Já muito se escreveu, e também eu já escrevi, sobre a liderança das organizações no feminino. Por isso, desta vez decidi escrever sobre duas figuras de Mulher que me marcam e com as quais procuro aprender diariamente.

A primeira é a figura de Maria retratada nos Evangelhos. Desta Mulher, retiro alguns ensinamentos que me têm ajudado como líder. Desde logo, a capacidade de dizer “Sim” apesar do medo e do desconhecido. Ao longo dos anos, tenho muitas vezes dito “sim” a desafios e projetos que me parecem difíceis pela dimensão, complexidade ou incerteza que acarretam. No entanto, regra geral esse “sim” acaba por produzir efeitos positivos para a organização, para as equipas e para mim próprio. Ouso pensar que esses “sim”, de Maria ou os meus, têm por base a confiança; isto é, a capacidade de acreditarmos em nós e nos outros.

Mas, Maria ensina-me também a arte de servir e de se colocar ao serviço: foi assim quando se pôs a caminho para visitar a sua prima Isabel ou quando acompanha o seu filho ao longo da sua vida até à morte por crucificação. Não aparece nos livros históricos dos Evangelhos como uma mulher subserviente, mas sim como alguém que encontra no serviço aos outros o sentido da vida. Nunca me canso de dizer que “servir os outros”, em particular em contexto profissional, é uma das maiores virtudes que devemos desenvolver. O líder que serve (e não se serve) cresce interiormente e coloca os seus dons, experiência e sabedoria ao serviço da sua organização, da sua equipa e dos diferentes stakeholders com quem interage diariamente. Ao fazê-lo, está ele próprio a crescer profissionalmente e como pessoa.

A segunda figura de Mulher que me marca é a figura de Mãe. Penso obviamente na minha Mãe, mas também na Mãe dos meus filhos e em tantas outras Mães que conheço. E aqui, não penso apenas nas mães biológicas, que nos alojam e alimentam no seu ventre ao longo de habitualmente 9 meses, mas também em todas as Mulheres que, por adoção ou outro vinculo legal ou afetivo, cuidam dos seus filhos. E esta é uma segunda lição, como líder, que retiro dessa figura da Mulher: o saber cuidar dos outros. Não quero com isto dizer que “cuidar dos outros” é privilégio ou sequer obrigação das mulheres. Quero apenas testemunhar que sempre me senti inspirado por essa figura feminina quando procuro “cuidar” daqueles que trabalham comigo e com quem eu trabalho.

O olhar atento, a preocupação, a escuta e a proximidade afetiva de uma Mãe para com os seus filhos, inspira-me como líder a:

  1. Olhar atentamente aos sinais que as equipas me dão, embora tenha consciência que nem sempre os consigo percecionar ou perceber;
  2. Preocupar-me com os receios, ansiedades, dúvidas e apreensões daqueles com quem trabalho, embora muitas vezes me tenha sentido impotente para os resolver;
  3. Escutar atentamente de forma a poder aconselhar e orientar, mas também corrigir e criticar, embora o frenesim do dia a dia nos limite nessa capacidade de dar tempo aos outros;
  4. Construir laços de proximidade que permitam desenvolver relações de confiança (mutua) duradouras e frutuosas, muito embora saiba que nem sempre as expetativas de uns e de outros o permitam.

É este o tributo que gostaria de deixar neste dia 8 de março a todas as Mulheres com quem tenho tido o privilégio de me cruzar ao longo da vida agradecendo tudo o que representam para mim e tudo o que fizeram por mim. Obrigado!

Comentários

Sobre o autor

Avatar

Diogo Alarcão tem feito a sua carreira essencialmente na área da Gestão e Consultoria. Foi Chairman da Marsh & McLennan Companies Portugal e CEO da Mercer Portugal. Foi Diretor da Direção de Investimento Internacional do ICEP, de 1996 a 2003.... Ler Mais