumas variações em função do país, sexo e geração dos profissionais. Destaca ainda para a necessidade de um propósito e uma liderança forte.

O estudo revela também que o momento da carreira em que o profissional se encontra também é decisivo na nas prioridades de cada grupo. Assim, constata-se que a geração Z (18-24 anos) é ambiciosa, motivada pelo dinheiro e pelo desenvolvimento de carreira, com as mulheres a dar mais importância ao salário do que os homens; que os millennials (25-34 anos) querem flexibilidade e um trabalho desafiador; que a geração X (35-54 anos) procura o equilíbrio; e que os baby boomers (55-64 anos e mais de 65) são motivados pelo salário, por um trabalho desafiador e pela flexibilidade, embora atribuam maior prioridade do que as restantes gerações à liderança e às equipas.

Refira-se que estes dados do Talent Shortage tiveram por base entrevistas a mais de 24 mil empregadores em 44 países e território. Por sua vez, as conclusões relativas às  preferências dos trabalhadores resultam de 14 mil entrevistas individuais realizadas em 15 países.

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