Muito tem sido escrito sobre a dinâmica associada às alterações de contexto e à necessidade de repensar (refundar?) a forma como o conhecimento pode e deve ser transmitido. Em qualquer tipo de instituição. Em qualquer fase do desenvolvimento do ser humano. Conjunturas que evoluem alicerçadas em iniciativas de forte cariz inovador reforçam a exigência de capacidade de adaptação e de flexibilidade requeridas ao sucesso e à sustentabilidade de qualquer nação e de qualquer projeto.

A mudança de  paradigmas e os processos disruptivos derivados, não só geram novas formas de pensar como de atuar, potenciando, por um lado, o aparecimento de inúmeras oportunidades mas, por outro, tornam obsoletos determinados posicionamentos no mercado dadas as alterações profundas das cadeias de valor que induzem.

Num ambiente desta natureza, facilmente reconhecível como aquele em que atualmente vivemos e que se perspetiva indubitavelmente para o futuro, os processos de aquisição (atualização) de competências são vitais e a sua eficácia é condição imprescindível para que as empresas possam ponderar, debater e implementar atuações  em tempo útil. Consequentemente, num horizonte temporal consentâneo com a rapidez em que “janelas de oportunidade se abrem e fecham”.

Surge, assim, com crescente interesse o tema do designado “edutainment” (cuja origem remonta à época do Renascimento, mas que mais recentemente foi utilizado em inúmeras situação, nomeadamente por Benjamin Franklin ou Walt Disney em projetos específicos, tendo este último usado este termo já em 1954). Esta formulação vem precisamente abordar esta necessidade de se poder proporcionar uma experiência de aprendizagem que não só atinge o objetivo a que se propõe (transmissão de competências) como também associar uma componente lúdica ao processo. A centralidade desta perspetiva no âmbito das “learning experiences” surgiu com maior vitalidade com a constatação de que o impacto na aquisição de capacidades e alteração de comportamentos era mais evidente e efetiva que utilizando os métodos “tradicionais”. O facto de debater, interpretar e partilhar conteúdos pedagógicos produz um impacto extremamente expressivo na capacidade da sua integração, muito superior ao de uma mera leitura ou observação.

A emergência de novas tecnologias, a sua maior acessibilidade e a redução do seu custo tem provocado um desenvolvimento muito expressivo, reforçando o elo educação-entretenimento e colocando-o com uma abrangência e num patamar de sofisticação nunca antes atingido. A criatividade, o incentivo à inovação e as ferramentas hoje disponíveis para a criação de programas de formação com base neste conceito, tornam incontornável ponderar esta metodologia de dotar as organizações das capacidades que lhes são exigidas. Não um mero sinal de contemporaneidade e de atualidade da gestão de determinada instituição, mas, de forma crescente, uma potente via de motivação, integração, compromisso e valorização dos seus colaboradores. E um instrumento adicional de criação de condições únicas de estímulo à criatividade e à inovação.

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João Lopes Raimundo é empresário, envolvido em diversos projetos e em setores de atividades distintos. Interessado em intervenções no domínio das artes plásticas e da economia social, é sócio fundador do Lisbon Art Center & Studios (LACS). Anteriormente foi membro... Ler Mais