Opinião

Defender para atacar

Pedro Amendoeira, partner da ERA Group

Exercer um cargo de direção numa empresa é extremamente difícil. Conduzir um departamento ou negócio com muitas pessoas e meios é, além de uma responsabilidade, uma preocupação constante que se espelha frequentemente em noites mal dormidas.

Gerir eficazmente o capital humano é um desafio que exige tempo e dinheiro para considerar quando recrutar e formar, reter ou despedir. Em simultâneo, é preciso salvaguardar o sucesso da empresa, que é, muitas vezes, expresso nas suas vendas, nos resultados financeiros, no fluxo de caixa e na cadeia de abastecimento. Para conseguir vender mais, os líderes devem ser capazes nomeadamente, de montar equipas e sistemas eficientes, planear e executar planos de marketing adequados às necessidades e objetivos, e desenvolver produtos competitivos. E enquanto o fluxo de caixa é o sangue do negócio, a cadeia de abastecimento assegura que as matérias-primas o alimentam, sendo vitais para que todo o organismo funcione.

Numa economia de mercado, o lucro pode ser comparado ao resultado de um jogo. As empresas consistentemente mais lucrativas têm oportunidades que as demais não têm, nomeadamente de atrair e reter os melhores talentos, e de apostar em investigação e desenvolvimento, em novas máquinas para a produção ou em planos de marketing robustos. Nestas organizações, o dinheiro que geram é reforçado por aquele que conseguem captar com maior facilidade: o dos bancos, de acionistas ou obrigacionistas. Todos estes players preferem naturalmente investir em empresas mais lucrativas que lhes garantam melhores condições.

Assim sendo, só existem duas formas de melhorar as finanças de uma empresa: aumentar os rendimentos e diminuir os custos – idealmente uma combinação de ambas. Os temas de vendas e marketing são muito populares, existindo milhares de livros e artigos sobre como vender mais e melhor. Igual atenção não tem sido dada ao outro lado da equação: como reduzir custos sem colocar em perigo os resultados e a qualidade dos produtos e serviços.

Comparando o negócio a um jogo de futebol, seria o mesmo que focar apenas no ataque e esquecer que a defesa sequer existe, ou então dar por garantido que a defesa funcionará, sem nela investir estratégia ou tempo. Esta seria obviamente uma tática suicida em campo – e é também fora dele, quando os negócios negligenciam a importância da redução de despesa.

No extremo, se reduzíssemos a zero todos os custos de uma empresa, estaríamos ao mesmo tempo a acabar com ela, pois perderia a capacidade de servir os seus clientes e de gerar valor. Naturalmente, o objetivo deve ser minimizar a despesa sem colocar em risco a capacidade de servir os clientes com excelência. Ao investirmos mais tempo, recursos financeiros, formação e conhecimento a par da otimização de custos, conseguimos assegurar melhores resultados e, desta maneira, criar uma defesa sólida para atacar com mais eficiência e garantir vitórias

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