A Talent Garden, que se assume como mais do que um espaço de coworking e que está presente em oito países europeus, juntou-se ao projeto Code.org, que conta com o apoio de nomes como Barack Obama, Bill Gates e Marc Zuckerberg, para organizar um bootcamp de programação para os mais pequenos neste verão. O objetivo é expandir a iniciativa a toda Europa ainda este ano.

Ali e Hadi Partovi, dois irmãos de origem iraniana, após uma longa carreira em empresas de tecnologia, decidiram dar um novo rumo às suas vidas. Em 2013, fundaram a Code.org em Silicon Valley, uma organização sem fins lucrativos com a missão ajudar crianças e professores a ler código-fonte de programação e que tem o apoio de grandes multinacionais de tecnologia, como Google ou Facebook.

Desde o seu início, a Code.org cresceu rapidamente. O seu sucesso tem se baseado no apoio que tem recebido de referências dos setores público e privado, e de importantes personalidades para sensibilizar e formar alunos e professores em informática, como Bill Gates, Marc Zuckerberg, Jeff Bezos, Susan Wojcicki (CEO do YouTube) ou o ex-presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que em 2016 legislou esta área para levar a ciência da computação às escolas de todo o país. Hoje, 40% das crianças norte-americanas já possuem uma conta nesta plataforma e quase dois milhões de professores usam a Code.org como fonte de informação.

Foi em 2018 que o movimento começou a chegar a vários países da América Latina como Chile, Argentina ou Colômbia. Agora, a Code.org chega à Europa, repetindo o modelo de sucesso dos Estados Unidos e juntando-se a parceiros do setor privado como o Talent Garden para sensibilizar e treinar crianças em programação.

“A programação é uma ferramenta que, quando ensinada desde cedo, incentiva à inovação e ao empreendedorismo. A Talent Garden reflete esse ecossistema e ajuda-nos a conectar-nos com os sistemas locais, dando-nos capilaridade, multiculturalidade, dimensão e ecossistema. Afinal, a programação é uma ferramenta ao serviço dos inovadores para a construção de novos modelos de negócios, e isso está na Talent Garden”, explica Fran García del Pozo, diretora da Code.org EMEA (Europa, Oriente Médio e África).

Mas o que é exatamente a Talent Garden? À primeira vista, muitos poderiam defini-la como um espaço de coworking tradicional. Mas assume-se antes como um lugar onde as pessoas partilham conhecimento com outras organizações ou empresários. Um ponto de encontro entre diferentes perfis tecnológicos, desde empresas de várias dimensões até empresários e investidores. A Talent Garden conecta aqueles que precisam de ajuda com alguém do seu espaço que pode apoiá-los

“Este acordo com a Code.org ajudar-nos-á a expandir a nossa visão”, disse Gonzalo Torres, CEO da Talent Garden em Espanha. “Se contribuirmos para que funcione, vai ajudar-nos a mostrar ao mundo que não somos apenas um espaço de coworking, somos também uma plataforma para que ideias como esta aconteçam”, acrescenta.

A Code.org anunciou recentemente o seu primeiro embaixador na Europa: o presidente da Telefónica, José María Álvarez-Pallete. Outros nomes também foram revelados, como o jornalista Sonsoles Ónega, o físico Javier Santaolalla ou a CEO da Asti Mobile Robotics, Verónica Pascual. Nos próximos meses, mais nomes serão anunciados.

Em Espanha, a Talent Garden possui campus em Madrid e Barcelona, ​​mas também está presente em outros oito países europeus, como França ou Itália. “A ideia é que os nossos parceiros desenvolvam e executem, encarregamo-nos de ajudar para que isso aconteça”, explica Gonzalo Torres.

Essa é exatamente a ideia do Code.org: expandir a sua iniciativa, unindo forças com diferentes aliados, como os campus do grupo. Recentemente, a colaboração entre as duas entidades consolidou-se através de um projeto que terá início neste verão. “A Talent Garden vai desenvolver um bootcamp para crianças nos campus em Espanha, a ideia é fazer com que chegue a todo o ecossistema do Talent Garden na Europa”, revelou o diretor da Code.org EMEA.

Mas por que devem os mais pequenos aprender a programar?
“A economia é global e digital, e embora não saibamos quais são os empregos do futuro, sabemos que competências exigirão”, disse Fran García del Pozo, diretor da Code.org EMEA (Europa, Oriente Médio e África).

Já o diretor-geral da Talent Garden Espanha, Gonzalo Torres, esclarece que este movimento nada tem a ver com carreiras STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática, na sua sigla em inglês): “Uma criança que quer aprender a programar não ter de ser um programador. Hoje é a base para um trabalho futuro, seja ele qual for, e temos que prepará-lo”.

Além de desenvolver competências técnicas, os benefícios de aprender a ler esta linguagem são muitos: “Ela incentiva a curiosidade e o empreendedorismo como habilidade, não como profissão”, reforçou Gonzalo Torres.

“Quando programamos, colocamos o pensamento computacional a funcionar, desenvolvendo competências como lógica, pensamento crítico, criatividade ou resolução de problemas”, concluiu Fran García del Pozo.

Comentários