A primeira vez que ouvi falar da necessidade de conjugar “Empatia” com “Economia” foi pela voz da CEO Global da Mercer, Martine Ferland. Hoje, mais do que nunca, os líderes vão ser chamados a combinar “Empatia” com “Economia”.

Entenda-se por “Empatia” a necessidade de estar próximo, ouvir, compreender, falar e “colocar-se no lugar do outro”. Entenda-se por “Economia” a necessidade de decidir, antecipar cenários, ser racional, pragmático e objetivo.

A situação para a qual o Mundo foi empurrado, e atrás de si milhões de pessoas e empresas (grandes e pequenas), vai exigir de todos nós, e em particular dos líderes políticos e empresariais, uma enorme capacidade de resiliência psicológica e racional. Mais do que nunca, vamos ser chamados a potenciar o nosso QI (Quociente de Inteligência) e o nosso QE (Quociente Emocional). Na linha de Daniel Goleman, que divulgou estes dois conceitos no seu livro “Inteligência Emocional”, o ser humano pode ter excelentes capacidades de processar informação, mas ter muitas dificuldades em gerir emoções, e vice-versa.

Este é o tempo para procurarmos conciliar e potenciar as capacidades de gerir as nossas emoções e dos outros (“Empatia”) e de processar informação (“Economia”).

A violenta e ameaçadora recessão económica à escala mundial, que já se faz sentir, irá fragilizar ainda mais os desprotegidos, vulneráveis e pobres, quer sejam pessoas, países ou organizações. Compete, pois, a nós líderes com alguma capacidade de decisão estarmos em alerta permanente e procurar pensar, decidir e agir com “Empatia”. Temos que estar próximos das nossas equipas sentindo e vivendo com elas os seus medos e anseios. Sei que não é fácil porque tendemos a ver o Mundo (e a vida) pelos nossos próprios olhos.

O líder que consegue gerir com “Empatia” é aquele que consegue sair para fora de si e colocar-se no lugar do outro. Ao fazê-lo, estaremos mais predispostos para ouvir e compreender. Isso ajudar-nos-á, certamente, a tomar decisões mais ponderadas e inclusivas. Mas liderar com “Empatia” exige também um esforço permanente para ouvir e comunicar. Habitualmente, tendemos a ouvir-NOS e não simplesmente a ouvir. Seguros das nossas convicções projetos e “certezas”, dedicamos escassos momentos para ouvir os outros, mas raramente escutamos (abrimo-nos) à opinião dos outros. Liderar com “Empatia” é também isso: a humildade de escutar, e não apenas ouvir.

Os tempos que vivemos exigem também uma grande disciplina na forma e cadência com que comunicamos às nossas equipas. Este é o momento para comunicarmos com verdade, mesmo quando ela é dura de se dizer e ouvir. Claro que não podemos dizer “tudo a todos” porque muitas vezes precisamos preservar um bem maior. No entanto, no sentido de criarmos a “Empatia” que fará de nós equipas melhores e mais resilientes, é-nos exigido Verdade. Estar próximo dos outros implica também procurar comunicar e receber feedback.

Como líderes, temos que cuidar igualmente da “Economia”. O medo não nos pode paralisar. Este é também o momento para decidir e agir. No sentido de preservar o futuro das nossas organizações é fundamental procurarmos desenhar os diferentes cenários que iremos enfrentar nos próximos meses e, com base neles, tomar as decisões que nos parecem ser as mais adequadas. Para estes processos, por vezes difíceis e dolorosos, é fundamental dotarmo-nos de dados e factos que nos permitam pensar de forma objetiva e racional. Ao fazê-lo, iremos certamente encontrar os melhores caminhos e salvaguardar a coerência dos nossos atos de gestão.

Certamente que haverá sempre caminhos alternativos, mas é importante como líderes sentirmos que fazemos e damos o melhor de nós. A “Economia” exige também que o líder procure apoio e se rodeie de equipas que o consigam ajudar a conciliar “Empatia” e “Economia”. Este é o tempo da liderança colegial, inclusiva e participativa. Este não é o tempo da autocracia e despotismo. Ser colegial e inclusivo não é incompatível com pragmatismo e objetividade. Apenas, significa a capacidade de escutar e aceitar o outro ponto de vista para depois poder decidir em consciência e com serenidade.

Este é o tempo de conciliar “Empatia” com “Economia”.

Este é o tempo para liderarmos com “Humildade e Mansidão”, mas também com “Verdade e Objetividade”.

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Diogo Alarcão tem feito a sua carreira essencialmente na área da Gestão e Consultoria. Foi Chairman da Marsh & McLennan Companies Portugal e CEO da Mercer Portugal. Foi Diretor da Direção de Investimento Internacional do ICEP, de 1996 a 2003.... Ler Mais