O empresário Ricardo Luz acredita que “a capacidade de inovação humana é infinita e que haverá muitos novos negócios a surgir” nesta nova fase da sociedade. Contudo, alerta para as dificuldades que muitas start-ups irão atravessar e deixa algumas palavras de incentivo.

“Como sempre acontece em momentos de devastação, haverá empresas que caem e outras que prosperam”. A análise é de Ricardo Luz em entrevista ao Link To Leaders. Apesar do momento conturbado que se vive na atualidade, e de reconhecer que alguns setores talvez não consigam ultrapassar os problemas de tesouraria, o empresário destaca que, com o talento, competências e capacidades que lhes são inerentes, conjugado com a panóplia de tecnologias ao seu dispor, as start-ups criarão as mais incríveis e bem sucedidas soluções.

Conseguirão as start-ups portuguesas adaptar-se às consequências do Covid-19?
As start-ups portuguesas, tal como todas em geral, irão adaptar-se, ou não! Muitas, não tenho dúvida, irão resistir, dada a resiliência, criatividade e capacidade de inovação que é característica de muitos empreendedores e das equipas que os rodeiam. Algumas irão mesmo crescer, e encontrar nesta crise a fonte inspiradora para o desenvolvimento de modelos de negócio, produtos ou serviços de sucesso. Mas muitas também serão as que passarão grandes dificuldades e poderão mesmo vir a fechar.

“(…) capacidade de inovação humana é infinita, haverá muitos novos negócios a surgir, alguns dos quais não nos passa ainda pela cabeça”.

Quais serão os setores mais afetados e quais as start-ups que poderão tirar “maior partido” da situação?
Como sempre acontece em momentos de devastação, haverá empresas que caem e outras que prosperam.
Sofrem mais as mais dependentes de sectores de actividade que de repente “pararam”, por exemplo o turismo e actividades conexas, transportes e tantas outros de uma extensa lista. Como também todas as que, independentemente do seu valor intrínseco, não consigam ultrapassar a crise de tesouraria que se avizinha, que para muitas será fatal. Porque deixará de entrar dinheiro, de clientes, financiadores e/ou investidores.

As empresas que se consigam integrar em cadeias de valor de actividades hoje criticas, como, por exemplo, as de logística alimentar e de bens e serviços essenciais, ou as que consigam entregar às pessoas bons conteúdos digitais, por exemplo de conhecimento ou entretenimento, podem vir a florescer se suportadas em modelos de negócio sólidos e economicamente rentáveis.

E, porque a capacidade de inovação humana é infinita, haverá muitos novos negócios a surgir, alguns dos quais não nos passa ainda pela cabeça.

Que conselhos dá aos fundadores das start-ups?
Antes e mais que tenham esperança no futuro! Que sejam o que sempre foram, irreverentes sonhadores! Mas também que interiorizem que a vida é uma frágil bênção, que todos temos obrigação de preservar. Que não deixem que ninguém lhes tire a liberdade de ser quem são, de lutar pelo que acreditam. O resto, com o talento, competências e capacidades que lhes são inerentes, conjugado com a panóplia de tecnologias ao seu dispor, estou certo levá-los-á a criação das mais incríveis e bem sucedidas soluções.

Nota: Este texto segue a antiga ortografia por vontade expressa do seu autor.

Comentários