Muitos empreendedores veem tempos turbulentos como períodos de desaceleração na criação, na inovação e no crescimento de um empreendimento. Por isso, em tempos conturbados, a maioria não está atenta às oportunidades que surgem, muitas delas aproveitadas apenas pelos mais atentos e persistentes.

Os estudos mostram que o reconhecimento de oportunidades e a inovação em períodos económicos difíceis são mais determinantes para o sucesso das empresas do que em períodos de prosperidade económica. Algumas pesquisas revelam inclusive que a novidade das oportunidades de produtos e serviços introduzidas por start-ups lançadas durante períodos económicos débeis é significativamente maior do que as soluções lançadas numa economia próspera.

Os resultados podem ser explicados pela apetência dos empreendedores para tomar decisões mais ousadas, focadas no retorno de longo prazo. Como a atividade empresarial geralmente diminui em períodos económicos lentos e porque a maioria dos empreendedores prioriza a sobrevivência e os lucros a curto prazo em detrimento da inovação, deixam cair oportunidades. Mas quem investe na criação pode colher benefícios a médio e longo prazo. A Forbes apresentou três regras que as start-ups devem seguir para impulsionar o sucesso a longo prazo em tempos mais complicados.

  1. Distinguir entre oportunidade de negócio e necessidade

Empreendimentos orientados para a necessidade acontecem quando os fundadores escolhem o empreendedorismo para substituir ou complementar outro negócio ou atividade durante condições de mercado mais fracas. As pesquisas mostram que os empreendimentos orientados para oportunidades têm mais hipóteses de inovar e prosperar em tempos complicados. Isto acontece quando os empreendedores reconhecem uma oportunidade, entendem que condições económicas débeis irão revertendo e priorizam os retornos de longo prazo face aos de curto prazo.

As crises económicas, especialmente se duradouras, são o melhor momento para trazer novas ideias de inovação ao mercado. Durante estes períodos, a maioria dos empreendedores e empresas realocará os seus ativos a apostas mais seguras, o que dá aos inovadores o espaço necessário para avançar sem concorrentes.

  1. Foco na necessidade do cliente

Embora a velocidade seja importante para o sucesso da start-up, quanto mais rápido for o desenvolvimento, maior é a probabilidade de cometer erros. E os momentos de desaceleração económica permitem ter tempo para um desenvolvimento mais ponderado.

Construir a solução progressivamente, priorizando o envolvimento do cliente, mesmo que a start-up tenha um leque reduzido de clientes devido à diminuição económica, permite à start-up definir o núcleo do produto e construir as próximas fases de desenvolvimento com bases sólidas. Desta forma, quando o produto ou serviço alcançar o mercado, terá um produto comprovado pronto para ser escalável.

  1. Foco na retenção 

O crescimento diminui durante um clima económico adverso. Paralelamente ao investimento em projetos com retornos de longo prazo, o objetivo é sustentar o sucesso dos negócios. É mais barato manter um cliente do que adquirir novos. Garantir a satisfação do cliente é crucial para o sucesso da start-up quer a curto, quer a longo prazo.

As crises económicas, especialmente as longas, são o melhor momento para conquistar mercado quando os concorrentes estão focados em permanecer no negócio. Tempos turbulentos podem dar o impulso de várias formas, seja, por exemplo, através de negociação de termos e preços. É o momento de fazer apostas vencedoras com maior probabilidade de sucesso.

Os estudos mostram que o financiamento de capital de risco não muda significativamente durante períodos económicos difíceis. O que muda é sua estratégia de investimento que tende a priorizar as start-ups que operam no seu setor principal de apoio, para terem mais controlo sobre o seu sucesso através de orientações e para mitigar a assimetria de informações. Se o fundador da start-up procura financiamento nesta altura, deve procurar investidores que financiaram start-ups dentro do mesmo setor de atividade. Essa é uma boa regra, independentemente da condição do mercado.

As crises económicas forçam as start-ups a avaliar iniciativas de negócios que agregam valor. É um bom momento para analisar com atenção o que torna a start-up bem-sucedida, para que o empreendedor possa concentrar-se no que contribui diretamente para a capacidade de entregar a proposta de valor e eliminar as distrações.

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