Construir uma companhia bem-sucedida na área de fintech não é muito diferente de criar um outro tipo de empresa, mas há alguns pontos a ter em atenção.

Se está a pensar lançar uma empresa de fintech (start-up que trabalha para inovar e otimizar serviços do setor financeiro) na Europa, certamente que já sabe que medidas tomar para implementar o projeto e ser bem-sucedido. Ainda assim, nada melhor que seguir as sugestões de quem já passou pela experiência como é o caso do empreendedor Andrew Zimine,  CEO da Exscudo OÜ, que partilhou algumas dicas com o Entrepreneur.

Explica que, em primeiro lugar, existem algumas coisas básicas que é preciso tirar do caminho. Conhecer a “indústria” é essencial e quando se trata de uma fintech convém conhecer o mercado como a palma da sua mão.

#AQUISIÇÃO DE CAPITAL
Por qualquer meio, aumentar o capital de risco não é a primeira coisa que deve fazer ao construir uma start-up. Pesquisa e desenvolvimento personalizado devem estar sempre em primeiro lugar. Contudo, haverá um momento precisará de dinheiro para começar a crescer mais rapidamente. No ecossistema europeu de start-ups têm quatro opções que pode equacionar:

Aceleradoras
Pré-aceleradoras e aceleradoras são um ótimo lugar para encontrar experiência, orientação e aconselhamento. São particularmente úteis quando o projeto já atingiu um ponto em que não sabe muito bem como impulsionar o seu crescimento. Nesses casos, o que precisa, por vezes, é da perspetiva diferente de um empreendedor mais experiente. E a maioria das aceleradoras fornecem programas de aceleração, consultoria e por vezes até rondas de investimento.

Venture capital
Pode recorrer à aceleradora para desenvolver o negócio até uma fase semente ou quando necessitar de uma ronda de investimento e tiver que procurar um fundo de risco para dar um salto no seu crescimento.
O mercado europeu é bastante ativo e há muitos fundos de risco por onde escolher. Uma boa dica é escolher um VC que já tenha no portefólio projetos na mesma área. No entanto, se o seu produto compete diretamente com as empresas que esse fundo já apoiou, provavelmente as portas desse VC vão fechar-se para o seu projeto.

Business angels
Outra alternativa possível é procurar o apoio financeiro de um acionista privado ou de business angel. Por alguma razão, este caminho apresenta menos resistência porque, afinal, está comunicar com alguém interessado no seu projeto. Mas, há uma desvantagem. Muitos business angels fizeram fortuna nos anos 90 e alguns podem já ter uma aproximação antiquado ao negócio. Ou seja, pode ser mais difícil convencê-los de que a sua inovadora start up será rentável. Por outro lado, em momentos menos favoráveis podem tentar assumir o controlo da empresa e impor a sua visão o negócio.

ICOs (Initial Coin Offering)
Este tipo de financiamento está a tornar-se cada vez mais popular, especialmente no domínio da blockchain. Um ICO é quando você emite tokens e vende-os a investidores diretamente em troca de fundos para serem usados no crescimento do seu negócio. Contudo, estes investidores não têm voz nas decisões executivas, que dá liberdade de ação ao empreendedor.

Os ICOs são um fenómeno tão recente, que ainda não são regulados em muitos países europeus. O que significa que tem de o cuidado de escolher um país que incentive o desenvolvimento de projetos blockchain. Por enquanto, entre os países com regulamentos amigáveis nesta matéria, encontram-se a Estónia, Suíça, Chipre, Malta e Liechtenstein.

Se planeia arrecadar dinheiro através de uma ICO, não registe a sua start-up num país onde a situação ainda seja incerta e pouco regulada para não ter surpresas à posteriori.

#CONTRATAR
Há alguns aspetos que distinguem a forma de contratar na Europa do do resto do mundo. A começar pela rapidez.  O seu novo colaborador provavelmente precisará de algum tempo para se transferir da atual empresa para a sua. O processo de mudança pode levar meses.

Por outro lado, os contratos laborais, são muito extensos, seguem um sem fim de normas e tem de ser muito ágil para contratar eficazmente colaboradores na Europa.

#IMPOSTOS E CONTABILIDADE
Do ponto de vista dos impostos e da contabilidade, as empresas fintech na União Europeia são tratadas como qualquer outra empresa, com uma exceção. As aceleradoras e incubadoras estatais podem oferecer financiamentos e benefícios fiscais. O Reino Unido, por exemplo, tem vários programas para ajudar a iniciar um negócio, desde que reúna as condições elegíveis.

Muitas start-ups evitam esta opção, porque é fácil de ficar enterrado em papelada, mas se conseguir fazer isso, terá certamente um financeiro robusto.

#ADQUIRA UMA LICENÇA E ABRA UMA CONTA
Adquirir uma licença implica procedimentos diferentes em cada país europeu. O ponto comum a todos eles são as “toneladas” de papelada necessária. O cenário ideal passa por contratar os serviços de um advogado que o ajude com o processo de candidatura.  Regra geral, é uma opção mais cara, mas que pode ser um apoio fundamental para quem não domina os passos necessários para obter uma licença.

Uma vez obtida a licença para a sua empresa, precisa de abrir uma conta bancária. Muitos bancos europeus veem as fintech como empreendimentos de alto risco, especialmente se o seu negócio estiver relacionado com criptomoedas ou blockchain.

Ter um conselho de administração com experiência executiva ajuda, mas esteja preparado para ter de fornecer muitas informações sobre o projeto. A Estónia e a Suíça são talvez, neste momento, os países mais interessantes para uma empresa de criptomoeda abrir uma conta bancária.

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