“Estamos confiantes que no pós-pandemia os casamentos irão voltar em grande força”, afirma Filipa Mascarenhas, cofundadora da Sparkl, em entrevista ao Link To Leaders. A empreendedora fala dos últimos meses e da resposta da start-up portuguesa, plataforma de serviços de estética com serviços de manicure, pedicure e depilação, a um segundo confinamento.

O ano de 2017 mudou para sempre a vida de Filipa Mascarenhas e de Mariana Bettencourt. Depois de vários anos a trabalharem em marcas mundialmente conhecidas – a primeira na L’Oréal e a segunda na Tissot e Omeg -, as duas amigas de infância decidiram juntar-se para criarem a Sparkl, uma empresa de serviços de beleza ao domicílio.

Desde aí que a empresa tem crescido e, neste momento, já funciona em várias zonas do país, como Algarve, Lisboa, Porto e Braga. No entanto, com o surgimento da pandemia de Covid-19, muitos têm sido os desafios.

Depois de ter parado quase dois meses em 2020, a Sparkl voltou agora a suspender os seus serviços, mas não baixou os braços e apostou na venda de produtos de beleza profissionais e de gabinete, e no lançamento de serviços de Personal Training ao domicílio.

De que forma o Covid-19 impactou o negócio da Sparkl? E como estão a responder?
Por um lado, o Covid-19 é uma oportunidade para a Sparkl, pois observámos um crescimento exponencial na tendência “serviços ao domicílio” em detrimento de deslocações a espaços físicos sejam eles centros comerciais ou salões tradicionais. No entanto, à semelhança do resto do mercado, somos obrigados a suspender a atividade de serviços durante os períodos de estado de emergência e consequente lockdown e, por isso, evidentemente, embora haja crescimento nesta fase, ainda não compensa as interrupções.

A equipa Sparkl nunca baixa os braços e é resiliente suficiente para enfrentar os desafios que a pandemia nos tem trazido,. Por isso, mantivemos sempre uma atitude de foco no que é positivo e no quepode ser uma oportunidade. No primeiro lockdown, por exemplo, começámos a olhar para uma área do nosso negócio que sempre deixámos para segundo plano, que é a venda de produtos de beleza profissionais e de gabinete. Sempre o fizemos, desde o dia 1 da Sparkl que vendemos produtos a profissionais e a clientes, mas sempre de forma orgânica, nunca investimos muito tempo e esforço na área de produto.

Nos lockdowns, esta área de negócio tem sido a maior e única fonte de rendimento. Por isso criámos aquilo a que chamamos Kits de sobrevivência que nada mais são do que boxes self-service, com uma seleção de produtos que ajudam a cliente a executar um serviço de manicure, ritual de tratamento de rosto e limpeza ou até de corpo durante um período em que não podem aceder à prestação por terceiros destes serviços. Entre lockdowns também aproveitamos para lançar os serviços de Personal Training ao domicílio, uma oportunidade que adveio da preferência de um treino ao ar livre e individual em detrimento de espaços fechados com multidões.

Como está a ser a resposta dos clientes aos chamados kits de sobrevivência?
Corre bem, não só com os kits de sobrevivência, mas também as máscaras de proteção individual e os restantes produtos.

“Sermos obrigados a reduzir a equipa assim que nos apercebemos que íamos ter de parar a operação em março de 2020, esse foi o maior desafio”.

Quais têm sido os seus principais desafios como empreendedora neste novo contexto?
Sermos obrigados a reduzir a equipa assim que nos apercebemos que íamos ter de parar a operação em março de 2020, esse foi o maior desafio. Somos uma equipa pequena, uma família e por isso esta mudança custa a nível emocional. Em segundo lugar, manter a operação à distância, com menos equipa e ainda assim tentar manter a motivação e o pensamento positivo. Outro grande desafio são as profissionais independentes que estão afiliadas à Sparkl, também elas têm de ser apoiadas e motivadas uma vez que, pela segunda vez, em menos de um ano, vão estar sem poder prestar serviços durante pelo menos dois meses e meio.

A pandemia implicou grandes mudanças no ambiente laboral. Quais as principais aprendizagens que está a retirar este nível durante este período?
Sim bastante, toda a operação passou para teletrabalho, exceto no que respeitam os testes de recrutamento. Isto é um enorme desafio como acredito que foi para todas as empresas em geral.

Como decorreu o ano de 2020 para a Sparkl em termos de faturação?
Estivemos 1,5 meses sem poder prestar serviços e houve várias restrições. Nos serviços core tivemos um decréscimo de apenas 3%. Nos serviços não core, é que tivemos um impacto mais significativo, pois não se realizaram casamentos, festas, eventos ou batizados. Mas estamos confiantes que no pós-pandemia os casamentos irão voltar em grande força.

“O teletrabalho veio facilitar o pedido de serviços durante todo o dia no conforto do lar e sem desperdício de tempo em deslocações”.

Quem mais procurou os vossos serviços no último ano?
Mulheres em teletrabalho. O teletrabalho veio facilitar o pedido de serviços durante todo o dia no conforto do lar e sem desperdício de tempo em deslocações.

A pandemia tem sido uma desculpa para que os cuidados de beleza sejam negligenciados?
Não chamaria negligenciados, mas sim adiados. São evidentemente adiados porque há clientes que não conseguem, não sabem e não têm como fazer determinados serviços mais elaborados: Massagens Drenantes, Verniz Gel, Corte de cabelos a crianças são apenas alguns dos exemplos.

Quais as apostas da Sparkl para este ano?
Venda de produtos, Kits de sobrevivência e aposta na diversificação de serviços que façam sentido num contexto de pandemia tal como aconteceu com os Personal Trainers.

Quantas profissionais trabalham neste momento com a Sparkl?
Contamos com 150 profissionais.

“Mais do que lançar projetos continuamos focadas em crescer e em especial na expansão do negócio que tem sido sistematicamente adiada… pela situação atual em que vivemos”.

Que projetos gostava de lançar a Sparkl no futuro?
Mais do que lançar projetos continuamos focadas em crescer e em especial na expansão do negócio que tem sido sistematicamente adiada… pela situação atual em que vivemos.

A expansão para Espanha ainda faz parte da estratégia da empresa?
Sim faz, Madrid e outras cidades Europeias, embora seja um plano adiado pela pandemia.

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