No primeiro semestre de 2022, o investimento em start-ups caiu 44% em relação a 2021. O cenário económico deixou os investidores mais seletivos na hora de fazer as suas apostas; o custo de capital ficou mais caro, há menor liquidez no mercado, subida de juros no mundo inteiro e ajuste no valor de mercado das empresas de tecnologia.

As start-ups continuam a procurar ajustar-se para reduzir a queima de caixa (congelamento de contratações, redução de gastos com marketing e demissões), no meio a uma forte queda de investimentos no setor. De acordo com pesquisa realizada pelo fundo de venture capital Atlântico, 80% das start-ups que demitiram pessoal, cortaram até 10% de sua força de trabalho.

Apesar desse início de ano conturbado, parece que bons ventos voltam a soprar por aqui. As start-ups brasileiras, no mês passado, tiveram o melhor resultado em captação de recursos desde junho deste ano; com US$ 376,4 milhões obtidos em 54 rondas, segundo dados do Distrito. O volume de investimentos aponta sinais de recuperação. Os investimentos totalizaram US$ 4,1 bilhões entre os meses de janeiro e outubro deste ano. “O valor já supera o volume total investido em 2020, o que demonstra que não existe uma rutura na oferta de capital para start-ups, o mercado de venture capital no país é resiliente e que os investidores continuam encontrando boas oportunidades”, afirma Gustavo Gierun, CEO e cofundador da plataforma de inovação Distrito.

Alguns setores têm crescido bastante no Brasil, entre eles o de healthtech. A saúde mental deixou de ser tabu e com isso, houve um “boom” de procura por empresas e start-ups. A Vittude, start-up que conecta psicólogos e tem programas voltados para a melhora da saúde mental teve um crescimento de 540% de receita. A agenda ESG (ambiental, social e governança, em inglês) ganhou mais força no mundo corporativo nos últimos anos, tem impulsionado o crescimento de start-ups com foco em responsabilidade social e crescimento sustentável.

O setor de agrotech também tem crescido bastante. Como o setor agro está ligado a bens básicos de consumo, parece sentir menos as turbulências ou incertezas no mercado causadas pela Covid, pela guerra na Ucrânia e pelas eleições no Brasil.

Segundo a plataforma de inovação Distrito, só havia 76 agrotech no país em 2010. Uma década depois, em 2020, já haviam 366 agrotech. Para finalizar o artigo deste mês, o Linkedin apresentou recentemente a quinta edição da sua lista de 15 start-ups mais em alta no Brasil, a “Top Startups 2022”. Com base na análise de dados global dos seus mais de 850 milhões de usuários. A lista apresenta as 15 empresas que mais se destacaram no último ano e que mais representam capacidade de adaptação à situação atual do país. Elas pertencem a diferentes setores e áreas de especialização e se destacam ainda pelo crescimento contínuo e compromisso com a inovação, além de atração e retenção de talentos, de modo a promover políticas de trabalho flexíveis que os profissionais exigem atualmente. Conheça abaixo a lista LinkedIn.

Top Startups 2022:

  1. Neon – Fintech
  2. C6 Bank – Banco digital
  3. Gupy – Empresa de tecnologia para recursos humanos
  4. Me Poupe! – Plataforma de educação financeira
  5. Flash Benefícios – Gestão de benefícios
  6. Z1 – Fintech
  7. Caju Benefícios – Gestão de benefícios
  8. Pipo Saúde – Gestão de benefícios em saúde
  9. PayLivre – Fintech
  10. Onze – Fintech
  11. Buser – Transporte
  12. Pier Seguradora – Seguradora
  13. Azos – Seguradora
  14. Alice – Healthtech
  15. Voltz Motors – Fabricação de veículos

Fontes: Exame, CNN, startups.com.br. Distrito, Atlântico, Estado de São Paulo

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Daniela M. Meireles é empreendedora, business advisor, mentora de start-ups e palestrante (Branding, Empreendedorismo e Liderança). Foi fundadora da DBRAND, consultora de branding, marketing e inovação; fundadora/CEO da Yuppy, start-up de media, marketing e eventos; mentora nos programas Startup Rio,... Ler Mais