Os EUA e a China são os países onde a confiança dos CEO mais diminuiu. Já o Japão passou do último para o primeiro ligar no estudo Confidence Index, que aponta a retenção de talentos como uma das principais preocupações dos líderes mundiais.

A confiança dos líderes mundiais de negócio teve um decréscimo em 2019, de acordo com o segundo estudo anual Worldcom Confidence Index (CI) da The Worldcom Public Relations Group (Worldcom).

Numa análise de conteúdo online feita a mais de 58 mil chefes executivos e responsáveis de marketing, a confiança global entre CEO e CMO caiu mais de 20%, sendo estes valores mais significativos nos EUA (51%) e na China (21%). O Japão contrapôs esta tendência, passando do último para o primeiro lugar no estudo Confidence Index, com um crescimento de 74%.

“Elevados níveis de incerteza a nível mundial, incluindo guerras comerciais entre os Estados Unidos e a China, não têm ajudado a acalmar o receio dos líderes empresariais, e a nossa pesquisa mostra que os acordos comerciais e os direitos aduaneiros globais estão a enfraquecer a confiança.” referiu Roger Hurni, Chairman da Worldcom Public Relations Group.

“Desde a última edição da Confidence Index in 2018, os líderes também se depararam com o Brexit, os protestos em Hong Kong, a proliferação do aquecimento global, fome e o ressurgimento de doenças como o sarampo. Esta combinação de fatores pode ajudar a explicar o porquê dos níveis de confiança terem caído tão drasticamente no último ano”, acrescentou o responsável.

Estudo recorre à inteligência artificial para apurar os dados 
Este ano, a Worldcom contratou a Advanced Symbolics Inc, uma empresa focada em pesquisas de mercado que recorre à inteligência artificial para acompanhar e interpretar os conteúdos das redes sociais disponíveis para o público. O relatório deste ano examinou dados de quase 60 mil líderes empresariais de 15 países, mostrando como as suas opiniões e intensões mudaram ao longo do tempo.

Em 2018, os CEO estavam mais preocupados em alcançar clientes, mas os inquiridos no relatório da pesquisa de 2019 mostram-se mais preocupados com os influenciadores, que cresceram 160% de 2018 para 2019, seguidos pelo relacionamento com funcionários e clientes. Contudo, a confiança dos CEO em alcançar os influenciadores continua bastante baixa. Os líderes estão mais confiantes nas suas capacidades de alcançar acionistas, clientes, fornecedores e até mesmo funcionários estatais.

“Os influenciadores eram uma audiência em declínio em 2018, mas saltaram para a frente do grupo no relatório deste ano” assumiu Hurni. “O crescimento desta audiência pode sugerir que os líderes sentem que precisam do suporte dos influenciadores para os ajudar a ultrapassar este período mais turbulento”, referiu.

Outra questão que os CEO e os CMO estão a gerir é a retenção de atuais colaboradores. Os líderes têm pouca confiança nas suas capacidades para reter talentos. As empresas do Reino Unido e dos EUA estão em último e penúltimo lugar respetivamente na sua confiança para manter os empregados. Esta é apenas uma das cinco questões relacionadas com os funcionários que aparecem nos seis principais tópicos discutidos globalmente.

A migração económica é um motivo de preocupação global – mais notório nos EUA, que tiveram a pontuação mais baixa do Confidence Index. O tópico mais abordado pelos líderes é a qualificação e requalificação dos funcionários. O Reino Unido teve a pontuação mais baixa neste tópico e o Japão a mais alta. Melhorar as capacidades é apenas uma das muitas áreas que os líderes estão a explorar para manter os funcionários leais e motivados.

“Tal como no ano passado, o que mantém os CEO sem dormir à noite é a retenção dos melhores talentos. Este ano, também querem garantir que os funcionários tenham as capacidades certas num ambiente de trabalho dinâmico e em evolução”, comentou Hurni.

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