Mercê das crises financeiras da última década e dos imensos casos de corrupção que corroeram muitos países e sociedades o apelo ao socialismo e a negação das vantagens da sociedade capitalista têm registado uma crescente ressonância nos media e em muitos setores da sociedade.

Vivemos assim uma época em que o canto da sereia da utópica sociedade sem desigualdades e em que todos seriam iguais voltou a ganhar maior ressonância. Porém a história tem demonstrado que essas utopias igualitárias geraram sempre sociedades muito mais pobres e desiguais em que a geração de riqueza foi substituída pela apropriação de riqueza acumulada pelos privilegiados do regime (o que, no regime soviético, se designava por nomenklatura).

Mas a realidade objetiva tem mais força que todas as propagandas e mistificações dominantes, infelizmente, mesmo em muitas elites. O caso atual da Venezuela é o exemplo mais recente da catástrofe social, humana e económica que a adopção da solução socialista provocou num país que era dos mais ricos da América Latina. É mais um a somar a variados exemplos: Cuba. Zimbabué, União Soviética, China, etc.

Curiosamente, em movimento completamente oposto a África sub-saariana tem vindo a registar um crescimento económico cada vez mais significativo. E porquê? Exatamente porque os estados da região aderiram crescentemente às regras de um mercado concorrencial e adoptaram princípios de governo democrático que se têm vindo a consolidar

Genericamente, em África os índices de liberdade económica (Instituto Fraser, Canadá) evoluíram de 4,75, em 1993, para 6,23, em 2013. Desde o início deste milénio o rendimento per capita aumentou 50% e a taxa média de crescimento económico situa-se nos 5% desde então. No caso da África sub-sahariana, o crescimento económico anual esperado para a próxima década na maior parte dos países é superior a 5%.

A esperança média de vida aumentou de 54 anos, em 2000, para 62 anos, em 2015, e a taxa de mortalidade infantil baixou de 80 mortes por 1.000 nascimentos para 49.

A mudança económica em África está fortemente associada ao fim do bloco soviético e, em resultado disso, à adoção pelos países africanos de políticas contrárias à lógica socialista do centralismo de estado e favoráveis ao livre mercado e à concorrência.

Os factos provam, por isso, de que lado é possível encontrar crescimento, prosperidade e geração de riqueza. Resta perguntar então porquê ainda hoje, em pleno século XXI, há tanta gente iludida com as quiméricas utopias que sempre degeneraram em tragédia?

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Franquelim Alves é Diretor-Geral da 3anglecapital, sociedade especializada em operações de M&A e serviços de “advisory” financeiro. Licenciado em economia, pelo ISEG, detém um MBA em Finanças pela Universidade Católica Portuguesa e o Advanced Management Program da Wharton School of... Ler Mais