No que toca a fazer crescer as start-ups, é preferível apontar para a Lua ou manter os pés assentes na terra? Confira a opinião de um CEO e fundador.

A cultura norte-americana de start-ups está repleta de empreendedores a tentarem criar o próximo unicórnio. Apesar dos portugueses não poderem sonhar tão alto, visto que a quantidade de start-ups nacionais que atingiram a avaliação superior a mil milhões de euros não supera os dedos de uma mão, este objetivo ambicioso pode estar a criar uma cultura tóxica à volta da forma como os empreendedores entendem que devem desenvolver os seus negócios.

Esta ideia é partilhada num artigo de opinião do business angel, fundador e CEO da MeUndies, Jonathan Shokrian, no Business Insider.

Com uma visão tanto de fundador como de investidor, Shokrian acredita que o mundo precisa de uma comunidade de investidores que valorize a confiança dos stakeholders e o crescimento sustentável em vez “despejar” milhões de dólares num número ínfimo de projetos. Exemplo disto são os casos da Uber e da Lyft, que apesar se terem tornaram recentemente públicas através de uma IPO (oferta pública inicial), ainda nenhuma delas atingiu o ponto de equilíbrio económico. Estes dois exemplos, explica o empreendedor, levam muitos outros fundadores a tentar fazer crescer o seu negócio de uma forma agressiva – colocando de lado a possibilidade de terem operações saudáveis e sustentáveis.

A isto acrescenta-se o foco dos venture capitalists no histórico dos líderes das start-ups, nos conceitos sonantes ou nas tecnologias emergentes, como a inteligência artificial, robótica, cibersegurança e os carros autónomos.

No entanto, Shokrian acredita que existe outra forma de conduzir o ecossistema, mas que precisa que os empreendedores e os investidores lutem contra a visão afunilada e tomem as decisões baseadas no valor que os clientes dão ao negócio em vez do crescimento a curto-prazo.

O fundador da MeUndies propõe então uma visão mais conservadora e desafiante para os empreendedores norte-americanos: ter sucesso e crescer ao mesmo tempo que são sustentáveis, ganham a confiança dos clientes ao dar acesso a um produto/serviço de excelência e constroem, escalam e contratam outras pessoas.

Apesar da Uber e da Lyft serem um exemplo de desequilibro económico, não são as únicas a chegar ao mercado bolsista com receitas líquidas negativas. De acordo com o Pitchbook, 64% dos unicórnios que levaram a cabo uma IPO desde 2010 não eram rentáveis quando se listaram em bolsa – o que significa que levantar vultosas rondas de investimento não se traduz necessariamente em rentabilidade.

É também por este motivo que Jonathan Shokrian identifica que, por vezes, pode ser melhor levantar pequenas rondas de investimento. Desta forma, os empreendedores não só têm a possibilidade de manter uma maior participação na empresa, como não têm de sucumbir à pressão dos investidores que injetaram milhões no negócio e precisam de reaver o dinheiro rapidamente.

Comentários